"Ao contrário do que aconteceu em Brasília com operação Caixa de Pandora, no Mato Grosso descalabro continua. Arrudas e Prudentes de MT continuam mandando na política e na Justiça" (FÁBIO PANNUNZIO)
Fábio Pannunzio (foto), repórter da Band, rede nacional de televisão, mantém um blog na internet, onde ele hoje, em meio ao carnaval, destaca a força que o deputado estadual Geraldo Riva (PP-MT) e o conselheiro do Tribunal de Contas Humberto Bosaipo, apesar dos muitos processos que o Ministério Público de Mato Grosso já apresentou contra os dois, continuam tendo dentro da política de Mato Grosso. O jornalista compara Riva e Bosaipo com o governador Arruda, preso atualmente na sede da Policia Federal, em Brasilia, e com os demais implicados na Operação Caixa de Pandora. No texto de Pannunzio, uma frase que talvez faça arrepiar muitos jornalistas de Mato Grosso: "Também a imprensa daquele estado se associou ao time dos bandidos." Será que Pannunzio cometeu um exagero retórico? O que voce acha?
Confira a matéria de Fábio Pannunzio
Arrudas e Prudentes de Mato Grosso continuam mandando na política e na Justiça
Por Fábio Pannunzio
"A esperança é de que algum órgão de projeção nacional e verdadeiramente independenete possa dar a repercussão merecida, despertando toda a Nação brasileira para este emblemático caso de desvio de dinheiro público".
A frase, que soa como um apelo desesperançado, encerra um relatório reservado do Ministério Público de Mato Grosso sobre as 91ações civis e 17 ações penais que tramitam em diversas instâncias da justiça matogrossense contra o deputado josé geraldo Riva e o conselheiro do tribunal de Contas do Estado Humberto Bosaipo.
Ao contrário do que aconteceu em Brasília como efeito da operação Caixa de Pandora, no Mato Grosso o descalabro continua. Graças a um consórcio de interesses que conjuga poder político, nomeação de parentes de desembargadores pelos réus dos processos e alianças espúrias de todos os naipes. Também a imprensa daquele estado se associou ao time dos bandidos.
Além disso, a Justiça tem sido usada para calar os blogs que se aventuram a fazer o que os jornais não fazem: tornar público o que é de interesse público. E não fazem, segundo o relatório do MP, porque são os principais beneficiários das generosas verbas de publicidade da Assembléia Legislativa, onde grassa a roubalheira.
A blogueira Adriana Vandoni, do blog Prosa e Política, que obteve o relatório, está impedida de publicar informações sobre José Geraldo Riva, o Arruda do Mato Grosso. E também corre o risco concreto de ser presa a pedido do Diretor-Geraldo do DNIT, Luiz Pagot, outro matogrossense célebre por protagonizar o noticiário político em situação desairosa.
A história que o MP apura, sem esperança de resolver, começa com uma estranha movimentação de cheques emitidos pela Assembléia Legislativa pelo caixa da Confiança Factoring, empresa que pertence ao grupo do Comendador Arcanjko, o "capo" da maior organização criminosa contemporânea do Centro Oeste brasileiro.
Os cheques emitidos pela AL/MT em nome de empresas fantasmas faziam uma escala na factoring de Comendador, na qual formalmente serviam para dar garantia a "empréstimos" feitos pelos deputados Riva e Bosaipo. Os recursos eram sacados por funcionários dos gabinetes de ambos -- alguns deles chegaram a ser depositados diretamente na conta dos parlamentares.
O esquema desviou, segundo estimativas do MP, quase meio bilhão de reais entre 1997 e 2002. Apesar da farta produção de provas, os processos não andam. Chama a atenção a atuação de alguns desembargadores, que sempre decidem em favor dos réus. Especialmente a de José Tadeu Cury e Evando Stábile, que suspenderam várias decisões de primeira instância contrariando interesses dos parlamentares envolvidos. Uma das filhas de Stábile, Daniele, tinha um cargo de confiança na Assembléia Legislativa. A nomeação foi assinada por Geraldo Riva, então presidente da Casa.
Fonte: Pagina do Enock

