sexta-feira, 23 de maio de 2014

Como os gatunos com mandato transformaram MT na Meca da corrupção


Pobre Mato Grosso. Tem neste momento mais uma chance de purgar essa chaga, ao menos esse grupo político-delinquente. Resta saber até que ponto as instâncias de correição vão permitir a faxina. E até que ponto os cuiabanos e matogrossenses em geral estão interessados nisso. 



Por Fábio Pannunzio

É inacreditável o que o comprometimento das instituições de um Estado pode fazer contra sua população. O Mato Grosso, como a Polícia Federal e o MPF estão demonstrando sobejamente, é o Reino de Hades da política. A corrupção generalizada contamina praticamente todo o Legislativo, uma parte do Judiciário e o Executivo. A imprensa é venal e se vende por qualquer migalha. Os jornais daquele estado, como eu demonstrei meses atrás, também se valem dos desvãos e dos favores dos corruptos para faturar alto. Roubam do contribuinte até na venda de assinaturas.

Todo mundo está no bolso desse meliante chamado José Geraldo Riva. Ele dispensa apresentações. A despeito da sua longuíssima folha corrida, o assaltante travestido de deputado era bajulado de maneira escancarada pelos colegas-gatunos. A ponto de  ter permanecido despachando na sala da Presidência da Assembléia Legislativa, de onde a Justiça mandou sacá-lo há alguns meses, até a véspera de ser trancafiado desta vez pela PF.

É preciso citar que Riva já havia sido cassado duas vezes quando foi reeleito para presidir a ALMT com a quase totalidade dos votos (apenas uma deputada não o sufragou). E que todos, literalmente todos, permitiram que ele continuasse ocupando as instalações e usurpando as funções de presidente do parlamento. Os jornalistas de Cuiabá nunca viram isso, apesar das inúmeras entrevistas convocadas e concedidas por Riva a eles próprios num ambiente em que o larápio não deveria estar.

O presidente de direito, que se chama Romoaldo (mas é conhecido como Roboaldo pela população), é um fraco submisso, serviçal de Riva e seus esquemas. Não teve coragem sequer para tocar o meliante do gabinete que ele deveria estar ocupando quando a Justiça assim determinou. Não é por acaso que o chefe do propinoduto cuiabano foi levado para a PF de Brasília. Em Cuiabá, o pouco de seriedade que resta ao Poder Judiciário não consegue remover esse câncer chamado corrupção e suas múltiplas metástases na institucionalidade. Até o Ministério Público está contaminado.

Não é por acaso que Cuiabá é um canteiro de obras desconexas, inúteis e mal dimensionadas. E todas elas com problemas na execução — problemas que vão das suspeitas de desvio de dinheiro (muito dinheiro) até a simples incompetência gerencial que conspurca o cronograma. É a capital brasileira que mais está atrasada nos preparativos para a Copa. Os torcedores e jogadores vão ter que passar sobre montes de entulho e andar por ruas esburacadas graças à gatunagem generalizada. É tempo de a população aprender que tudo isso é efeito da corrupção. O corrupto não se interessa pela obra nem pelo bem-estar que ela vai trazer. Interessa-se pela grana que pode amealhar. É por isso que as coisas desandaram na capital de Mato Grosso. O que tem de gente na fila do “bereré” não é brincadeira. O que sobra para obras nunca é suficiente.

Agora que puxaram o fio do novelo, é provável que Riva, o organizador dos esquemas, leve para a sepultura política meio Mato Grosso. Desvendados seus esquemas — os mais antigos foram todos descobertos, mas infelizmente não foram suficientes para levar esse homúnculo definitivamente para uma penitenciária — não vai sobrar pedra sobre pedra. 

Pobre Mato Grosso. Tem neste momento mais uma chance de purgar essa chaga, ao menos esse grupo político-delinquente. Resta saber até que ponto as instâncias de correição vão permitir a faxina. E até que ponto os cuiabanos e matogrossenses em geral estão interessados nisso.

Fonte Acta Diurna 

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MPF processa deputado por tentativa de autopromoção com VLT de Cuiabá 


José Riva também foi preso na terça (20) durante a operação Ararath, da PF. Para MPF, deputado tentou fazer propaganda pessoal usando obra da Copa.

Renê Dióz G1

A Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o deputado estadual José Riva, do PSD de Mato Grosso, por tentativa de uso das obras de R$ 1,47 bilhão do metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) – o mais caro projeto da Copa emCuiabá – para autopromoção. O parlamentar já responde a outros 107 processos judiciais por crimes como peculato, improbidade administrativa e corrupção. A reportagem tentou comentar a denúncia com o advogado Mário Sá, que defende Riva no caso, mas sem sucesso.

A denúncia do MPF chegou à Justiça Federal no final de março e foi recebida pelo juiz Ilan Presser, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, nesta sexta-feira (23) - mesmo dia em que Riva conseguiu liberação do Complexo da Papuda, em Brasília, onde esteve preso desde a última terça-feira (20) pela Polícia Federal (PF) devido às investigações da operação “Ararath”, sobre crimes financeiros.

No processo iniciado nesta sexta, Riva deverá responder por improbidade administrativa. O MPF requer que o parlamentar pague indenização de pelo menos R$ 398.000,00 por dano moral coletivo, valor que deve ser revertido ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.
'Pai do VLT'
De acordo com a denúncia, o deputado se aproveitou do lançamento das obras do VLT, com recursos federais, para fazer propaganda pessoal como se fosse o "pai" do VLT.

O exemplo citado pelo MPF na denúncia à Justiça é a instalação de um outdoor entre meados de novembro e final de dezembro de 2013 na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA, uma das principais de Cuiabá) com imagem do VLT e texto atribuindo a Riva a responsabilidade pela implantação do modal de transporte na capital mato-grossense.


Fonte: Renê Dióz Do G1 MT

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