Se alguém tem tantas e insistidas acusações, de que teria desviado, em valores atuais, cerca de meio bilhão de reais, causa indignação e nojo ver os argumentos de Riva de que é inocente. O mesmo sentimento causa a manifestação de políticos parvos em seu favor e o comportamento de uns que se dizem jornalistas e bajulam o deputado cevados por dinheiro do erário
O analista Ademar Adams garante que, para o povo, a soltura do deputado
Riva, após três dias de xilindró, deixa a impressão de que para os ricos
e para os políticos existe uma lei e para o restante da população
existe outra, bem mais rigorosa.
Da pagina do Enock
POR ADEMAR ADAMS
Riva não foi solto por ser
inocente, mas apenas pelo fato de ser deputado e estar escondido atrás
de uma tal imunidade que deveria proteger parlamentares de regimes de
ditadura, não corruptos e ladrões do dinheiro público.
Mas para o povo, a soltura do
deputado após três dias de xilindró, é a constatação de que para os
ricos e para os políticos existe uma lei e para o restante da população
existe outra, bem mais rigorosa.
Imaginemos que um ladrão de
galinhas tenha contra ele 100 denúncias de roubo e for preso pela
polícia suspeito de roubar um peru. Como se vê seguidamente, o delegado e
o juiz iriam dar um jeito de mantê-lo na cadeia até o julgamento. E a
condenação seria certa.
No caso de deputado do PSD, pesam
contra ele mais de cem processos cíveis e criminais. Em várias das ações
cíveis para ressarcimento do dinheiro, ele já foi condenado por juízes
de 1º grau a ressarcir os cofres públicos. Alguns recursos já foram
julgados pelas Turmas do Tribunal de Justiça, que mantiveram a
condenação e o afastaram da presidência da Assembleia.
As ações penais tem tido um caminho
mais tortuoso, pois para processar criminalmente um deputado, é preciso
que a Assembleia conceda a licença. E jamais a corja de deputados
concedeu essa permissão. A maioria porque é cevada pelo dinheiro
desviado, como consta dos processos e outro por falta de coragem. Cagam
de me medo do Riva.
É importante frisar que todas as
ações contra Riva, menos essa que o levou em cana, são de autoria do
Ministério Público Estadual (MPE). A fora as bravatas do deputado
agredindo o órgão, que os procuradores chefes covardemente nunca
responderam, o MPE é uma instituição séria e de muito crédito junto à
população.
Se alguém tem tantas e insistidas
acusações, de que teria desviado, em valores atuais, cerca de meio
bilhão de reais, e este jornalista leu todas as peças do MPE, causa
indignação e nojo ver os argumentos deste político de que é inocente. O
mesmo sentimento causa, a manifestação de políticos parvos em seu favor e
o comportamento de uns que se dizem jornalistas, e bajulam o deputado
cevados por dinheiro do erário.
Ver as manifestações em favor do
deputado ao retornar do cárcere, sem a devida e necessária crítica em
alguns meio de comunicação, dá a impressão de que ainda estamos num
passado remoto. De quanta vergonha na cara precisa o povo de Mato Grosso
para ir às ruas pedir a cassação desse parlamentar?
Ele diz que decidiu não ser mais candidato. Decidiu não, ele está ficha suja e não poderá ser candidato. É bem diferente.
Ararat ou Arariva?
A relação de Riva com Júnior
Mendonça deve ser medida a partir desses números: em três anos, meados
de 2008 a maio de 2011, a Assembleia pagou para a Amazônia Petróleo
cerca de 15,5 milhões de reais, por 4,83 milhões de litros de gasolina.
Eu tenho as provas.
Convenhamos: 1,6 milhões de litros
de combustível dá para fazer 16 milhões de km por ano. Dava para fazer
10 mil viagens de ida e volta à Juara, ou dar quatrocentas volta ao
globo terrestre.
O deputado declarou ao vivo na TV
que só o gabinete dele tem 40 veículos. Nem Dilma, nem Putin e nem Obama
tem tantos carros à disposição como esse deputadinho. É um escândalo!
ADEMAR ADAMS é jornalista em Cuiabá
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