quarta-feira, 28 de maio de 2014

Riva foi solto por ser deputado, não por ser inocente


Se alguém tem tantas e insistidas acusações, de que teria desviado, em valores atuais, cerca de meio bilhão de reais, causa indignação e nojo ver os argumentos de Riva de que é inocente. O mesmo sentimento causa a manifestação de políticos parvos em seu favor e o comportamento de uns que se dizem jornalistas e bajulam o deputado cevados por dinheiro do erário


O analista Ademar Adams garante que, para o povo, a soltura do deputado Riva, após três dias de xilindró, deixa a impressão de que para os ricos e para os políticos existe uma lei e para o restante da população existe outra, bem mais rigorosa.


Da pagina do Enock

POR ADEMAR ADAMS
 
Riva não foi solto por ser inocente, mas apenas pelo fato de ser deputado e estar escondido atrás de uma tal imunidade que deveria proteger parlamentares de regimes de ditadura, não corruptos e ladrões do dinheiro público.
 
Mas para o povo, a soltura do deputado após três dias de xilindró, é a constatação de que para os ricos e para os políticos existe uma lei e para o restante da população existe outra, bem mais rigorosa.
 
Imaginemos que um ladrão de galinhas tenha contra ele 100 denúncias de roubo e for preso pela polícia suspeito de roubar um peru. Como se vê seguidamente, o delegado e o juiz iriam dar um jeito de mantê-lo na cadeia até o julgamento. E a condenação seria certa.
 
No caso de deputado do PSD, pesam contra ele mais de cem processos cíveis e criminais. Em várias das ações cíveis para ressarcimento do dinheiro, ele já foi condenado por juízes de 1º grau a ressarcir os cofres públicos. Alguns recursos já foram julgados pelas Turmas do Tribunal de Justiça, que mantiveram a condenação e o afastaram da presidência da Assembleia. 
 
As ações penais tem tido um caminho mais tortuoso, pois para processar criminalmente um deputado, é preciso que a Assembleia conceda a licença. E jamais a corja de deputados concedeu essa permissão. A maioria porque é cevada pelo dinheiro desviado, como consta dos processos e outro por falta de coragem. Cagam de me medo do Riva. 
 
É importante frisar que todas as ações contra Riva, menos essa que o levou em cana, são de autoria do Ministério Público Estadual (MPE). A fora as bravatas do deputado agredindo o órgão, que os procuradores chefes covardemente nunca responderam, o MPE é uma instituição séria e de muito crédito junto à população. 
 
Se alguém tem tantas e insistidas acusações, de que teria desviado, em valores atuais, cerca de meio bilhão de reais, e este jornalista leu todas as peças do MPE, causa indignação e nojo ver os argumentos deste político de que é inocente. O mesmo sentimento causa, a manifestação de políticos parvos em seu favor e o comportamento de uns que se dizem jornalistas, e bajulam o deputado cevados por dinheiro do erário. 
 
Ver as manifestações em favor do deputado ao retornar do cárcere, sem a devida e necessária crítica em alguns meio de comunicação, dá a impressão de que ainda estamos num passado remoto. De quanta vergonha na cara precisa o povo de Mato Grosso para ir às ruas pedir a cassação desse parlamentar? 
 
Ele diz que decidiu não ser mais candidato. Decidiu não, ele está ficha suja e não poderá ser candidato. É bem diferente.
 
Ararat ou Arariva?
 
A relação de Riva com Júnior Mendonça deve ser medida a partir desses números: em três anos, meados de 2008 a maio de 2011, a Assembleia pagou para a Amazônia Petróleo cerca de 15,5 milhões de reais, por 4,83 milhões de litros de gasolina. Eu tenho as provas.
 
Convenhamos: 1,6 milhões de litros de combustível dá para fazer 16 milhões de km por ano. Dava para fazer 10 mil viagens de ida e volta à Juara, ou dar quatrocentas volta ao globo terrestre.
 
O deputado declarou ao vivo na TV que só o gabinete dele tem 40 veículos. Nem Dilma, nem Putin e nem Obama tem tantos carros à disposição como esse deputadinho. É um escândalo!
 
ADEMAR ADAMS é jornalista em Cuiabá
 
 
Visite a pagina do MCCE-MT