Em conversa gravada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano com o chefe de gabinete do governador Silval Barbosa (PMDB), Silvio Cézar Correa, Eder lembra os bastidores da campanha do petista que só perdeu para o prefeito Mauro Mendes (PSB) após o segundo turno.
Folha Max
Em interceptação telefônica feita pela Polícia Federal com
autorização da Justiça Federal, o ex-secretário de Estado, Eder Moraes,
revela que foi o responsável em arrecadar R$ 7,5 milhões para a campanha
do ex-vereador Lúdio Cabral (PT) a prefeito de Cuiabá nas eleições
municipais de 2012. A quantia corresponde a 79% do valor declarado pelo
petista à Justiça eleitoral. Conforme sua prestação de contas, o
montante gasto correspondeu a R$ 9,4 milhões.
Em conversa gravada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano com o
chefe de gabinete do governador Silval Barbosa (PMDB), Silvio Cézar
Correa, Eder lembra os bastidores da campanha do petista que só perdeu
para o prefeito Mauro Mendes (PSB) após o segundo turno. "Eu arrumei R$
7,5 milhões para campanha dele com grupos ai que você conhece",
detalha.
Éder ainda reclama que o ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do
Brasil), Francisco Faiad, candidato a vice-prefeito na chapa, estaria
atraindo seus cabos eleitorais. Eder e Faiad são pré-candidatos a
deputado estadual pelo PMDB nas eleições deste ano. “Tô te ligando para
dar um toque aí. É... esse doutor Faiad, companheiro, amigo, irmão, é...
ele tem um pessoal dele aí, que trabalha para ele na campanha e tal,
beleza. Sempre respeitei, nunca invadi a área. Diferente dele que tentou
arregimentar um pessoal meu, que historicamente nas últimas dez
eleições estão comigo, tanto para apoiar o Silval quando ele foi governa
..., candidato a governador, tanto para apoiar o Blairo, enfim, porque é
o grupo Senadão aí que são trezentas e poucas associações ou
entidades”, diz trecho da conversa.
Ao receber a concordância de Silvio Côrrea, Eder Moraes prossegue com
a conversa e dá mais detalhes do assédio de Faiad ao seu grupo político
eleitoral. A partir daí, ele revela que ficou pendências financeiras na
campanha eleitoral de 2012, da qual atuou como coordenador político da
chapa composta pelo PT-PMDB com Lúdio Cabral e Francisco Faiad.
No entanto, afirma que não está preocupado em resolvê-las deixando os
credores sem nenhuma resposta. “Ele achou e eu deixei para ver até onde
ele ia, que ele ia ficar com o Edio né, com o Benjamin, com o Valter,
com essa turma aí que sempre estiveram comigo, mas eu esperei a hora
certa. Porque ficou algumas coisinhas de campanha para resolver que ele
resolveu, problema é dele, ele que se foda, a campanha é dele, o
candidato a prefeito foi ele e o outro, não fui eu. Eu arrumei sete
milhões e meio para a campanha dele de doação, com grupos aí que você
conhece, então ..”
Em determinado momento da conversa, Eder pede ajuda para Silvio
interceder junto ao Executivo e assim pôr fim ao assédio de Faiad em sua
base política eleitoral. Em tom ameaçador, diz até que o governo do
Estado poderia enfrentar uma briga da sua equipe administrativa.“Eu
apenas estou com o meu grupo em não aceito eles virem furar meu olho. E
vai ter briga feia
mesmo, eu sempre disse isso. Já disse isso ao governador também,
enfim. Então só para ficar o alerta aí, né? O Faiad se recolher no canto
dele e buscar as lideranças dele em vez de ficar com concorrência
predatória, tentando arrancar quem já está dentro do grupo, eu quero que ele se exploda.
(...) Vai acabar daqui a pouco tendo uma briga aí que vai cair para
dentro do governo, e isso é um alerta”, comentou.
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