Ao retaliar autor de obra de ficção, por mostrar os problemas do nosso sistema político, Câmara dos Deputados age como o imperador que tenta matar o mensageiro que traz notícias ruins, diz colunista
Sociedade civil divulga manifesto de apoio ao juiz Márlon Reis
Congresso em Foco
Por Jorge Maranhão
Quem viu no último dia 8 o programa Fantástico,
da Rede Globo, com certeza ficou indignado com as revelações do juiz
Márlon Reis sobre a corrupção de partidos e políticos nas campanhas
eleitorais.
O juiz Márlon é especialista no tema da corrupção na política e está
divulgando em todo o Brasil o seu mais novo e polêmico livro, O nobre deputado. Embora
se deva ressaltar que o livro é uma obra de ficção e que o deputado
retratado não existe de verdade, Márlon Reis usou todo o seu
conhecimento de especialista no processo eleitoral brasileiro para
denunciar à sociedade os truques mais comuns que os políticos usam para
burlar a lei eleitoral. Com o livro, o juiz espera uma mobilização maior
dos cidadãos para o aprimoramento do processo, que possui muitas
falhas.
Na reportagem, o juiz Márlon foi um dos entrevistados sobre o tema da
corrupção eleitoral, além de Carlos Velloso, ex-presidente do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE); Rachel Duarte, promotora de Justiça; e André
Bertuol, procurador-geral eleitoral de Santa Catarina.
Evidentemente, alguns políticos não gostaram do que ouviram e a
reação foi a pior possível. Em vez de reconhecer que o sistema é falho e
precisa de aperfeiçoamentos, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, ameaçou
entrar com uma representação contra o juiz Márlon Reis no Conselho
Nacional de Justiça (CNJ). A alegação é que o livro citado “mancha a
imagem do Parlamento”. Esqueceram só de avisar ao nobre deputado que a
imagem do Congresso já está bem manchada e que a sociedade já não admite
mais esse tipo de político. Parece até aquela história antiga: se o
mensageiro traz uma notícia ruim para o imperador, que se mate o
mensageiro!
Pois diversas organizações da sociedade civil divulgaram esta semana
manifestos de apoio ao juiz Márlon Reis contra mais essa “bola fora” dos
nossos congressistas. Uma delas, a organização Amarribo Brasil, afirma que o juiz “retrata, com objetividade cristalina e coragem pessoal, a realidade do que se passa nos bastidores da política brasileira”, e faz questão de lembrar que hoje praticamente a metade dos parlamentares responde a inquérito ou ação penal no Supremo.
Outra organização, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), também soltou nota de apoio ao juiz Márlon.
Como se pode ver, ainda há muito o que se fazer contra a corrupção,
especialmente em nosso sistema político. Vale a pena conferir o vídeo e
as notas de apoio e refletir sobre o que devemos esperar dos nossos
candidatos às eleições de outubro. Mas, acima de tudo, precisamos
compreender que o processo eleitoral não é o fim em si mesmo da
cidadania política, mas apenas o meio pelo qual ela exerce sua
participação.
Depois de eleitos os mandatários, nós, os mandantes, precisamos
fiscalizar e cobrar transparência ao longo de todo o mandato. Essa é a
regra básica de todo cidadão mais consciente e atuante!
Fonte Congresso em Foco
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