quarta-feira, 23 de agosto de 2017

ROBERTO TURIN ALOPROU


Como se os professores, nas escolas maltratadas do Estado e dos municípios, não tivessem enfrentamentos tão duros. As escolas são palcos de luta diária contra o crime organizado, notadamente o tráfico de drogas, que procura, desde cedo, submeter nossos jovens ao seu domínio. Olhem para as mobilizações do Sintep contra os desmandos da administração, e verão que são esses trabalhadores corajosos que enfrentam cotidianamente os males provocados pela corrupção, pelo patrimonialismo que marca nosso Estado





Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: vejam que o Sr. Roberto Turin, cheio de empáfia, está expondo a categoria dos promotores de Justiça. Atuando como presidente da Associação do MP, o antes discreto promotor Turin parece que se sente com o rei na barriga e danou a falar bobagem, fazendo ataque irresponsável, já repudiado pela OAB, contra os profissionais da Educação.

Em meu blogue já tive o espanto de registrar o pagamento, a promotores, de quase R$ 200 mil, em um mês. Agora, quando o blogue do Alexandre Aprá expõe os 500 mil pagos ao juiz Mirko Tô Nem Aí Gianotte, vemos que supersalários, no Judiciário, se tornaram  prática abusiva, viabilizando a vida de nababo de uns poucos às custas da maioria assalariada.

Parece que o Sr. Turin aloprou e sugere que os profissionais da Educação não teriam padrão para receber o mesmo que um membro do MP. Ora, sempre destaquei o trabalho do Dr. Turin mas olhem para a maioria do MP que temos em MT: são profissionais quase anônimos, que não fedem nem cheiram, pesando pouco na depuração das instituições e para o aperfeiçoamento das relações sociais.

Vejam o argumento torto do Dr. Turin: os promotores têm que ser “muito bem remunerados” por conta da gama de atribuições que exercem. “A carreira do MP impõe enfrentamentos que outras carreiras não possuem. Enfrentamos o crime organizado, a corrupção, o poder político e econômico, na defesa da criança, do idoso, do meio ambiente e da probidade administrativa”.

Como se os professores, nas escolas maltratadas do Estado e dos municípios, não tivessem enfrentamentos tão duros. As escolas são palcos de luta diária contra o crime organizado, notadamente o tráfico de drogas, que procura, desde cedo, submeter nossos jovens ao seu domínio. Olhem para as mobilizações do Sintep contra os desmandos da administração, e verão que são esses trabalhadores corajosos que enfrentam cotidianamente os males provocados pela corrupção, pelo patrimonialismo que marca nosso Estado, enquanto dondocas e “gênios” do Ministério Público vivem a se gabaritar nas butiques, nas academias de ginásticas, sonhando com corpos marombados, viagens para o exterior, mansões nos Florais, tudo bancado pelos penduricalhos que sua casta arranca dos cofres públicos.

Compare o salário do Dr. Turin com o salário do cego professor Gilson Romeu, dirigente do Sintep/Cbá, e vejam quem é que está na batalha para favorecer mais decididamente a vida do povo pobre. Olhe-se no espelho, Dr. Turin. Reconheça os privilégios de sua categoria e tenha a humildade de compreender que um outro mundo é possível.

Enock Cavalcanti, jornalista e blogueiro, é editor de Cultura do Diário


terça-feira, 22 de agosto de 2017

PARALISAÇÕES DE ADVERTÊNCIA


Sintep Subsede de Cuiabá

Expressão da vontade soberana dos trabalhadores da educação, a Assembleia Geral da categoria, realizada no dia 18 de agosto de 2017, rejeitou unanimente as evasivas respostas do Secretário de Educação Rafael Cotrim, manifestadas no documento nº 939/GS/SME, a pauta de reivindicação oficializada pelo Sintep Subsede de Cuiabá em 10 de julho do corrente ano. Dentre elas, destacamos o percentual de 2.56 de ganho real de salário e a aprovação do projeto de revisão da Lei Orgânica dos Profissionais da Educação. 

Evidenciamos que direitos conquistados há mais de duas décadas, como elevação de nível, licenças-prêmio, estágio probatório e contratos para substituição de profissionais doentes estão sendo negados. Indicações eleitoreiras de alguns diretores, coordenadores e secretários são feitas ao arrepio da Lei de Gestão Democrática, além da completa desorganização na condução de procedimentos básicos das políticas educacionais por parte dos atuais dirigentes da pasta. 

Insistindo na legitimidade do seu pleito, os trabalhadores da educação decidiram soberanamente paralisar suas atividades nos dias 25 de agosto e 1 de setembro, com respectivos atos públicos na Secretaria Municipal de Educação e Prefeitura de Cuiabá. Ressaltamos que tais eventos têm o caráter de meras advertências, podendo desaguar na grande greve geral da rede municipal de ensino de Cuiabá. Primeira da Gestão Emanuel Pinheiro. 


PARALISAÇÕES DE ADVERTÊNCIA 

25 DE AGOSTO- 15H- SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO 

1 DE SETEMBRO- 15H – PREFEITURA DE CUIABÁ 


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

SUA EXCELÊNCIA O SUPERSALÁRIO


E agora vem uma pergunta: por onde andam os coxinhas militontos de verde e amarelo? E as panelas das madames porque calaram? Não há como negar que hoje eles aplaudem em Temer tudo aquilo que falsamente acusavam em Dilma. 





Por Antonio Cavalcante Filho 


Causou-me muito espanto a explicação da bonança do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que permanece pagando salários astronômicos a parcela importante de seu quadro funcional, ainda que as estruturas dos fóruns mereçam críticas.

Tenho ouvido tanto de advogados como também de contribuintes/usuários do serviço jurisdicional, que, em Várzea Grande, por exemplo, mesmo em dias quentes e com a antessala de audiência lotada, é comum faltar até água para beber. Os banheiros são minúsculos e insuficientes. Em Cuiabá, é um terror para advogados ou para quem procura o fórum a partir do início das chuvas. Além do paletó e da gravata, um bom guarda-chuva é adereço essencial para andar pelos corredores sem se molhar.

Chega a ser acintosa para a grande maioria dos trabalhadores desse país a singela explicação do salário de meio milhão dada pelo juiz beneficiário: “eu andava com meu carro para me deslocar para a comarca vizinha”, disse ele. O ganhador da bolada recebeu 15 vezes superior ao teto constitucional, mais ou menos, 536 salários mínimos, que dariam para construir sete casas populares ou comprar 6.300 cestas básicas.

A pergunta que não quer calar é: e o auxílio transporte, e o direito de contratar motoristas, com despesas custeadas pelo erário? Mas a associação dos juízes foi mais além, disse que havia permissão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para pagamento dessas verbas. Todavia, o CNJ negou que tivesse autorizado e convocou todos os envolvidos para uma conversa, em Brasília.

Isso tudo é o de menos, quando se trata de casos que merecem repulsa, mas a estrutura toda merece reparos imediatos, pena de se perpetuarem injustiças, pois o sistema de “justiça” precisa ser reinventado.

Quero lembrar que os membros do Ministério Público se autoaprovaram aumento de 16% nos salários dos procuradores da República, e juntamente com as entidades de magistrados pressionam o STF para aumentar os vencimentos das laboriosas carreiras.

O buraco é mais embaixo!
 
As cifras para sustentar as estruturas dos três Poderes são astronômicas, isso sai do bolso do contribuinte, e em detrimento de outras políticas públicas, como o desenvolvimento do ensino e a manutenção de hospitais e postos de saúde.

E por falar nisso, é chover no molhado dizer que a saúde em Mato Grosso está um caos, até mesmo o Hospital Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, há 200 anos é referência no atendimento médico em nosso estado, que atende 8 mil pacientes do SUS todo mês, já anuncia que, junto com a Hospital Santa Helena e o Hospital Geral Universitário, devem parar com todos os tipos de atendimento a partir desta semana, caso não haja o repasse de novos recursos.

Tudo isso que ocorre em Mato Grosso e no Brasil, decorre do Golpe midiático-parlamentar-judicial de 2016. Em 2015, a burguesia, parte da magistratura e MP incluídos, aplaudiam Eduardo Cunha em pé, quando este iniciou sua cruzada para desestabilizar Dilma e o Brasil. Cunha aprovou leis absurdas, impondo gastos num momento em que o país pedia austeridade. O caso é que o projeto de poder (de Cunha, Aécio e Temer) e o plano de destruição do Brasil venceram, e era muito comum qualquer juiz de primeiro grau “derrubar” decisões estratégicas da presidenta Dilma (para enfrentar as ameaças à época). Tudo era pelo Golpe, para desestabilizar o governo ... mas destruíram o país todo.

No Brasil, o teto de remuneração do servidor público é de R$ 33.763, o que recebe um ministro do Supremo Tribunal Federal. No ano passado, os juízes brasileiros custaram R$ 175 bilhões, ou quase 270% a mais que em 2015. São dados do Conselho Nacional de Justiça: quase todo o valor é utilizado no pagamento de salários.

E o Senado brasileiro, num raro momento de lucidez, aprovou, por meio de Comissão Especial, uma forma de barrar os super salários, medida que atingiria todas as “suas excelências” (juízes, promotores, deputados, vereadores, senadores, procuradores, conselheiros de tribunais de contas, membros das polícias e das forças armadas).

Porém, a Câmara Federal não deu a atenção devida ao Projeto de Lei do Senado nº 449, de 2016, produzido na Comissão Especial do Extrateto, e que “Regulamenta o limite remuneratório de que tratam o inciso XI e os §§ 9º e 11 do art. 37 da Constituição Federal”. As recentes notícias das castas bem remuneradas aqui em terras tapuias fizeram com que o Projeto de Lei nº 6726/2016, finalmente tivesse andamento na Câmara dos Deputados, ante a reação da opinião pública.

Mais uma vez Mato Grosso dá ao Brasil um exemplo de como “não fazer as coisas”, mas pelo menos o fato destravou a discussão sobre o fim dos super salários no serviço público.

Graças ao golpe contra a democracia no Brasil, há previsão de um rombo nas contas públicas na ordem de R$ 185 bilhões para 2017, de estagnação da economia e ampliação dos 14 milhões de desempregados. Já há muita gente pedindo dinheiro nas ruas, comércios fechando as portas e a precarização das normas trabalhistas fomentando uma horda de desassistidos e revoltados.

É hora de limitar o salário, mas também de criar mandatos de 10 anos para juízes e promotores de Justiça. Tal qual os agentes do executivo e legislativo, os togados também devem se submeter ao controle popular. O CNJ e CNMP foram tentativas de fiscalizar, mas, graças à pressão das categorias, os fiscais são os próprios companheiros de trabalho.

E agora vem uma pergunta: por onde andam os coxinhas militontos de verde e amarelo? E as panelas das madames porque calaram? Não há como negar que hoje eles aplaudem em Temer tudo aquilo que falsamente acusavam em Dilma.

Antonio Cavalcante Filho é sindicalista e escreve neste espaço às sextas-feiras - E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Fonte RD News



domingo, 20 de agosto de 2017

UMA CLEPTOCRACIA CRUEL, COVARDE E ASSASSINA


A coalizão golpista que rouba dos pobres para beneficiar os ricos além rasgar a Constituição, assim procede porque não tem nenhum compromisso com o país e seu povo. Às favas a ética, o senso de justiça, o compromisso com a igualdade ou com qualquer outro ideal humanitário e republicano. 

 


Brasil 247


Por Robson Sávio Reis Souza
Doutor em Ciências Sociais, professor universitário 
e membro da Comissão da Verdade de MG

Que o Brasil é comandado por uma coalizão de ladrões não há dúvidas. Além do bando que tomou de assalto o Executivo, observa-se também um Parlamento majoritariamente formado por larápios; outros tantos estão no Judiciário – que por omissão, ação ou conivência respaldam e dão suporte à empreitada golpista.

Mas, por que estamos sob o domínio de uma cleptocracia? Porque somos dirigidos por “um tipo de governo no qual as decisões são tomadas com extrema parcialidade, indo totalmente ao encontro de interesses pessoais dos detentores do poder político. Assim, a riqueza é extraída de toda a população e destinada a um grupo específico de indivíduos detentores de poder. Muitas vezes são criados programas, leis e projetos sem nenhuma lógica ou viabilidade, que no fundo, possuem a função de beneficiar certos indivíduos ou simplesmente desviar a verba pública para os bolsos dos governantes.”

Além de manipular criminosamente o erário e o patrimônio nacional, os golpistas roubam também os direitos (constitucionais) e a esperança de um país minimante decente, justo e civilizado.

Temos assistidos, perplexos, a um show de horrores patrocinados pela coalizão nos poderes dessa republiqueta das bananas. Ações cruéis, covardes e que geram morte: reformas constitucionais sem respaldo e concordância popular que maculam a Constituição e já produzem sofrimento e morte; transferência criminosa de recursos e fundos públicos para os ricos (banqueiros, empresários, mídia e latifundiários) e arrocho para os trabalhadores e os pobres.

Os cortes anunciados no salário mínimo (algo inimaginável) e no Programa Bolsa Família, por exemplo, são dois dos mais recentes absurdos; mais que isso, são um escárnio. Uma violência inominável que só pode ser produzida quando se corrompem todos os critérios éticos, humanos, republicanos e de justiça a escancarar a face mais perversa dessa coalizão.

A falta de pudor e escrúpulos é tão grande que os golpistas não conseguem sequer perceber que há algo estupidamente agonizante num (des)governo quando nem mesmo as aparências são preservadas.

Uma das maiores pesquisadoras sobre os resultados altamente positivos do Bolsa Família, Walquiria Domingues Leão Rego, demostrou em recente artigo que “o feito inacreditável dos cortes é sua absurda lógica. Ora, tais cortes empobrecerão ainda mais os municípios que abrigam esta população, tornando-a mais miserável, menos consumidora de bens e serviços.  Resultado imediato desta perversa lógica: aumento do sofrimento social, politicamente evitável com políticas públicas bem desenhadas e bem debatidas. (...) Apenas crueldade social para responder à sanha preconceituosa e mal informada da classe média paneleira. Na verdade, tornar ainda mais garantido o saque a nação para ampliar os lucros de rentistas de todos os naipes. (Veja aqui).

Como se não bastassem o congelamento por duas décadas de novos investimentos sociais, os retrocessos na legislação trabalhistas (violência que nem mesmo a ditadura militar ousou processar) e tantas outras alterações legislativas infraconstitucionais que atentam contra os mais pobres em benefício do andar de cima, a cleptocracia avança a passos largos para modificar a previdência, arrombando por inteiro todo o sistema de seguridade social brasileiro.
Por outro lado, benesses em abundância são concedidas àqueles que, cínica e criminosamente, apoiam o bando no poder.  

Em recente artigo, Aldemario Araújo Castro, procurador da Fazenda Nacional e professor da Universidade Católica de Brasília, confirmou o que todos sabemos: o discurso para justificar os cortes nos gastos com a Previdência Social e nas despesas com a máquina pública é cheio de más intenções. O artigo completo pode ser acessado aqui.

Em relação à previdência social, fica fácil desmascarar a falácia do rombo no sistema: “a Desvinculação de Receitas da União (DRU), efetivada por mais de vinte anos, subtraiu vultosos recursos da Seguridade Social para outros fins (...) e os fundos previdenciários, previstos pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, não foram constituídos pelos sucessivos governos.” 

Quando se trata dos cortes no funcionalismo público, enquanto no Brasil “a cada 100 trabalhadores, 12 são servidores públicos, a média é a mesma verificada nos demais países da América Latina, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e nos países mais desenvolvidos, o percentual costuma ser quase o dobro — nesses locais, a média é de 21 funcionários a cada 100 empregados.”

Ou seja, há todo um esforço bem articulado da cleptocracia para atender às expectativas da banca internacional e do rentismo, a destruir as bases de um estado social e a inviabilizar a máquina pública para o atendimento adequado à população.

Enquanto isso, com a omissão intencional da mídia, “as bilionárias despesas com o serviço da dívida pública são praticamente esquecidas no debate realizado pela grande imprensa, pelo governo e pelo parlamento. Nesse campo, registra-se o pagamento de cerca de 511 bilhões de reais em juros (nominais) pela União em 2016 (8,1% do PIB).”

Ademais, “a sonegação tributária, segundo vários estudos e análises, como aquele que sustenta o sonegômetro do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, atinge o patamar de 500 bilhões de reais por ano.”

E, ainda, “as renúncias de receitas tributárias em conjunto (realizadas e projetadas), entre os anos de 2010 e 2018, alcançarão o patamar de 501,4 bilhões de reais. Somente no ano de 2015, as desonerações observadas representaram aproximadamente 106,7 bilhões de reais. Esses dados constam de análises efetivadas pela Receita Federal do Brasil.”

Por fim, “os subsídios de várias naturezas concedidos pelo governo constituem um capítulo especial em matéria de gastos públicos. Segundo o Ministério da Fazenda, de 2003 a 2016 os subsídios embutidos em operações de crédito e financeiras somaram quase R$ 1 trilhão – 420 bilhões do total foram para o setor produtivo (Folha de São Paulo, dia 6 de agosto de 2017).”

Ou seja, a coalizão golpista que rouba dos pobres para beneficiar os ricos além rasgar a Constituição, assim procede porque não tem nenhum compromisso com o país e seu povo. Às favas a ética, o senso de justiça, o compromisso com a igualdade ou com qualquer outro ideal humanitário e republicano.

Esse é o resumo da ópera: nosso país está nas mãos de um banco que é cruel e covarde e que provoca o sofrimento e a morte, no presente e no futuro, de milhões de brasileiros.

Fonte Brasil 247

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante


sábado, 19 de agosto de 2017

ORAÇÃO FÚNEBRE PARA O BRASIL


Não há sentido de grandeza nas ações dos nossos políticos, nem honra em servir o bem público, nem ambição de conquistar a glória imorredoura dos grandes feitos construídos pelo espírito heróico do desprendimento sacrificante da doação pessoal pelo país. Os nossos políticos almejam a reputação dos mesquinhos, as pequenas manobras dos espertalhões, as palavras lustrosas dos demagogos, os atos teatrais dos charlatões. 


Por Aldo Fornazieri 
Cientista político e professor da 
Fundação Escola de Sociologia e Política

No último dia dois de agosto de 2017 assistimos, paralisados, a morte moral do Brasil. Pela primeira vez na história, um presidente da República foi flagrado cometendo crimes e os falsos representantes do povo decidiram dar-lhe aval para que ele siga impune no exercício da mas alta magistratura do país sem que a tenha recebido da vontade do povo. Pelo contrário, deixaram-no no cargo contra a vontade da esmagadora maioria do povo. De lá para cá, o país sangra sem dignidade e o pavilhão auriverde tremula com as manchas cinzentas da vergonha.

A morte moral do Brasil não foi acompanhada pelo tinir de batalhas nas ruas e nas praças, por gritos de indignação, e pelo rufar de tambores da guerra. Com exceção de uma escaramuça aqui, outra acolá, o povo assistiu cabisbaixo a morte da dignidade nacional. O que se ouviu foram lamentos de desesperança de uma sociedade fraca que se afunda em sua fraqueza, de um povo desanimado, incapaz de qualquer ato de virilidade combativa.

O que se viu foi um povo cativeiro de sua própria impotência, sequer comparável aos hebreus escravizados no Egito, porque aqui não há um Moisés libertador, capaz de conduzi-lo a uma Terra Prometida qualquer. Os nossos políticos são valentes em seus gabinetes, são combativos em sua vaidade, são espalhafatosos em suas inconsequências e são heróis de sua própria covardia. Não, aqui o povo está cativo em sua própria terra, sem um líder que o convoque para a luta, que possa servir-lhe de exemplo, de inspiração.

O assassinato moral do Brasil não deixou viúvas vingativas, filhas revoltadas, filhos, parentes e amigos desensarilhando armas para o combate. Silêncio, fastio, recolhimento, desalento e resignação são os entes que acompanham o triste féretro por onde passa o corpo insepulto deste país apunhalado em sua inglória trajetória, extraviada nos tempos.

O povo bestializado que viu nascer a República - no dizer de Aristides Logo - proclamada por um marechal monarquista, sem saber o que estava acontecendo, é o mesmo povo bestializado de hoje que viu Temer ser salvo porque a vida é assim, porque os políticos são assim, porque o Brasil é assim e porque nada importa. Tanto fez, como tanto faz. Resignação e indiferença parecem ser os melhores remédios quando não há ânimo no espírito, quando não há virtudes cívicas, quando não há coragem e disposição para a luta, quando não há líderes autênticos. Resignação e indiferença é a melhor maneira de enfrentar a trágica normalidade, porque nada muda numa realidade pacata, violentamente pacata, que sempre foi assim e sempre será assim.

Os políticos de Brasília, os operadores do mercado financeiro, os grandes capitalistas, os empresários da Fiesp que nunca pagam o pato, não choram por este Brasil moralmente decapitado. Não choram pelos 60 mil mortos anuais que acompanham esse corpo de um Brasil saqueado; não choram pelas mães e pelas viúvas de jovens assassinados; não choram pelos milhares de corpos mutilados no trânsito; não choram pelo choro das crianças baleadas no ventre das mães, da meninas abatidas pelas balas perdidas; não choram pelos doentes amontoados nos corredores dos hospitais públicos; não choram pelas crianças que não têm leite, pelo trabalhador que não dorme, pela empregada doméstica humilhada e pelas famílias que não têm lar. Os políticos choram pelo teu voto, pela propina dos empresários, pelo cargo público para os apadrinhados, pelo enriquecimento privado.

Não há sentido de grandeza nas ações dos nossos políticos, nem honra em servir o bem público, nem ambição de conquistar a glória imorredoura dos grandes feitos construídos pelo espírito heróico do desprendimento sacrificante da doação pessoal pelo país. Os nossos políticos almejam a reputação dos mesquinhos, as pequenas manobras dos espertalhões, as palavras lustrosas dos demagogos, os atos teatrais dos charlatões.

Os historiadores nos descreverão em cinza sobre cinza

Os historiadores do futuro haverão de descrever o nosso tempo em páginas cinzentas com letras cinzentas, pois nada de dignificante e glorioso há o que se relatar. Há que se relatar os andrajos morais de um país sem dignidade, uma época de covardias de gentes indisponíveis para a luta. Há que se relatar uma tenebrosa noite de incertezas, de rostos deprimidos pela desesperança. Há que se relatar um tempo de políticos que engrandeceram os bolsos para empobrecer a pátria, de empresários que compraram políticos para se apoderar dos cofres públicos, de inconfidentes contra a Constituição que deveriam ser seus próprios guardiões.

Há que se relatar um tempo em que o país foi assaltado por políticos velhacos e quadrilheiros, cuja competição não era para inscrever nas páginas da história as vitórias triunfais na construção de um país grandioso, mas para ver quem se apossava mais do botim do tesouro público, para ver quem era o melhor amigo dos empresários para solicitar-lhe a propina em troca de favores escusos.

As gerações futuras sentirão vergonha do nosso tempo, sentirão desprezo pela nossa covardia e pela nossa prostração. Serão justas se não sentirem nenhuma magnanimidade compreensiva, pois não a merecemos. Não mereceremos a benevolência do perdão porque estamos legando a elas uma herança trágica, de um país que se arraigou à sua desigualdade, à sua incultura, à sua indignidade e à sua falta de coragem.

As gerações futuras nos condenarão a nós e a nossos inimigos. A nós porque fracassamos de livrar o Brasil de seu opróbrio; não fomos capazes de enfrentar os inimigos do povo com a astúcia virtuosa do bom combate; nos enredamos nas auto-justificativas pueris dos nossos próprios fracassos; não tivemos princípios de conduta disciplinadores; não nutrimos traços de caráter intransigentes com as injustiças e com as desigualdades; não fomos inconformados com os nossos próprios erros e fracassos; não tivemos a virtù guerreira para proteger e liderar os mais fracos e arrancar dos poderosos os frutos de suas rapinas.

Os nossos inimigos serão condenados pela encarnação histórica do mal que sempre foi feito desde que o Brasil é Brasil. São a continuação dos massacres contra os índios, dos açoites e dos grilhões contra os negros, do sangue derramado dos camponeses nos campos vastos do Brasil, do cansaço, suor e lágrimas dos trabalhadores explorados. São a continuação da violência sexual, moral e laboral contra as mulheres.

Michel Temer e seu governo são uma síntese de toda essa perversidade criminosa que cobre o Brasil de sangue, de vergonha e de indignidade. Quando as forças terríveis do Hades tragarem Temer para as profundezas dos abissais, não lhes será erguida nenhuma estátua para que fique na memória do país. Essas forças o arrastarão para os campos do esquecimento eterno. E se alguém encontrar a sua sepulura em tempos remotos do futuro haverá de ler: "aqui jaz um corrupto que destruiu o Brasil para salvar o seu mandato ilegítimo".

Fonte Brasil 247

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Globo: o Golpe fracassou!


Então, o Golpe acabou! Afogou-se no fundo do rombo do Meirelles. No fundo da República Federativa da Cloaca em que os canalhas, canalhas, canalhas, na acepção do Requião e do Lindbergh, afundaram o Brasil. Eles e seus colonistas.




Conversa Afiada

Nem o Globo Overseas engoliu a fraude do "ajuste".

O Meirelles é um 171: vende e não entrega.

Não passa de um açougueiro do tаl neolibelismo, um vendedor de seguro, segundo o Delfim (que sempre negará).

O Ataulpho Merval disse que o Golpe foi para fazer a "reforma" da Previdência.

Então, o Golpe acabou!

Afogou-se no fundo do rombo do Meirelles.

No fundo da República Federativa da Cloaca em que os canalhas, canalhas, canalhas, na acepção do Requião e do Lindbergh, afundaram o Brasil.

Eles e seus colonistas.

PHA

Em tempo: quem acha tudo um colosso é a roupeira da D. Marcela Temer, que ganhou um imóvel "funcional" da patroa e a primeira página do Globo... - PHA

Fonte Conversa Afiada

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante