quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Daniel Valença: Ditadura instaurada na Bolívia após golpe não faz questão de aparentar legalidade; repressão é escancarada


Enquanto isso a OEA, as mídias empresariais bolivianas e as elites daquele país fingem que nada de grave ou errado ocorre por lá. 




Por Daniel Valença*, especial para o Viomundo

Dia a dia crescem na Bolívia os crimes contra humanidade.

A ditadura que se instaurou na Bolívia a partir do golpe de Estado contra Evo Morales não faz questão de aparentar legalidade.

A repressão aumentou em três sentidos:

a) Ataque à imprensa independente. Desde a semana passada jornalistas estrangeiros estão sendo perseguidos, para impedir a divulgação do que. de fato está acontecendo.  Afinal, a imprensa tradicional apoia totalmente o golpe e os veículos estatais estão sob nova linha editorial.

b) Ataque a parlamentares  do MAS, o partido de Evo. A autoproclamada presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, emitiu decreto criando uma comissão especial para prender  parlamentares do MAS, que estejam “insuflando a desobediência civil”.

c) Ataque à cidade de El Alto, que nessa terça-feira, 19/11, se transformou num campo de guerra. Vários indígenas originários  mortos e feridos. El Alto, desde o golpe, está tendo repressão, mas o que aconteceu ontem foi massacre, mesmo.

Isso demonstra que matança promovida por forças militares em Sacaba, Cochabamba, no último final de semana, não foi um fato isolado.

Helicópteros atiraram a esmo, deixando vários indígenas originários mortos e feridos.

As forças armadas, após os 13 anos de governo de Evo, voltaram a atirar contra o seu próprio povo.

Ou seja, a Bolívia retorna ao que é a regra em sua história.

Enquanto isso a OEA, as mídias empresariais bolivianas e as elites daquele país fingem que nada de grave ou errado ocorre por lá.

*Daniel Araújo Valença é  professor do curso de Direito da Universidade Federal do Semi-árido (Ufersa), onde também coordena o Grupo de Estudos em Direito Crítico, Marxismo e América Latina (Gedic). É o autor do livro “De Costas para o Império: o Estado Plurinacional da Bolivia e a Luta pelo Socialismo Comunitário”. Valença morou na Bolívia em 2014, durante o doutorado, e retornou ao país em 2017 para entrevistar o vice-presidente Álvaro García Linera, considerado um dos principais marxistas da atualidade.

Fonte Vi o Mundo

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Luiz Regadas: Uma luta que vai muito além de um dia


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


É preciso que todos, inclusive os brancos de pele, sejam negros de alma, e continuem gritando aos quatros cantos do Brasil e do mundo que não estamos satisfeitos, que estamos indignados com o preconceito, o racismo, os assassinatos. Não podemos nos dizer “homens de bem”, cristãos a justificar assassinatos, pois DEUS lutou contra todas as formas de preconceito e violência.
  






Por Luiz Carlos Prata Regadas*

Hoje, 20, é o Dia Nacional da Consciência Negra.


Não há muito o que comemorar.


É alto o número de homicídios de negros.


Chega ao absurdo de 75,5% das mortes no Brasil serem de negros e pardos, segundo dados do Atlas da Violência de 2019, que analisou dados do Sistema de Informação do Ministério da Saúde sobre mortalidade em 2017. 


Quando se leva em consideração somente os homens negros e pardos, são 64,4%, contra 26,4% de brancos. 


Importante ressaltar que os negros são os que mais morrem assassinados pela polícia.



Os negros são os que mais estão fora da escola. 

Esquecem, os que acham isso natural, que os negros ganham menos, e os que estudam muitas vezes frequentam escolas carentes de investimentos e salários para professores e funcionários. 


Pela dificuldade de entrar nas universidades e de chegar ao diploma e pelo racismo no mercado de trabalho, ganham salários menores que os dos brancos com a mesma formação e função.


Também o acesso à saúde é inadequado, especialmente para doenças específicas, como a anemia falciforme. A Medicina foi feita pelos brancos para os brancos.


Sem estudo, sem capacitação, sem acesso a saúde de boa qualidade e vítimas de racismo institucional, a tendência é de que o número de negros desempregados e sem moradia seja superior aos dos brancos, ainda que, na “corrida” que o capitalismo nos impõe, tenham partido da mesma origem.


Está enterrada, assim, a tese da “meritocracia”, pois a simples cor da pele coloca o branco algumas casinhas adiante na disputa que nem deveria existir.


Não há muito a comemorar nesse dia.


É preciso que todos, inclusive os brancos de pele, sejam negros de alma, e continuem gritando aos quatros cantos do Brasil e do mundo que não estamos satisfeitos, que estamos indignados com o preconceito, o racismo, os assassinatos.


Não podemos nos dizer “homens de bem”, cristãos a justificar assassinatos, pois DEUS lutou contra todas as formas de preconceito e violência. 


*Luiz Carlos Prata Regadas, da TV do Habilidoso, é sociólogo e mestre em Planejamento e Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará — UECE

Fonte Vi o Mundo


BOLÍVIA: E INDÍGENAS RESISTEM AO GOLPE


Dez dias (e 23 mortes) passaram-se, mas ultradireita não foi capaz de silenciá-los. Exilado, o vice-presidente descreve a caça às cholas, a ação das milícias, a traição dos generais. E a covardia da classe média, tropa de choque do racismo colonial





Por Álvaro García Linera* 
Tradução: Simone Paz

Feito densa neblina noturna, o ódio percorre ferozmente os tradicionais bairros de classe média urbana da Bolívia. Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não reclamam, impõem. Seus clamores não são pela esperança nem pela irmandade, são de desprezo e de discriminação contra os índios. Montam suas motos, sobem em suas caminhonetes, agrupam-se em suas confrarias e faculdades privadas e saem à caça dos índios atrevidos que tiveram a coragem de arrebatar-lhes o poder.

Na cidade de Santa Cruz, organizam quadrilhas motorizadas em suas 4×4, com porretes nas mãos para surrar índios — os quais eles chamam de collas [pessoa de traços indígenas ou de estrato social desfavorecido] e que vivem nos bairros marginais ou nos mercados. Cantam hinos sobre matar collas e, se no meio do caminho aparecer alguma mulher de pollera [saia rodada que é o traje tradicional das cholas bolivianas], ela é espancada, ameaçada e coagida a abandonar aquele território. 

Em Cochabamba organizam comboios para impor sua supremacia racial na zona sul, onde habitam as classes abastadas, e hostilizam — como se fossem um destacamento da cavalaria — milhares de mulheres camponesas indefesas, que marcham pedindo paz. Em mãos, levam tacos de beisebol, correntes, granadas de gás. Alguns até exibem armas de fogo. Mulheres são suas vítimas preferidas, pegam uma prefeita de uma comunidade campesina para humilhá-la e arrastá-la pela rua: batem nela, urinam nela quando cai no chão, cortam-lhe o cabelo, ameaçam linchá-la e, quando percebem que estão sendo filmados, resolvem jogar tinta vermelha nela, simbolizando o que farão com o sangue dela.

Em La Paz, desconfiam de suas empregadas e ficam em silêncios quando elas levam a comida à mesa, no fundo, sentem medo delas, mas também as desprezam. Depois, saem às ruas para gritar, insultando Evo e, com ele, a todos os índios que ousaram construir uma democracia intercultural com igualdade. Quando são muitos, arrastam a bandeira wiphala, cospem e pisam nela, para cortá-la e queimá-la. É uma raiva visceral a que descarregam sobre esse símbolo indígena que gostariam de eliminar da face da terra, junto com todos aqueles que se reconhecem nele.

O ódio racial é a linguagem política dessa classe média tradicional. De nada adiantam seus títulos acadêmicos, viagens e fé, se no fim tudo dilui-se perante sua linhagem. No fundo, a estirpe imaginada prevalece e parece alinhada com a linguagem espontânea da pele que odeia, dos gestos viscerais e de sua moral corrompida.

Tudo eclodiu no domingo, dia 20, quando Evo Morales ganhou as eleições com mais de 10 pontos de diferença sobre o segundo colocado, mas já não mais com a imensa vantagem de antigamente nem com o 51% dos votos. Foi o sinal que as forças regressivas esperavam, tanto o temeroso candidato liberal da oposição quanto as forças políticas ultraconservadoras, a OEA e a nefasta classe média tradicional.

Novamente, Evo tinha ganhado, mas já não contava com o 60% do eleitorado, então, estava enfraquecido e podiam ir para cima dele. O perdedor não reconheceu sua derrota. A OEA falou em eleições limpas, porém, com uma vitória tímida, e pediu segundo turno — sugerindo ir contra a Constituição, que indica que, se um candidato tem mais do que 40% dos votos e mais de dez pontos de diferença sobre o segundo lugar, é o candidato eleito.

Assim, a classe média se jogou na caça aos índios. Na noite de segunda-feira, dia 21, queimaram cinco dos nove órgãos eleitorais, incluindo as cédulas de votação. A cidade de Santa Cruz decretou uma paralisação civil que articulou os habitantes das regiões centrais da cidade, se espalhando para as regiões residenciais de La Paz e Cochabamba. E então, foi desatado o terror.

Grupos paramilitares começaram a atacar instituições, a queimar sedes de sindicatos, a colocar fogo nas casas de candidatos e líderes políticos do partido do governo. No fim, até a residência particular do presidente foi saqueada. Em outros lugares, as famílias (com filhos incluídos) foram sequestradas e ameaçadas de serem torturadas e queimadas se seus cônjuges, mães ou pais — ministros e líderes sindicais — não renunciassem aos seus cargos. Explodia uma noite de facas longas e o fascismo começava a sair da toca.

Quando as forças populares mobilizadas para resistir ao golpe civil começaram a recuperar o controle territorial das cidades com a ajuda de operários, trabalhadores das minas, camponeses, indígenas e moradores de comunidades pobres, e quando o balanço de forças começava a tender para o lado da força popular, veio o motim policial.

A polícia já vinha demonstrando negligência e inabilidade para proteger as pessoas humildes quando elas eram espancadas e perseguidas pelos bandos fascistóides; mas, a partir de sexta-feira, com o desconhecimento do comando civil, muitos deles passaram a mostrar uma capacidade extraordinária para agredir, prender, torturar e matar manifestantes populares.

Antes, quando era preciso conter os filhos da classe média, diziam não ter capacidade para isso. Mas agora, quando se trata de reprimir os índios rebeldes, a performance, a prepotência e a crueldade repressiva são imponente. O mesmo aconteceu com as Forças Armadas: em toda a nossa gestão de governo, nunca autorizamos elas a saírem reprimindo manifestações civis, nem mesmo no primeiro golpe cívico de Estado, em 2008. Agora, em plena convulsão, sem sequer serem questionados, declararam não ter elementos antidistúrbios, que apenas possuíam 8 balas para cada integrante e que, para servirem às ruas para conter os distúrbios seria necessário um decreto presidencial.

No entanto, não tardaram a pedir-impor ao presidente Evo sua renúncia, rompendo com a ordem constitucional. Fizeram de tudo para tentar sequestrá-lo no trajeto e em sua estadia em Chapare; e, quando o golpe foi consumado, saíram às ruas disparando milhares de balas, militarizando cidades e assassinando camponeses. Tudo isso sem decreto presidencial. Evidentemente, para proteger os índios era necessário um decreto. Mas para reprimir e matá-los, só era preciso obedecer ao que o ódio racial e classista ditava. Ao longo de cinco dias temos mais de 18 mortos e 120 feridos por balas — é claro que todos eles são indígenas.

A pergunta que todos deveríamos responder é: como foi possível a classe média tradicional incubar tanto ódio e ressentimento contra o povo, a ponto de abraçarem um fascismo radical, focado no índio como inimigo? Como conseguiu difundir suas frustrações de classe para a polícia e as forças armadas e ser a base social dessa fascistização, desse retrocesso estatal e dessa degeneração moral?

É a rejeição à igualdade. Ou seja, a rejeição aos próprios fundamentos de uma democracia substancial.

Nos 14 anos de governo que se passaram, os movimentos sociais têm mantido como principal característica o processo de equalização social, de redução abrupta da pobreza extrema (de 38% para 15%), de ampliação dos direitos para todos (acesso universal à saúde, à educação e à proteção social), uma indigenização do Estado (mais do que 50% dos funcionários da administração pública possuem identidade indígena), redução das desigualdades econômicas (diminuiu de 130 para 45 vezes a diferença da renda entre mais ricos e mais pobres), ou seja, uma democratização sistemática da riqueza, do acesso aos bens públicos, às oportunidades e ao poder estatal. A economia cresceu de USD $ 9 bilhões para USD $42 bilhões. Cresceram o mercado e a poupança interna — esta, por sua vez, permitiu que muitos tivessem uma casa própria e que melhorassem sua atividade laboral.

Então, tudo isso traz como resultado o fato de que, em uma década, o percentual de pessoas da chamada classe média (medida pela renda) tenha crescido de 35% da população para 60% — cuja maioria provém de setores populares, indígenas. Trata-se de um processo de democratização dos bens sociais por meio da construção de uma igualdade material que, inevitavelmente, trouxe também uma rápida desvalorização do capital econômico, educacional e político em mãos da classe média tradicional. 

Enquanto antigamente um sobrenome importante ou o monopólio dos saberes legítimos ou o conjunto de vínculos parentais próprios das classes médias tradicionais permitia-lhes aceder a cargos na administração pública, a obter crédito, licitações em obras ou bolsas, hoje em dia a quantidade de pessoas que disputam o mesmo cargo ou oportunidade não só duplicou — reduzindo pela metade suas chances de aceder a tais bens — mas essa nova classe média de origem popular indígena possui também um conjunto de novos capitais (língua indígena e vínculos sindicais) de valor elevado, além do reconhecimento estatal para disputar os bens públicos disponíveis.

Trata-se, portanto, do declínio daquilo que era característico da sociedade colonial, a etnicidade como capital, ou seja, do fundamento imaginário de uma superioridade histórica da classe média sobre as classes subalternas, porque aqui na Bolívia a classe social é compreendida e visualizada sob a forma de hierarquias raciais. O fato de que os filhos da classe média tenham sido a força de choque da insurgência reacionária é o grito violento de uma nova geração que vê como a herança do sobrenome e a pele se desvanece frente à força da democratização dos bens. Ainda que tremulem bandeiras da democracia entendida como o voto, na verdade eles se sublevaram contra a democracia entendida como igualdade e distribuição de riquezas. Esse é o motivo do ódio transbordar, da violência exacerbada, porque a supremacia racial é algo que não se racionaliza; se vive como impulso primário do corpo, como tatuagem da história colonial na pele. Por isso que o fascismo não é só a expressão de uma revolução falida, mas também, paradoxalmente, em sociedades pós-coloniais, o êxito de uma democratização material alcançada. 

É por isso que não surpreende que, enquanto os índios recolhem os corpos de cerca de 20 mortos assassinados a bala, seus algozes materiais e morais digam que o fizeram para salvaguardar a democracia. Mas, na realidade, sabem que o fizeram é para proteger o privilégio de castas e sobrenomes.

Mas o ódio racial só pode destruir; não é um horizonte, não é mais que uma primitiva vingança de uma classe histórica e moralmente decadente que demonstra que por trás de cada liberal medíocre esconde-se um efetivo golpista.

* Álvaro García Linera é o vice-presidente da Bolívia desde 2006, ao lado do presidente Evo Morales. Álvaro Garcia é matemático, sociólogo, estudioso dos movimentos sociais e da “esquerda indígena” boliviana e professor titular de Sociologia e Ciências Políticas da Universidad Mayor de San Andrés, em La Paz.


terça-feira, 19 de novembro de 2019

PODE EXPLODIR A QUALQUER MOMENTO A INDIGNAÇÃO REPREMIDA NO PAÍS


Colunista Ribamar Fonseca critica o governo Bolsonaro e afirma que o País também é sustentado pelo "Congresso amansado com bilhões de reais para emendas e por uma verdadeira organização criminosa que espalha mentiras pelas redes sociais". "Há temores de que a indignação reprimida até agora possa explodir a qualquer momento, como aconteceu no Chile"




Brasil 247

Por Ribamar Fonseca

O Brasil parece anestesiado. E amedrontado. As tímidas reações às ameaças quase diárias à democracia, à soberania e à liberdade de expressão não traduzem indignação. E nem produzem efeitos concretos. O Congresso, afora manifestações isoladas de alguns raros parlamentares, parece um mosteiro, silencioso. Seus presidentes, Rodrigo Maia, da Câmara; e Davi Alcolumbre, do Senado, tentam sugerir independência com declarações críticas esporádicas, mas, na prática, se comportam como aliados do governo. O Supremo, resumido a apenas três ministros que às vezes reagem às agressões, parece não ter presidente, que sempre mergulha em conveniente silêncio quando a instituição é ameaçada. E a imprensa tradicional que, como um tigre feroz, nunca poupou Lula e o PT, virou um gatinho medroso diante dos ataques e ameaças raivosas do presidente Bolsonaro. E vez por outra, após uma crítica cautelosa, ainda lhe faz afagos para tentar sensibilizá-lo e conseguir alguma publicidade. O Brasil, na verdade, parece dominado pela hipocrisia, pelo cinismo e pela covardia.  

A Globo, cujos proprietários e funcionários foram chamados de “canalhas” e “patifes” por um Bolsonaro enfurecido com a notícia do depoimento do porteiro do seu condomínio no Rio, divulgou em resposta uma nota tão tímida que foi vista como retratação. E passou a dar ampla cobertura aos atos do governo, dedicando grandes espaços aos planos de Paulo Guedes. Com a Folha não tem sido muito diferente. Em meio a críticas, editoriais com elogios ao ministro da Economia, como se ele pudesse ser dissociado do governo. Maia e Alcolumbre, por sua vez, também tecem loas aos novos planos e prometem aprová-los com brevidade, a exemplo do que fizeram com a reforma da Previdência, chegando a afirmar, com a maior cara-de-pau, que eles, os planos, atendem aos anseios da população. Enquanto isso, Bolsonaro se esforça para entregar o nosso petróleo às multinacionais e prepara, também, a entrega da Eletrobrás, tudo sob os aplausos entusiásticos dos vendilhões da pátria e do silêncio dos militares e da mídia. E o ministro Guedes, como se fosse o dono do país, afirma que “adoraria vender todas as estatais”. Teme-se que se Bolsonaro permanecer no Planalto até o final do mandato não vai sobrar nada do Brasil, nem o pau da bandeira, como diria Itamar Franco.   

O fato é que diante do desastre Bolsonaro, que vem destruindo a Nação de forma acelerada e ameaçando instalar um novo regime de exceção, muita gente tem se perguntado: como foi que o brasileiro elegeu esse homem para presidir o país? Ele passou 28 anos na Câmara dos Deputados quase no anonimato, não fora a defesa eventual da ditadura e a apologia da tortura, sem ter apresentado um único projeto que trouxesse algum benefício ao país. Não tinha nenhuma experiência administrativa nem preparo para ocupar o mais alto cargo da Nação. Ninguém conseguiu identificar nele nenhuma qualidade, não tem equilíbrio emocional, destemperando-se diante de qualquer crítica, nem postura de chefe de Estado. Então, pergunta-se: como é que ele foi eleito presidente da República do maior país da América do Sul? O povo teria enlouquecido momentaneamente com seus discursos de ódio ou se deixado induzir pela indústria de fakenews? Qual o tamanho da responsabilidade da mídia tradicional na eleição do capitão? O fato é que, para surpresa de muita gente dentro e fora do país, Bolsonaro saltou do nada para a Presidência da República, mesmo revelando-se defensor da ditadura e da tortura. E hoje ele e os filhos se comportam como donos do Brasil, fazem o que querem e não gostam de ser contrariados, ameaçando todos os que se opõem a eles. 

Os religiosos costumam dizer que nada acontece sem a permissão de Deus. Neste caso, obviamente se o capitão foi eleito é porque Deus permitiu. Mas – perguntam – se Deus é brasileiro, como o povo costumava dizer antes do atual governo, por que permitiu a eleição, para comandar o país, de um homem como Bolsonaro, autoritário, defensor da tortura e com um discurso de ódio que fez brotar os piores instintos de muita gente? Segundo os espíritas, o Brasil foi escolhido por Jesus, conforme mensagem do espírito Humberto de Campos, para ser a Pátria do Evangelho. A ser verdade tal informação, por que Deus permitiu a eleição de um homem para destruir justo a Pátria do Evangelho? Ninguém consegue sondar os desígnios de Deus, mas há uma possível explicação: para dar valor à luz é preciso viver nas trevas; para dar valor à saúde é preciso experimentar as doenças; para dar valor ao belo é preciso conhecer o feio. Então, a partir dessa premissa, era preciso vivenciar sob o tacão de um presidente autoritário, raivoso, vingativo e entreguista, sem preparo e nenhum apreço pelo povo, para se dar valor a um presidente realmente democrata, preocupado com o bem-estar da população e o progresso da Nação. Como ainda tem muita gente satisfeita com o seu governo, cuja desaprovação já chega a 42%, tudo leva a crer que ele deverá permanecer no Palácio do Planalto até que cresça o número de descontentes. Quando a situação ficar efetivamente insuportável será o momento em que o povo que o elegeu se conscientizará do erro que cometeu. 

Até agora o descontentamento tem sido traduzido através de pronunciamentos isolados, que só fazem ruídos, sem iniciativas concretas capazes de produzir maiores efeitos. Bolsonaro parece ter o controle do Congresso, do Supremo, do Ministério Público, da Policia Federal e dos militares. Além de impedir o avanço de qualquer investigação que possa complicar o clã, mantendo sob rédea curta o ministro da Justiça, ele tem a seu serviço um verdadeiro exército virtual que diariamente dissemina fakenews nas redes sociais. Ele também usa a estratégia de dizer barbaridades e depois pedir desculpas, como se isso apagasse todas as suas agressões. O ministro Sergio Moro, seguindo a tática do seu chefe, ao ser questionado recentemente sobre a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro ameaçando a volta do AI-5, simplesmente disse: “Ele já pediu desculpas. Assunto encerrado”. Parece piada. Apesar da aparente indiferença do povo, que estranhamente tem se mantido apático diante das ações deletérias de Bolsonaro, ninguém pode garantir até quando o brasileiro suportará tal situação, sustentada pelo Congresso amansado com bilhões de reais para emendas e por uma verdadeira organização criminosa que espalha mentiras pelas redes sociais. Há temores de que a indignação reprimida até agora possa explodir a qualquer momento, como aconteceu no Chile, com consequências imprevisíveis, o que levou setores do governo a sugerir uma repressão mais rigorosa. Diante disso, só nos resta rezar e pedir a Deus que tenha misericórdia do nosso Brasil.

Fonte Brasil 247


 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Hospício Brasil: a “marcha das loucas” diante da estátua da Havan


"A melhor imagem da demência que tomou conta do Brasil desde a chegada dos bolsominions ao poder, ao som de uma marcha militar, foi o desfile de um bando de patos amarelos diante da estátua da Havan", constata o jornalista Ricardo Kotscho. "Se não fossem tão grotescos, eu diria que eles lembravam as tropas da SS nazista, que ocupou a Alemanha hitlerista, em guerra contra o mundo, na década de 30 do século passado", acrescenta 




Balaio do Kotscho

A melhor imagem da demência que tomou conta do Brasil desde a chegada dos bolsominions ao poder, ao som de uma marcha militar, foi o desfile de um bando de patos amarelos diante da estátua da Havan, em Araçatuba, neste final de semana.

Batendo continência e pisando firme no chão, como se estivessem num quartel do recruta zero, dezenas de aloprados de todas as idades deram um espetáculo grotesco de falta de noção durante um protesto contra o STF em que pediam a cabeça do ministro Gilmar Mendes.

De que toca saiu essa gente estranha, um gado humano perdido no tempo e no espaço? 

Acho que nunca a seita macabra do Hospício Brasil tinha chegado a tanto nestes quase 11 meses de destruição do país.

O lugar escolhido foi simbólico, pois Araçatuba é a terra do gado e dos agroboys e agroolds dos latifúndios, onde Jair Bolsonaro obteve uma das maiores votações em São Paulo.

Foi lá que o Véio da Havan, o enlouquecido empresário-simbolo da nova ordem, instalou uma das réplicas bizarras da Estátua da Liberdade diante da sua loja.

Se não fossem tão grotescos, eu diria que eles lembravam as tropas da SS nazista, que ocupou a Alemanha hitlerista, em guerra contra o mundo, na década de 30 do século passado.

“A marcha das loucas soltando as frangas”: esta foi a perfeita definição dada pelo internauta Dias, um dos mais antigos e fiéis comentaristas deste Balaio.

Um dos organizadores da manifestação fascista foi o movimento Nas Ruas, criado pela deputada federal Carla Zambelli, do PSL paulista.

É esse tipo de gente que foi eleita na onda da “nova política” que varreu o país no ano passado, depois de Lula ser impedido de disputar a eleição.

“Essa é pra você, Gilmar Mendes!”, gritava um alucinado no carro de som, dando o tom marcial daquela pantomina.

Devem ter achado bonito, porque eles mesmos divulgaram vídeos nas redes sociais no domingo, que viralizaram como dengue.

Na mesma hora, outro bando similar, com o mesmo objetivo, se concentrava em frente à Fiesp do Paulo Skaf, o criador dos patos amarelos, para marchar pela avenida Paulista.

Mas eram tão poucos que nem saíram do lugar.

Enquanto isso, no Recife, desde o meio dia, uma multidão se concentrava diante do palanque do Lula Livre, onde mais de 50 artistas celebravam a libertação do ex-presidente,

Claro que os canais de notícias ignoraram solenemente uma das maiores manifestações populares dos últimos tempos, mas tive a sorte de assistir tudo ao vivo pela TVT, o canal dos trabalhadores no Youtube. Foram oito horas de festa, sem parar.

Mais de 200 mil pernambucanos acorreram ao centro velho da cidade num show emocionante, onde repentistas contaram a saga de Lula, que falou apenas 20 minutos, para aproveitar melhor a homenagem dos artistas pernambucanos.

Araçatuba e Recife fazem parte do mesmo país, mas as imagens mostraram dois povos bem diferentes _ um, miscigenado, na maior alegria, cantando e dançando; outro, da elite branca, o retrato da nostalgia militarista de chanchada.

Só vendo para acreditar no que estou dizendo.

Vida que segue.



domingo, 17 de novembro de 2019

LULA REUNIU MAIS GENTE NO RECIFE DO QUE PROTESTOS CONTRA GILMAR NO PAÍS INTEIRO


Manifestações da extrema-direita que pedem o impeachment do ministro do STF Gilmar Mendes fracassarampelo País, com adesão menor do que o esperado. Já no Recife, uma multidão ocupa a Praça do Carmo em defesa da liberdade e da inocência do ex-presidente Lula, que está no local 





Do Blog do Esmael - Deu ruim para a direita e seus robôs nas redes sociais. O Festival Com Lula Livre, em Recife, reuniu mais gente neste domingo (17) que as manifestações em todo o País pelo impeachment do ministro Gilmar Mendes.

Lula está na capital do Pernambuco para celebrar a liberdade e reencontrar o povo de sua terra natal, por isso o festival de música e artes. Milhares estão reunidos no centro recifense, a espera do ex-presidente.

Por outro lado, a direita protagonizou hoje o maior fiasco de todos os tempos. Não conseguiu mobilizar tanto quanto esperava para espezinhar o STF e seus ministros (leia mais no Brasil 247).

Os alvos prediletos da extrema-direita eram os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, presidente da Corte Máxima.

A campanha difamatória contra o Supremo e seus membros ocorre nas vésperas de a Segunda Turma julgar habeas corpus pedindo a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no caso tríplex de Guarujá (SP).

O STF e a opinião público chegou à conclusão de que Moro e a força-tarefa Lava Jato armaram para prender Lula, tirá-lo da disputa de 2018, eleger Jair Bolsonaro (PSL) e Moro virar ministro da Justiça.

As conversas publicadas pelo site The Intercept Brasil, na série Vaza Jato, confirmam que houve conluio para ferrar com o petista.

Fonte Brasil 247





https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante