segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Hospício Brasil: a “marcha das loucas” diante da estátua da Havan


"A melhor imagem da demência que tomou conta do Brasil desde a chegada dos bolsominions ao poder, ao som de uma marcha militar, foi o desfile de um bando de patos amarelos diante da estátua da Havan", constata o jornalista Ricardo Kotscho. "Se não fossem tão grotescos, eu diria que eles lembravam as tropas da SS nazista, que ocupou a Alemanha hitlerista, em guerra contra o mundo, na década de 30 do século passado", acrescenta 




Balaio do Kotscho

A melhor imagem da demência que tomou conta do Brasil desde a chegada dos bolsominions ao poder, ao som de uma marcha militar, foi o desfile de um bando de patos amarelos diante da estátua da Havan, em Araçatuba, neste final de semana.

Batendo continência e pisando firme no chão, como se estivessem num quartel do recruta zero, dezenas de aloprados de todas as idades deram um espetáculo grotesco de falta de noção durante um protesto contra o STF em que pediam a cabeça do ministro Gilmar Mendes.

De que toca saiu essa gente estranha, um gado humano perdido no tempo e no espaço? 

Acho que nunca a seita macabra do Hospício Brasil tinha chegado a tanto nestes quase 11 meses de destruição do país.

O lugar escolhido foi simbólico, pois Araçatuba é a terra do gado e dos agroboys e agroolds dos latifúndios, onde Jair Bolsonaro obteve uma das maiores votações em São Paulo.

Foi lá que o Véio da Havan, o enlouquecido empresário-simbolo da nova ordem, instalou uma das réplicas bizarras da Estátua da Liberdade diante da sua loja.

Se não fossem tão grotescos, eu diria que eles lembravam as tropas da SS nazista, que ocupou a Alemanha hitlerista, em guerra contra o mundo, na década de 30 do século passado.

“A marcha das loucas soltando as frangas”: esta foi a perfeita definição dada pelo internauta Dias, um dos mais antigos e fiéis comentaristas deste Balaio.

Um dos organizadores da manifestação fascista foi o movimento Nas Ruas, criado pela deputada federal Carla Zambelli, do PSL paulista.

É esse tipo de gente que foi eleita na onda da “nova política” que varreu o país no ano passado, depois de Lula ser impedido de disputar a eleição.

“Essa é pra você, Gilmar Mendes!”, gritava um alucinado no carro de som, dando o tom marcial daquela pantomina.

Devem ter achado bonito, porque eles mesmos divulgaram vídeos nas redes sociais no domingo, que viralizaram como dengue.

Na mesma hora, outro bando similar, com o mesmo objetivo, se concentrava em frente à Fiesp do Paulo Skaf, o criador dos patos amarelos, para marchar pela avenida Paulista.

Mas eram tão poucos que nem saíram do lugar.

Enquanto isso, no Recife, desde o meio dia, uma multidão se concentrava diante do palanque do Lula Livre, onde mais de 50 artistas celebravam a libertação do ex-presidente,

Claro que os canais de notícias ignoraram solenemente uma das maiores manifestações populares dos últimos tempos, mas tive a sorte de assistir tudo ao vivo pela TVT, o canal dos trabalhadores no Youtube. Foram oito horas de festa, sem parar.

Mais de 200 mil pernambucanos acorreram ao centro velho da cidade num show emocionante, onde repentistas contaram a saga de Lula, que falou apenas 20 minutos, para aproveitar melhor a homenagem dos artistas pernambucanos.

Araçatuba e Recife fazem parte do mesmo país, mas as imagens mostraram dois povos bem diferentes _ um, miscigenado, na maior alegria, cantando e dançando; outro, da elite branca, o retrato da nostalgia militarista de chanchada.

Só vendo para acreditar no que estou dizendo.

Vida que segue.



domingo, 17 de novembro de 2019

LULA REUNIU MAIS GENTE NO RECIFE DO QUE PROTESTOS CONTRA GILMAR NO PAÍS INTEIRO


Manifestações da extrema-direita que pedem o impeachment do ministro do STF Gilmar Mendes fracassarampelo País, com adesão menor do que o esperado. Já no Recife, uma multidão ocupa a Praça do Carmo em defesa da liberdade e da inocência do ex-presidente Lula, que está no local 





Do Blog do Esmael - Deu ruim para a direita e seus robôs nas redes sociais. O Festival Com Lula Livre, em Recife, reuniu mais gente neste domingo (17) que as manifestações em todo o País pelo impeachment do ministro Gilmar Mendes.

Lula está na capital do Pernambuco para celebrar a liberdade e reencontrar o povo de sua terra natal, por isso o festival de música e artes. Milhares estão reunidos no centro recifense, a espera do ex-presidente.

Por outro lado, a direita protagonizou hoje o maior fiasco de todos os tempos. Não conseguiu mobilizar tanto quanto esperava para espezinhar o STF e seus ministros (leia mais no Brasil 247).

Os alvos prediletos da extrema-direita eram os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, presidente da Corte Máxima.

A campanha difamatória contra o Supremo e seus membros ocorre nas vésperas de a Segunda Turma julgar habeas corpus pedindo a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no caso tríplex de Guarujá (SP).

O STF e a opinião público chegou à conclusão de que Moro e a força-tarefa Lava Jato armaram para prender Lula, tirá-lo da disputa de 2018, eleger Jair Bolsonaro (PSL) e Moro virar ministro da Justiça.

As conversas publicadas pelo site The Intercept Brasil, na série Vaza Jato, confirmam que houve conluio para ferrar com o petista.

Fonte Brasil 247





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sábado, 16 de novembro de 2019

SEITAS EVANGÉLICAS SÃO A NOVA ARMA DOS EUA PARA DAR GOLPES NA AMERICA LATINA, DIZ FILÓSOFO


O filósofo e teólogo argentino, Enrique Dussel, afirma que os Estados Unidos promovem uma “guerra santa” para dar golpes em governos democráticos na América Latina.



Entrevistado pela jornalista mexicana Carmen Aristegui, ele diz que Jeanine Añez, a evangélica que tomou o poder na Bolívia, é ‘absolutamente ilegítima’. Segundo ele, não há ferramentas intelectuais suficientes para analisar a guerra santa que os Estados Unidos estão usando para sustentar golpes nos países da América Latina. “O caso da Bolívia retrata o caos semântico que vivemos, em que se trata o ditador como ‘democrata’ e o ‘democrata’ como ditador”.

Os casos de seitas evangélicas atuando politicamente, relatado pelo historiador e teólogo Enrique Dussel, com o apoio dos Estados Unidos, são semelhantes em outros países, como no caso do Brasil. Vale ressaltar o papel que seitas evangélicas tiveram na eleição de Jair Bolsonaro, amedrontando fiéis em cultos, radicalizando o discurso e contribuindo para a difusão de fake news via Whatsapp. O próprio coordenador da Lava Jato no Ministério Público, Deltan Dallagnol, é um evangélico fervoroso. A Lava Jato foi fundamental para o golpe parlamentar de 2016.

“Um novo fenômeno são as igrejas evangélicas que apoiam o processo brasileiro e na Bolívia, com um homem selvagem como (Luis Fernando) Camacho, que diz algo essencial: “Vamos tirar o Pachamama (Mãe Terra) de lugares públicos e vamos impor a Bíblia”. Mas essa bíblia não é católica, é a dos grupos evangélicos. Considera a cultura popular dos povos nativos um paganismo horrível que o cristianismo deve substituir à risca”, observa.

Mas essa bíblia é uma bíblia evangélica que vem de seitas americanas que mudam a subjetividade. “Eles querem que o homem deixe seus costumes ancestrais, deixe a embriaguez e pretenda trabalhar e entrar na sociedade consumista capitalista burguesa ”, disse Dussel.

Para ele, essa bíblia reinterpretada de um homem americano moderno é a origem da possibilidade de uma nova Bíblia, usada hoje pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e a nova política americana que está se retirando do Oriente Médio.

“Eles haviam se mudado da América Latina, mas como no Iraque e no Irã foram derrotados, retornam à América Latina e querem recuperá-lo. Os métodos foram sutis, mas voltamos ao golpe de estado”, concluiu Dussel.

O teólogo acrescentou, assim como aconteceu no Brasil nos governos petistas: “aqueles que saíram da pobreza na Bolívia desejam ser um consumista neoliberal. 

“As tradições aimara, que também foram influenciadas por cinco séculos de catolicismo, agora são confrontadas com evangélicos. Será um tipo de luta religiosa, mas isso é essencialmente político. Isso explica outra coisa: a teologia da libertação, que é cristã, mas confia nos pobres contra os ricos:”bem-aventurados os pobres, malditos os ricos.” Isso é revertido em grupos evangélicos. Isso supõe toda uma revisão histórica teórica de que a esquerda não está acostumada, porque propôs o ateísmo como uma condição de transformação. O indígena foi confrontado e, como ele possuía todo o seu status religioso, ele não sabia como tratá-lo e o rejeitou. E agora temos que assumi-lo e enfrentá-lo para um evangelismo pró-americano.”

Os evangélicos, Dussel ressalta, dizem: “Deixe todos esses costumes desastrosos, torne-se um homem austero, trabalhador e bem organizado, e você sairá da pobreza porque Deus os abençoará com riquezas aceitáveis​. A riqueza é considerada no Calvinismo antigo como uma bênção de Deus. Pachamama é a origem da pobreza”.



LULA, EVO E A DIREITA IRRACIONAL: NÃO IMPORTA O QUE FIZESSEM, SERIAM PERSEGUIDOS


Eles são líderes das classes populares e, nesse sentido, são os políticos adequados para resolver o maior problema dos países da América do Sul: a gigantesca desigualdade social. 




Por Joaquim de Carvalho

O novo argumento da direita boliviana, e também a brasileira, é responsabilizar Evo Morales pelo crise na Bolívia.

“Evo Morales nos levou a um plebiscito (sobre se ele poderia obter um quarto mandato) e as pessoas disseram que não. Não respeitar o voto é um mecanismo de conduta típico dos governos socialistas do século 21”, disse a presidente autoproclamada Jeanine Añez.

É o argumento que ela usa para concluir: foi Evo que causou toda essa confusão em nossa país. Se estamos tendo protesto, a culpa é dele.

Mentira.

Evo Morales poderia, de fato, não se candidatar ao quarto mandato, e apoiar alguém do seu próprio partido, o Movimento ao Socialismo (Mas).

Em vez disso, preferiu recorrer à Justiça do seu país e reivindicar o direito de se candidatar novamente, com o argumento de que impedir sua candidatura feriria um direito humano.

Obteve o direito de disputar e a oposição concordou, ao participar do pleito. 

Mas, retrocedendo ao dia em que perdeu o plebiscito, nada garante que, não disputando — mas indicando outra pessoa —, a Bolívia não viveria esta crise.

Com certeza, viveria. E o exemplo é o próprio Brasil.

Em 2010, apesar de estimulado a mudar a Constituição e disputar um terceiro mandato, Lula preferiu manter a Constituição como estava, e indicar Dilma Rousseff.

Saiu de cena, e a bem da verdade pouco se meteu na administração da sucessora. No livro “A Verdade Vencerá”, ele conta que esteve com ela algumas vezes e fez algumas sugestões de mudanças, que não foram acatadas.

Dilma, no entanto, se manteve leal às diretrizes do projeto iniciado por Lula, com desenvolvimento a partir da inclusão social. A prioridade, nos dois casos, era o combate à pobreza.

No último ano em que Dilma conseguiu governar num quadro de relativa normalidade, o Brasil teve a menor taxa de desemprego e manteve altas reservas cambiais, apesar do crescimento baixo, 0,5%.

Nos seus quatro anos de governo, no entanto, a média de crescimento foi de 2,2%, muito acima do que se verifica hoje.

Em 2015, a recessão foi pesada, mas Dilma já não governava, engessada que foi pelo movimento político que teve em Eduardo Cunha um importante ator.

Também enfrentava a Lava Jato, que, com suas ações e prisões espetaculares contra a Petrobras e outras empresas brasileiras, inviabilizou novos investimentos.

Numa tentativa de salvar o governo e recuperar a economia, ela tentou nomear Lula chefe da Casa Civil em março de 2016, mas o Judiciário, aliado à velha imprensa, não permitiu.

Do ponto de vista institucional, Lula fez tudo certo, e acabou condenado e preso.

O problema, tanto na Bolívia quanto no Brasil, não era Lula ou Evo Morales, é o que eles representam.

Eles são líderes das classes populares e, nesse sentido, são os políticos adequados para resolver o maior problema dos países da América do Sul: a gigantesca desigualdade social.

Reduzindo a pobreza, tanto Lula quanto Morales tiveram êxito na economia. A média de crescimento anual do PIB nos oito anos de Lula foi 4,1%,

Na Bolívia, com Evo, a média ficou em 4,5%.

Considere-se que, pelo tamanho da economia brasileira, o crescimento é mais difícil.

Evo quis ficar, e caiu. Lula poderia ter ficado, mas saiu. Acabou condenado sem provas num processo conduzido por um juiz com ambições políticas, que se tornaria ministro do seu oponente.

Já Evo, mesmo que tivesse se curvado ao resultado do plebiscito sobre seu quarto mandato, estaria hoje em dificuldades.

Um candidato apoiado por ele venceria as eleições, mas a direita boliviana também não aceitaria o resultado.

Como disse, o problema não é ele, é o que ele representa. Assim como Lula.



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

NADA A COMEMORAR. DE GOLPE EM GOLPE, A REPÚBLICA ESTREBUCHA


"Começamos a República com um golpe militar, e isso não poderia mesmo dar coisa boa", lembrou Ricardo Kotscho, do Jornalista pela Democracia, em seu artigo sobre o 15 de novembro, Dia da Proclamação da República. Ele destaca que temos "agora no poder um tenente reformado como capitão, aos 33 anos, depois de ser preso e processado pelo Exército por atos de insubordinação... Como vemos, a República baixou de patente".




Brasil 247

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia - Sexta-feira, 15 de novembro de 2019, feriado da Proclamação da República.

Para mim, que trabalho de domingo a domingo, hoje é um dia como outro qualquer, nada vejo para comemorar, 130 anos depois.

Se não me falha a memória dos tempos de escola, o que houve no dia 15 de novembro de 1889 foi um golpe militar para destituir o imperador D. Pedro II, seguido de muitos outros golpes até chegarmos aos tenebrosos dias atuais com um ex-militar no poder.

Muita gente não deve lembrar, mas nossos dois primeiros presidentes republicanos foram marechais do Exército.

A galeria de militares na presidência foi inaugurada pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, que renunciou dois anos depois, para dar lugar a outro marechal, Floriano Vieira Peixoto.

Era a chamada “República da Espada”, como a chamavam na época.

O primeiro presidente civil, Prudente de Moraes, só seria eleito pelo voto direto em março de 1894.

No mais longo período de militares no poder, vários generais se sucederam na Presidência da República na ditadura militar (1964-2005), começando por outro marechal, Castelo Branco, e terminando em João Figueiredo, que saiu pela porta dos fundos, recusando-se a entregar a faixa presidencial ao civil José Sarney.

Pela primeira vez, temos agora no poder um tenente reformado como capitão, aos 33 anos, depois de ser preso e processado pelo Exército por atos de insubordinação..

Como vemos, a República baixou de patente, embora um batalhão de generais de pijama tenha sido convocado para fazer parte do governo (nove deles já foram demitidos).

É a primeira vez também que somos governados por um quarteto, o presidente e três dos seus filhos.

Antes, em 1968, tivemos uma junta de três militares, os comandantes das Forças Armadas, no impedimento de outro marechal, Costa e Silva, em 1968.

De golpe em golpe, dos mais variados tipos, chegamos a 2016, quando um golpe parlamentar derrubou a presidente Dilma Rousseff, abrindo caminho para a volta dos militares ao poder, agora pelo voto direto.

Escrevo sem consultar minha modesta biblioteca nem o Google e posso estar cometendo alguns enganos de memória, mas em resumo é isso.

Começamos a República com um golpe militar, e isso não poderia mesmo dar coisa boa.

Já tem até gente, como o ministro da Educação, este abominável Weintraub, nostálgica da Monarquia.

Ficamos sabendo esta semana que Bolsonaro até pensou em colocar como vice um herdeiro da família imperial, o “príncipe” Philippe Orleans e Bragança, que é deputado federal por São Paulo.

É o enredo pronto para para uma bela porno-chanchada com Alexandre Frota, Oscarito, e Grande Otelo, tendo como tema musical o Samba da República Doida, que está estrebuchando.

Bom final de semana a todos.

Vida que segue.

Fonte Brasil 247


O QUE JÁ SE SABE DO DIA 14/03/2018 NA VIDA DE JAIR BOLSONARO


São muitas as perguntas que a cobertura jornalística não tem feito sobre a possível participação do clã Bolsonaro no assassinato de Marielle Franco. E a cada dia que passa aparecem mais promotores bolsonaristas militantes em funções chave na investigação interminável jair bolsonaro marielle franco





 
Em jornalismo, usamos uma técnica para coberturas complexas. Consiste em juntar todos os elementos concretos e, assim que possível, montar uma narrativa plausível que os encaixe.

A partir daí, a cobertura vai filtrando as informações, para focar naquelas essenciais para comprovação ou correção da narrativa em curso.

Anos atrás o Ministério Público Federal descobriu essa técnica e a batizou de “teoria dos fatos” (não confundir com a teoria do domínio do fato), mas com algumas jabuticabas bem brasileiras, características típicas desses tempos de Lava Jato: desprezo a todos os fatos que desmentirem a narrativa original.

Os burocratas esconderão os fatos que comprometam a narrativa porque cada operação demanda recursos e um tiro errado significaria desperdício. Os marqueteiros desprezarão porque a narrativa foi vazada para jornalistas amigos, e ficaria chato admitir o erro. A Lava Jato desprezará porque sua intenção é política.

A teoria do fato de Bolsonaro

 

Entendido isso, vamos a uma teoria do fato sobre como foi o dia 14 de março de 2018, dia do assassinato de Marielle, na vida de Jair Bolsonaro.

Primeiro, vamos aos fatos objetivos:

1. Um twitter de uma jornalista respeitável, Thais Bilenky, no dia 14 de março, informando que Bolsonaro seguiria para o Rio por estar com problemas de intoxicação.

2. O depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, dizendo ligou para Bolsonaro para obter autorização para a entrada de Elcio Queiroz no condomínio. E a anotação no papel indicando a casa de Bolsonaro como destino.

3. A sessão da Câmara mostrando que, naquele dia, Bolsonaro estava lá, participando das sessões.

4. O sistema de telefonia do condomínio, que permite transferir ligações para celulares.

5. Posteriormente, vazamentos aos Bolsonaro de trechos da investigação de interesse deles, mais a identificação de dois promotores como bolsonaristas ativos, mostrando acesso da família às investigações.

Teoria do fato

 

Em cima desses dados, vamos formular uma hipótese – repito, hipótese – sobre o que teria ocorrido naquele dia.

1. Bolsonaro articulou uma reunião com Ronnie Lessa (do Escritório de Crime) e Elcio Queiroz para o dia 14, no Condomínio Vivendas da Barra.

2. Preparou um álibi para faltar à sessão daquele dia na Câmara Federal. A jornalista Thais Belinski foi informada de que ele iria voltar para o Rio de Janeiro por um problema de intoxicação alimentar. Era um álibi curioso: viajar intoxicado, podendo descansar e ser tratado em Brasilia.

3. Naquele dia, trocando ideias com assessores, Bolsonaro se deu conta de que a ida para o Rio de Janeiro poderia expô-lo. Assim, decidiu ficar na sessão da Câmara, onde apareceu sem nenhum sinal de quem estava intoxicado. A reunião no Condomínio foi mantida com os demais participantes.

4. Ao chegar ao condomínio, Élcio deu o número da casa de Bolsonaro. O porteiro ligou para o celular anexado ao número, Bolsonaro atendeu em Brasília e autorizou a entrada. E Élcio rumou para a casa de Ronnie Lessa, que fica na mesma rua da casa de Bolsonaro, cerca de duas ou três casas depois.

5. Quando a reunião foi identificada, após perícia no celular de Ronnie Lessa, os Bolsonaro foram informados por aliados infiltrados nas investigações, que atrasaram a perícia a fim de permitir que as provas fossem alteradas.

Repito: é uma hipótese de trabalho.

Motivação

 

Conforme já divulgado, Bolsonaro era radicalmente contrário à intercvenção militar no Rio de Janeiro, que considerava uma maneira de fortalecer o governo Temer e preparar a chapa Temer-Rodrigo Maia para as eleições de 2018, reduzindo a possibilidade de uma intervenção militar ampla.

Um dos modos de operação dos porões, quando Silvio Frota foi alijado da disputa pelo poder, era planejar atentados e imputar à oposição.

Apurou-se que, dias antes do assassinato de Marielle, Ronnie Lessa pesquisou no Google figuras críticas à intervenção militar. E fixou-se no nome de Marielle, que havia sido indicada para uma comissão na Câmara de Vereadores, para fiscalizar a intervenção.

As investigações


Desde o início, se afirmava que as investigações esbarravam em “gente poderosa” no Rio, por isso não avançavam. Até agora, oficialmente a “gente poderosa” que apareceu foi um conselheiro do Tribunal de Contas do Município, o tal Brazão. Isso em um estado em que ex-governadores, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, deputados federais e estaduais foram presos. É factível supor que toda a manipulação da Polícia Civil e, especialmente do Ministério Público Estadual, foi por influência de Brazão. A cada dia fica mais nítida a influência do bolsonarismo sobre promotores estaduais.

A elucidação do crime demandaria perícias e investigações isentas. Quem as fará? A cada dia que passa aparecem mais promotores bolsonaristas militantes em funções chave na investigação interminável.

Há duas maneiras dos promotores atuarem politicamente.

Encontrando um suspeito concreto, que assuma o crime e libere Bolsonaro das suspeitas.

1. Não encontrando, adiando a investigação indefinidamente.

2. Qual seria a alternativa? A Polícia Federal de Sérgio Moro.

O porteiro está sendo acusado de obstrução de justiça. Sérgio Moro encaminhou à denúncia à Procuradoria Geral da República. O caso caiu nas mãos do procurador Douglas Araújo, tido como “bolsonarista ferrenho”, segundo o Valor Econômico.

Insisto, é uma teoria do fato, uma narrativa que permite encaixar os principais elementos até agora divulgados. Quem tiver uma hipótese melhor, que as apresente, antes que calem-se para sempre as testemunhas.

A discussão inútil

 

O aparecimento do Twitter do dia de 14 de março de 2018, da jornalista Thais Bilenky, mencionando conversas com assessores de Bolsonaro, que teriam dito que ele faltaria a sessão e iria para o Rio, devido a uma intoxicação alimentar, suscitou enorme discussão.

O Twitter não dizia que Bolsonaro estava no Rio. Dizia de sua intenção de ir ao Rio naquele dia, fato reforçado pela descoberta de que seu gabinete comprara duas passagens de avião para o Rio naquele mesmo dia.

Abriu-se enorme e inútil discussão: Bolsonaro estava ou não no Rio no dia da morte de Marielle? Gastou-se esforço para um objetivo inútil. Se Bolsonaro havia comparecido à sessão na Câmara naquele dia, é evidente que não estava no Rio.

A questão a ser investigada era outra. Havia um enorme conjunto de evidências sobre sua intenção de estar no Rio naquele dia.

1. O Twitter da repórter.

2. A compra das passagens.

3. O registro na portaria do condomínio de que Helcio Queiroz mencionara a casa de Bolsonaro para obter autorização de entrada.

E há informações – que a imprensa burocraticamente evita – de que o sistema de telefonia do condomínio permite transferência para celulares. Portanto, seria perfeitamente factível que o porteiro tivesse transferido a ligação de Helcio para o celular de Bolsonaro.

Por que Bolsonaro desistiu de ir ao Rio?

 

A questão central era outra: porque Bolsonaro recuou no último momento, na ida ao Rio? Ele deveria ou não estar presente na reunião em que Élcio e Ronnie Lessa planejaram a morte de Marielle?

Colocando o foco correto, a cobertura jornalística sairia dessa masturbação midiática para focar nos pontos centrais:

1. Buscar explicações dos assessores sobre as razões de Bolsonaro ter afirmado que iria para o Rio devido a uma intoxicação alimentar, e ter participado da sessão da Câmara sem aparentar nenhum incômodo.

2. Confirmar se o sistema de telefonia do condomínio permitia ou não transferencia para celulares, especialmente de Bolsonaro.

3. Entender porque razão Carlos Bolsonaro – que só usava a casa no condomínio para ir à praia nos fins de semana – estava no condomínio naquele dia.

4. Insistir na perícia técnica do equipamento que registra as ligações.

5. Ouvir vizinhos sobre o relacionamento de Ronnie Lessa com os Bolsonaro. É inverossímil que ambos, vizinhos, ligados às milícias, não se conhecessem ou não compartilhassem os mesmos visitantes.

Fonte Pragmatismo Político

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