quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

QUEM FINANCIOU O GOLPE?




CADÊ OS PANELEIROS, COXINHAS E MIDIOTAS HIPÓCRITAS, QUE NÃO BATEM PANELAS CONTRA O ROUBO DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES E DOS APOSENTADOS? POR ONDE ANDAM OS MENTIROSOS E DESAVERGONHADOS MERCENÁRIOS MILITONTOS QUE NÃO SE MANIFESTAM CONTRA A SONEGAÇÃO DAS GRANDES EMPRESAS E CONTRA A ENTREGA DAS NOSSAS RIQUEZAS AS MULTINACIONAIS?



 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O ATO DOS MILITONTOS GOLPISTAS EM CUIABÁ FOI VEXATÓRIO


Neste domingo, 03/12, apenas 15 coxinhas compareceram ao ato organizado pelos grupos do “Movimento Muda Brasil” e o “Vem pra Rua”. Eles queriam fazer um “adesivaço” em apoio ao juiz Sérgio Moro e a Lava Jato. 



 
OS MIDIOTAS PENSAM QUE AINDA PODEM ENGANAR A POPULAÇÃO

Com as ausências de Perminio Pinto, Blairo Maquinas, Paulo e Pedro TX, o ato dos coxinhas em Cuiabá nesse domingo, 03/12, foi um fracasso.



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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O USURPADOR MISHELL APROVA CRIME CONTRA A NAÇÃO


Temer aprova isenção fiscal de trilhões de reais para petroleiras. Este crime contra os cofres públicos foi cometido pela base parlamentar que responde e obedece ao governo Temer




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2018 VEM AÍ: TE ENGANARÃO NOVAMENTE?


O agravamento da crise é resultado da birra de Aécio Neves, que perdeu a eleição em 2014 e incendiou o país, sendo auxiliado em Mato Grosso por amiguinhos como Pedro Taques, Nilson Leitão, Wellington Fagundes, Medeiros, Cidinho, Mauro Mendes, Jaime Campos e uma porção de outros caras do mesmo naipe associados ao golpe de 2016, que fazem da política um negócio fabuloso para adquirirem fortunas, de modo rápido e fácil, em detrimento das reais necessidades da esmagadora maioria do povo brasileiro. 



RD News 


Por Antonio Cavalcante Filho 




Ao que parece já foi deflagrado o processo eleitoral de 2018, ainda que nos encontremos mergulhados no lamaçal do golpe contra a democracia, que, como uma avalanche de sujeiras, soterrou o país em 2016, instalando no poder uma quadrilha para tomar conta dos cofres públicos. 

Inquieta-me muito a ver o modo de pensar dos jornalistas que cobrem a parte da área política, e que direto das redações emitem suas opiniões nos jornais, blogs e emissoras de rádio e televisão. Me parece que falta um bocado de senso crítico ou de coragem em alguns deles, mesmo levando em conta que a miséria que recebem como salário pode empurrá-los para a armadilha de repetir as notícias das assessorias dos políticos. 

Por exemplo, como estamos em um pré-ano eleitoral, em que não se sabe ao certo se haverá eleição em 2018, quem poderá disputar e a quais cargos, nem mesmo que tipo de partido ou coligação estará no jogo, etc. No entanto, os “analistas” ignoram essas coisas que são importantes, como se não percebessem uma piora retumbante ano a ano na qualidade dos eleitos. Os atuais deputados não conseguem discutir orçamento, repartição de receitas, mudanças na tributação, direitos sociais, liberdade religiosa, investimentos educacionais e políticas alternativas de saúde, só para citar alguns exemplos. Mas continuam lá, se reelegendo, votando e aprovando leis carregadas de interesses pessoais ou recheadas de bobagens. 

E o que fazem nossos jornalistas políticos em sua maioria? Elogiam os caras. 

Entristece-me a repetição acrítica da palavra “reforma”. Ora, reforma é quando eu pego aquela areazinha lá de casa (financiada pela Caixa no programa Minha Casa, Minha Vida), e mudo o piso, troco umas telhas quebradas e empilho uns tijolinhos para improvisar uma churrasqueira. Reforma é quando a gente pega algo (ou alguma coisa, alguma lei) e aperfeiçoa, dando-lhe mais e melhores sentidos. 

No caso do país, os caras pegam os poucos direitos das mulheres, dos trabalhadores e dos idosos, conquistados a duras penas e simplesmente rasgam do mapa. Os jornalões de Brasília e São Paulo dizem que isso é “reforma”, e no Brasil inteiro isso é repetido como se verdade fosse. Isso, pra mim, é jogo sujo e agora com bastante conteúdo eleitoral. 

Muito alegraria aos eleitores mais críticos, e que possuem bastante vontade de melhorar a vida de todas as pessoas indistintamente, se o jornalismo político possuísse uma independência mínima. Por exemplo, quando fosse dar a notícia sobre o desejo de algumas pessoas serem governadoras de Mato Grosso, que a informação viesse com elementos que facilitassem a ampla compreensão dos leitores e eleitores. Tenhamos, então, senhores jornalistas e analistas políticos, coragem de denunciar, protestar e até de acusar se for preciso, para que os cidadãos possam ter a mais completa informação sobre àqueles que disputam cargos eletivos. 

Ora, o pretendente do DEM, Jaime Campos, que responde a um grande número de ações decorrentes dos mandatos que exerceu na quebrada prefeitura de Várzea Grande e no governo estadual, toda notícia sobre suas pretensões de governar novamente deveria possuir um “box” ou rodapé com essas informações. 

O deputado Nilson Leitão, do PSDB, que pleiteia o senado, e que é um dos golpistas mais engajados desde o primeiro momento, é o mesmo que propôs a lei do trabalho escravo junto com o seu partido, votou pela extinção de direitos trabalhistas e agora está trabalhando pelo perdão das dívidas dos abastados fazendeiros, os que não recolheram o imposto das aposentadorias de seus escravos, digo empregados (Funrural). 

O Antonio Joaquim exerceu todos os cargos públicos que queria, e recebe atualmente um salário de 30 mil do Tribunal de Contas e mais 30 mil de verba indenizatória. Ele quer disputar a eleição, mas não quer largar o osso, levando para a “inatividade” esse salário para toda a vida, assim como Júlio Campos e Carlos Bezerra, cuja coleção de aposentadorias de ambos custa um fortuna para o contribuinte de Mato Grosso. 

Toda notícia sobre eles, dizendo-se como candidatos, deveria vir com essa informação acessória, como um alerta ao incauto eleitor. Porque Antonio Joaquim não renuncia ao TCE (e aos polpudos 70 mil por mês) e para de mimimi? 

O Medeiros, por exemplo, está no Senado sem ter obtido um único voto. Mesmo assim, foi um dos mais aguerridos defensores do golpe contra a Democracia em 2016, o qual classifico como o maior crime de lesa pátria e de corrupção praticado contra a República do Brasil e seu povo. Esse, gasta verba pública até durante as férias para visitar o estado que nasceu, no paradisíaco nordeste. E já que o Ministério Público Federal nada faz contra essa farra, essa informação deveria ser dita aos eleitores deste “senador biônico”, que deveriam receber do Tribunal Eleitoral uma resposta sobre aquele lance da ata falsa na eleição que tinha o Pedro Taques junto, na mesma chapa, lá em 2010. 

E os caras do PT que mandaram na Seduc durante anos, numa relação de irmão gêmeo com José Riva e o PMDB, têm que explicar esse casamento político que tinha Éder Moraes e Blairo ‘Máquinas’ como padrinhos. E mais, onde foram parar aqueles pacotes de dinheiro que o Alexandre Cesar escondeu na maleta. Foram para alguma campanha eleitoral? E o Carlos Abicalil e Lúdio Cabral, por que sumiram? Penso que, nesse momento tão grave, o silêncio de ambos é ensurdecedoramente inútil, que não contribui em nada e para nada serve. 

Wellington Fagundes, outro golpista que engrossou a massa dos militontos fascistas e analfacoxas do “Vem pra Rua”, MBL e assemelhados, também quer se eleger governador de Mato Grosso. Na última vez que listei os processos que ele respondia, me processou. Mas não se explicou e nem se justificou como deveria. Notícias sobre Wellington deveriam ser acompanhadas de links sobre a tramitação das ações que ele responde. 

E o Pedro Taques, hein? Sempre com uma frase de efeito para sacar do bolso e mais uma vez enganar a plateia. Também, torrando 70 milhões em propaganda fica fácil, Riva usava essa tática muito bem. O jornalismo político, repito, precisa ser mais crítico e saber o tamanho de sua responsabilidade. 

Só para concluir, no Facebook, Taques disse que o “Estado não está quebrado, sofre problema de capital de giro”, como se Mato Grosso fosse uma banquinha de cachorro quente ou um cursinho pré-vestibular. Essa informação deveria estar impressa em seus panfletos de propaganda eleitoral, do tipo “alerta ao eleitor”. 

Tem mais um problema. Essa crise que o país vive começa com um sistema financeiro que absorve quase a metade de orçamento de estados, municípios e do governo federal. A bancada de políticos financiados por essas empresas sonega essa informação para a população. E o agravamento do quadro é resultado da birra de Aécio Neves, que perdeu a eleição em 2014 e incendiou o país, sendo auxiliado em Mato Grosso por amiguinhos como Pedro Taques, Nilson Leitão, Wellington Fagundes, Medeiros, Cidinho, Mauro Mendes, Jaime Campos e uma porção de outros caras do mesmo naipe associados ao golpe de 2016, que fazem da política um negócio fabuloso para adquirirem fortunas, de modo rápido e fácil, em detrimento das reais necessidades da esmagadora maioria do povo brasileiro. 

Só agora, depois de chafurdarem o país, como ratos que abandonam o navio naufragante, os golpistas do PSDB, de olho nas próximas eleições, anunciam sua debandada do governo ilegítimo Temer, como se nada tivessem a ver com todos os males que juntos causaram ao Brasil e ao seu povo. 

E você, cidadão, em 2018 te enganarão novamente? 

Antonio Cavalcante Filho, o Ceará, é sindicalista e escreve neste espaço às sextas-feiras - E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com 

Fonte RD News 



sábado, 2 de dezembro de 2017

DESUMANA DESUMANIZAÇÃO


Os senhores do capital lançam nos ombros do extrato dos vitimados o pesado fardo da crise econômica e do propalado déficit previdenciário que só existe porque anualmente o governo transfere para os bolsos dos banqueiros e outros aplicadores financeiros quase 30%(trinta por cento) dos recursos da seguridade social para pagar juros da dívida pública. 




Por Gilson  Romeu da Cunha*


                 
     Logo mais estaremos descartando os últimos dias do calendário civil de 2017. O ano carimbado pelas contrarreformas neoliberais sai de cena deixando nos trabalhadores brasileiros um profundo sentimento de cólera com a política de retirada de direitos historicamente conquistados a mais de meio século.  Temer e seus quadrilheiros tentam legitimar tais ações com o incongruente discurso da necessidade de redução do estado para “assegurar” teoricamente a primazia estatal nas áreas da educação, saúde e segurança pública. 

  Todavia, as reformas trabalhista,  já aprovada, e previdenciária em curso, provam, de forma irrefutável, a preocupação deste ilegítimo governo em desmontar as conquistas sociais e transferir aos bem-providos  a riqueza popular, favorecendo a expansão exacerbada do grande capital financeiro nacional e internacional. 

   Na medida provisória que regulamentou itens pendentes da reforma trabalhista, sancionada no mês de julho, Temer deixou claro que as mudanças valem para todos. Claro está que a locução temerista se remete exclusivamente àqueles que estão no centro e base da nossa pirâmide social. 

  De acordo com a Revista Semanária Carta Capital, de 11 de novembro, a reforma trabalhista entrou em vigor para baratear brasileiros e piorar as suas condições de vida com a implantação do trabalho intermitente, redução do intervalo para o almoço, prevalência do negociado sobre o legislado, demissões coletivas sem negociação prévia com os sindicatos, dentre outras atrocidades. 

  Do pacotaço de maldades dos golpistas, evidenciamos ainda a reforma da previdência. Mesmo desidratando a proposta original, Michel Temer terá que desembolsar mais de 14 bilhões de reais em mimos para tornar mais palatável à sua base parlamentar esta impopular reforma. Enquanto isso, os trabalhadores do porão deste grande tumbeiro tiveram um corte de 10(dez) reais no valor do salário mínimo que vai vigorar em 2018. Os senhores do capital lançam nos ombros do extrato dos vitimados o pesado  fardo da crise econômica e do propalado déficit previdenciário que só existe porque anualmente o governo transfere para os bolsos dos banqueiros e outros aplicadores financeiros quase 30%(trinta por cento) dos recursos da seguridade social para pagar juros da dívida blica. Observe que, no Brasil, a taxa de juros oscila em torno de  15% (quinze por cento). A maior do dito “mundo civilizado”.  

   Estimativas apuradas denunciam que o governo deverá gastar 100(cem) milhões de reais com propagandas nos meios de comunicação de massa, para convencer a população de que medidas como redução no valor da aposentadoria, fim da aposentadoria por tempo de serviço, idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, exigência de 40 anos de contribuição para ter direito do valor integral do beneficio e regras mais rígidas para os servidores públicos, têm a finalidade de cortar privilégios. Mero engodo. Toda gama de projetos de reforma do estado do corrupto e corruptor Michel visa perenizar os privilégios dos barões da casa grande: membros dos tribunais, ministérios públicos, parlamentares, ministros, executivos de todos os entes federados e militares. 

  Não é apenas o caráter antissocial o ponto crítico do atual governo, mas também a sua podridão moral cujo  mau cheiro  se eleva ao céu. 

*Gilson  Romeu da Cunha Professor aposentado da rede estadual e diretor do Sintep Subsede de Cuiabá  

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ENTENDA COMO E PORQUE VOCÊ FOI ENGANADO EM 2016


Ler Jessé Souza é indispensável para quem deseja, com honestidade e sem parti pris, compreender a lamentável situação do Brasil pós-golpe 


Carta Maior

Por Léa Maria Aarão Reis*

Este atual instante de crise do Brasil 2017 é a “grande oportunidade de mudança no meio das trevas em que vivemos hoje,” escreve o autor do best seller A elite do atraso – da escravidão à lava jato, o sociólogo Jessé Souza, de 57 anos, das mais brilhantes e inovadoras vozes da sua geração na análise e crítica social e política do país. Um dos vencedores do Premio Jabuti deste ano, a ser entregue amanhã (dia 30/11), ele está na lista dos mais vendidos da Publisher News neste fim de ano.

No último parágrafo desse seu livro lançado há menos de dois meses, o fecho da trilogia A tolice da inteligência brasileira, de 2015 e A radiografia do golpeentenda como e porque você foi enganado (2016) * ele exorta: “A esperança de hoje tem que ser uma adaptação contemporânea do velho chamado aos explorados: os feitos de imbecis de todo o país: uni-vos! (...) recuperemos nossa inteligência, voltemos a praticar a reflexão autônoma que é a chave de tudo que a raça humana produziu de bonito e de distinto na vida da espécie.”

Ex - presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Jessé Souza nasceu no Rio Grande do Norte e tem formação em Direito, Sociologia, Psicologia e Filosofia, respectivamente no Brasil, Alemanha e Estados Unidos. É professor titular de Sociologia da Universidade Federal do ABC.

Na sua obra, ele produz um retrato avançado e vigoroso das classes sociais do país e das renitentes e imensas desigualdades entre elas – entre os mais de vinte livros publicados, de sua autoria. Constrói uma poderosa alternativa arejando as idéias, até então pilares tidos como indiscutíveis do conhecimento especializado, de Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro. Sai-se bem e preciso nesse seu desafio que se estende às esquerdas. Para ele, elas sempre foram colonizadas pelo falso moralismo do discurso da direita. “Não é atoa que Sergio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro, baluartes do moralismo conservador, são heróis da esquerda. ’’

Permeiam o seu trabalho referências ao sociólogo francês Pierre Bourdieu, ao filósofo canadense Charles Taylor e a Florestan Fernandes – este, no que se relaciona à construção do conceito de ‘’subcidadania. ’’

A tese de Souza é esta: no Brasil moderno há quatro classes. A dos ‘’endinheirados, classe dominante, que explora materialmente as demais. As intermediárias se situam entre a elite do dinheiro dominante e os que dominam simbolicamente todas as outras. ’’ A segunda, a classe média e suas diversas frações que possuem o que ele chama de capital cultural. ‘’ Os juízes que julgam, os professores que ensinam, jornalistas que escrevem. A classe trabalhadora, precária na imensa maioria, é a terceira.” À quarta, a dos excluídos, chama, provocador, de ‘’ralé brasileira’’. Situa-se abaixo da linha de ‘’dignidade’’, como enfatiza.

Na sua análise oposta ao economicismo, sobre os excluídos ele escreve: ‘’Os excluídos não são apenas pobres economicamente. Faltam os estímulos afetivos e morais para o sucesso escolar e depois profissional que a classe média possui como seu principal privilégio desde o berço. ’’

‘’A única classe ‘consciente de si’ entre nós é a elite da rapina, ’’ observa Jessé, e oferece um perfil certeiro dos ‘’endinheirados’’: precisam mostrar que não é o dinheiro que marca seu estilo de vida, mas um gosto inato. “Precisam de algum capital cultural para ser aceitos em seu grupo e não passarem por ‘broncos’. Entender de vinhos caros, comidinha gourmet, ternos cortados à mão. Esses conhecem ‘’as ilhas exclusivas do Oceano Índico onde seus pares levam suas amantes preferidas.’’

‘’Se nossas classes médias – que efetivamente poderiam ser mais inteligentes do que são – são feitas de tolas todo dia pelas doses diárias de veneno midiático, imaginemos as classes abandonadas que não têm defesa cognitiva possível a esse tipo de ataque a não ser o racionalismo prático do dia a dia que a fazem escolher os líderes que efetivamente melhoram seu bem estar concreto e aumentam suas chances de vida.’’

A classe média é o ‘’instrumento e tropa de choque’’, na classificação de Jessé, dos interesses do mercado – interesses que elas nem compreendem direito o que significam. (É uma classe) ‘’que pisa nos debaixo e faz salamaleques para os de cima.’’ E o pior: ‘’Acha-se dona de uma tradição intelectual pseudocrítica que demoniza o estado.’’

Em A radiografia do golpe, o autor realça a novidade da cooptação da fração corporativa do aparato jurídico-policial do estado. Sublinha a restrição dos direitos individuais que contribuem para que ela aumente ainda mais o seu próprio poder.   ‘’Uma casta com altos salários e vantagens que fogem da transparência, que adorou posar de guardiã da moralidade. Aumentou seus privilégios colonizando a agenda do estado. ’’

Ele próprio alvo de ataques e ao seu A elite do atraso, Jessé escreveu, há dois meses, num artigo publicado em jornal paulistano: “(...) meu crime, agora, foi ter me transformado em um autor que toca nas questões essenciais, em um país saqueado e sem rumo, com uma linguagem que as pessoas comuns podem entender. Isso é intolerável para uma parte da academia – inclusive da esquerda ou que se imagina enquanto tal – que nunca se identificou com o estudo das questões reais do país e que usam seu capital cultural como outros usam o dinheiro. ’’

Nesse texto, e na sua linguagem eloquente e acessível, Souza lembra ‘’(...) ter sido estimulado por alguns dos melhores pensadores vivos para tornar o mundo social e suas fraudes compreensíveis para um porteiro e para uma enfermeira. Esse é meu verdadeiro crime para meus detratores. ’’

Na sua radiografia do assalto ao poder do ano passado, trabalho escrito em 2016, no calor do cavalo-de-pau político desfechado pelos golpistas e na ruptura brusca (embora traiçoeira e fermentada há anos) do processo democrático, ele anota que ‘’seja para assaltar um banco, seja para assaltar a soberania popular, é sempre mais fácil achar aventureiros para a empreitada do que dividir o bolo. Na hora de dividir o butim do golpe é que surgem os conflitos. Essa é a fase em que estamos hoje. A luta de morte aqui é para salvar as aparências. Nem todos conseguirão.

Jessé Souza finaliza o ano com agenda intensa. Participará de debates este mês na PUC/SP e na Unicamp e fará vários lançamentos de A elite do atrasoou como o país se deixa manipular pela elite - terceira reimpressão em menos de dois meses.

Neste, ele destaca a atuação da Globo no golpe. “A Globo, em associação com a grande mídia a maior parte do tempo, e a Lava jato, fizeram (...) a todos nós de perfeitos imbecis. A título de combater a corrupção dos tolos, turbinaram e legitimaram a corrupção real como nunca antes neste país das multidões de imbecilizados.”

Ler Jessé Souza é indispensável para quem deseja, com honestidade e sem parti pris, compreender a lamentável situação do Brasil pós-golpe – fracassado, no seu significado estrito – e o silêncio ou a aparente indiferença, muitas vezes dissimulada, de grandes frações da classe média.

“Será que vale a pena tudo isso para manter os escravos no seu lugar? ’’ ele indaga. ‘’O amor de grande parte da classe média pela elite é amor de mulher de malandro. ’’ Mas Souza  acena com a esperança nos novos ventos que virão: ‘’Afinal, tudo que foi feito por gente também pode ser refeito por gente.’’

E atenção: para 2018 ele promete a reedição do seu A construção da sub-cidadania.

*Jornalista


Fonte Carta Maior


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