terça-feira, 31 de março de 2020

NÃO PARAR IMPLICARÁ GENOCÍDIO E RUÍNA ECONÔMICA


São terraplanistas sanitários e australoptecos econômicos. Mas o que se pode esperar de uma dissidência do Homo Sapiens? Quem tem de ser parado, agora, além do coronavírus, é Bolsonaro. 


Por Marcelo Zero*

O helminto que nos desgoverna propõe à Nação um falso dilema: temos de aceitar a morte de muitos brasileiros para que a economia não pare e nos prejudique ainda mais.
A sua criminosa e irresponsável campanha “O Brasil não Pode Parar”, que contraria as recomendações da OMS, da ciência e a prática de todos os governos sérios e responsáveis, baseia-se nessa falsa disjuntiva.

E a pseudo dicotomia, por sua vez, baseia-se em duas falácias:

1) É impossível proteger vidas e empregos ao mesmo tempo.

2) Os países podem se dar ao luxo de não parar ou, ao menos, reduzir bastante suas atividades.
A primeira falácia é desmentida pelas amplas medidas anticíclicas que todos os países estão tomando.

Tais medidas visam manter a empregos, rendas e a economia viva, pelo tempo em que for necessário para o combate à epidemia.

Até os EUA, terra do liberalismo econômico, acabou de aprovar um pacote de estímulos de US$ 2 trilhões (10 trilhões de reais) com essa finalidade.

A Alemanha vai comprometer cerca de 40% de seu PIB com medidas semelhantes. E por aí vai.
Na reunião do G20, acordou-se que os países devem comprometer recursos ilimitados para tal objetivo.

Assim, o planeta todo está, agora, empenhado em salvar vidas e, ao mesmo tempo, salvar as economias.

A segunda falácia é desmentida pelas experiências desastrosas dos que, como Bolsonaro, teimaram em não parar e não promover, a tempo, o recomendado isolamento horizontal.

O prefeito de Milão, “Bepe” Sala, que mandou a cidade não parar, hoje lamenta mais de 5 mil mortes, devido à sua incúria.

Boris Johnson e Trump, que também hesitaram em promover as medidas necessárias, tiveram de voltar atrás, ante o crescente descontrole das epidemias em seus países.

A verdade é uma só: quem não parou antes teve de parar depois ou está tendo de parar agora.

Portanto, o dilema real não é parar ou não parar. O dilema real é: parar agora, enquanto a situação ainda não saiu do controle, ou parar necessariamente depois, com a situação em total descontrole?

Nã primeira hipótese, salvam-se muitas vidas e, além disso, preserva-se a economia de danos maiores, pois a paralisação das atividades poderá se dar por um período de tempo consideravelmente menor. Foi o que a China fez.

Tomou medidas muitos duras, que fizeram a sua produção industrial encolher, no primeiro bimestre, 13,5%.

Em compensação, salvou milhares ou milhões de vidas e, agora, prepara-se para retomar vigorosamente as suas atividades.

Em contraste, a Itália, além de ter perdido um número proporcionalmente (e até em termos absolutos) muito maior de vidas, terá de manter a paralisação das atividades por um período de tempo consideravelmente mais extenso.

Por não ter parado no início, a Itália perderá mais vidas e mais PIB. Isso deverá ocorrer também na Espanha, no Reino Unido e nos EUA.

Essa é a lição amarga que o mundo aprendeu.

Nem todo o mundo. Aqui, o helminto, uma clara dissidência do Homo Sapiens, insiste na tese fracassada, irresponsável e genocida do “não parar”.

Não fossem os governadores, a oposição e o Congresso, o Brasil já estaria imerso no caos.

O helminto e seu governo revelam-se incapazes de conduzir o Brasil por essa tormenta.

Não têm propostas corajosas e distribuem mensagens confusas e contraditórias para a população.

São terraplanistas sanitários e australoptecos econômicos.

Mas o que se pode esperar de uma dissidência do Homo Sapiens?

Quem tem de ser parado, agora, além do coronavírus, é Bolsonaro.

*Marcelo Zero é sociólogo e especialista em Relações Internacionais.

Fonte Vi o Mundo


CONFIE NA CIÊNCIA E NÃO NESSE IRRESPONSÁVEL SOCIOPATA 




https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante


MINISTRO E COMANDANTES MILITARES ABREM GURRA CONTRA A VERDADE HISTÓRICA


"Não é de se estranhar que num governo conduzido por um genocida sociopata os altos comandos militares homenageiem um regime de terror, de arbítrio e de assassinatos e falsifiquem a história", escreve o colunista Jeferson Miola, após o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmar que o golpe de 64 foi um marco na democracia brasileira 



Blog Jeferson Miola 

Por Jeferson Miola.  Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

O Ministro da Defesa e os comandantes das três armas divulgaram a Ordem do Dia alusiva ao 31 de março de 1964 que será lida nos quartéis e instalações das Forças Armadas.

É um texto revisionista, farsesco, que falsifica e distorce a história da primeira à última frase. Começa dizendo que o golpe civil-militar de 1964, que foi um atentado à ordem jurídica e constitucional, é “um marco para a democracia brasileira” [sic].

O ministro e os comandantes bolsonaristas referem-se às políticas do governo legítimo de João Goulart como “Ingredientes utópicos [que] embalavam sonhos com promessas de igualdades fáceis e liberdades mágicas, engodos que atraíam até os bem-intencionados”.

Num relato mentiroso que omite o processo de desestabilização econômica e política orquestrado na época pela burguesia com o governo dos EUA para derrubar Jango, os signatários sustentam que “As instituições se moveram para sustentar a democracia, diante das pressões de grupos que lutavam pelo poder”.

Confundindo vitalidade democrática e participação social com caos político, afirmam que “As instabilidades e os conflitos recrudesciam e se disseminavam sem controle”.

O conluio das classes dominantes, do empresariado, da Igreja Católica e da imprensa com os quartéis é tratado candidamente como um evento espontâneo, em que “A sociedade brasileira, os empresários e a imprensa entenderam as ameaças daquele momento, se aliaram e reagiram”.

A Ordem do Dia reserva um papel heróico aos golpistas fardados que violentaram a Constituição: “As Forças Armadas assumiram a responsabilidade de conter aquela escalada, com todos os desgastes previsíveis”.

Ocultando as atrocidades das torturas, dos exílios forçados, os assassinatos bárbaros e covardes e as perseguições políticas, o comunicado adota tom ufanista e insinua que os brasileiros “Entregaram-se à construção do seu País e passaram a aproveitar as oportunidades que eles mesmos criavam. O Brasil cresceu até alcançar a posição de oitava economia do mundo”.

Esta mentira sobre a situação econômica é contrarrestada pela herança desastrosa do período ditatorial: corrupção disseminada, inflação alta, arrocho salarial, endividamento brutal, pobreza e miséria e, naturalmente, assassinatos de brasileiros e brasileiras por agentes do Estado de Terror nos porões do regime.

Os militares atribuem-se, ainda, uma função não prevista na Constituição, o “propósito de manter a paz e a estabilidade”.

A Ordem do Dia termina com uma manifestação asquerosa e lacônica: “O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou”.

Não é de se estranhar que num governo conduzido por um genocida sociopata os altos comandos militares homenageiem um regime de terror, de arbítrio e de assassinatos e falsifiquem a história.



MINISTÉRIO DA DEFESA


Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964


Brasília, DF, 31 de março de 2020.

O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. O Brasil reagiu com determinação às ameaças que se formavam àquela época.

O entendimento de fatos históricos apenas faz sentido quando apreciados no contexto em que se encontram inseridos.  O início do século XX foi marcado por duas guerras mundiais em consequência dos desequilíbrios de poder na Europa. Ao mesmo tempo, ideologias totalitárias em ambos os extremos do espectro ideológico ameaçavam as liberdades e as democracias. O nazifascismo foi vencido na Segunda Guerra Mundial com a participação do Brasil nos campos de batalha da Europa e do Atlântico. Mas, enquanto a humanidade tratava os traumas do pós-guerra, outras ameaças buscavam espaços para, novamente, impor regimes totalitários.

Naquele período convulsionado, o ambiente da Guerra Fria penetrava no Brasil.  Ingredientes utópicos embalavam sonhos com promessas de igualdades fáceis e liberdades mágicas, engodos que atraíam até os bem-intencionados. As instituições se moveram para sustentar a democracia, diante das pressões de grupos que lutavam pelo poder. As instabilidades e os conflitos recrudesciam e se disseminavam sem controle.

A sociedade brasileira, os empresários e a imprensa entenderam as ameaças daquele momento, se aliaram e reagiram. As Forças Armadas assumiram a responsabilidade de conter aquela escalada, com todos os desgastes previsíveis.

Aquele foi um período em que o Brasil estava pronto para transformar em prosperidade o seu potencial de riquezas. Faltava a inspiração e um sentido de futuro. Esse caminho foi indicado. Os brasileiros escolheram.  Entregaram-se à construção do seu País e passaram a aproveitar as oportunidades que eles mesmos criavam. O Brasil cresceu até alcançar a posição de oitava economia do mundo.

A Lei da Anistia de 1979 permitiu um pacto de pacificação. Um acordo político e social que determinou os rumos que ainda são seguidos, enriquecidos com os aprendizados daqueles tempos difíceis.

O Brasil evoluiu, tornou-se mais complexo, mais diversificado e com outros desafios.  As instituições foram regeneradas e fortalecidas e assim estabeleceram limites apropriados à prática da democracia. A convergência foi adotada como método para construir a convivência coletiva civilizada. Hoje, os brasileiros vivem o pleno exercício da liberdade e podem continuar a fazer suas escolhas.

As Forças Armadas acompanharam essas mudanças. A Marinha, o Exército e a Aeronáutica, como instituições nacionais permanentes e regulares, continuam a cumprir sua missão constitucional e estão submetidas ao regramento democrático com o propósito de manter a paz e a estabilidade.

Os países que cederam às promessas de sonhos utópicos ainda lutam para recuperar a liberdade, a prosperidade, as desigualdades e a civilidade que rege as nações livres.

O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou.
FERNANDO AZEVEDO E SILVA

Ministro de Estado da Defesa




segunda-feira, 30 de março de 2020

PSICOLOGIA TEM UMA PALAVRA PARA DESCREVER JAIR BOLSONARO: SOCIOPATA


Crise do coronavírus deixa bem caracterizada a hipótese diagnóstica de que o presidente tem transtorno de personalidade antissocial Quer entender Jair Bolsonaro diante do coronavírus? Achille Mbembe, filósofo camaronês de 62 anos, é um bom guia. Um governante, diz ele, tem o poder de “definir quem importa e quem não importa, quem é ‘descartável’ e quem não é”, “quem pode viver e quem deve morrer”. Mbembe chama esse poder de “necropolítica”. 




Por  André Barrocal

Ao defender em cadeia nacional de rádio e tevê que o País funcione numa boa apesar da pandemia, o presidente manda ao corredor da morte idosos e pessoas com doenças preexistentes, grupos mais vulneráveis ao vírus, e os pobres que moram amontoados em favelas e podem contagiar mais facilmente parentes e vizinhos. Necropolítica contra 20 milhões de pessoas acima de 65 anos e 13 milhões de moradores de favelas. 

Na saída do Palácio do Alvorada no dia seguinte ao pronunciamento, Bolsonaro deu elementos para corroborar uma outra hipótese diagnóstica, esta de autoria de um profissional que já viveu o dia a dia do Conselho Federal de Psicologia. O presidente seria um “sociopata”, segundo esse analista, cujo nome será preservado.

“Você quer que eu faça o quê? Que eu tenha o poder de pegar cada idoso lá e levar: ‘fica aí, tem uma pessoa para te tratar’? É a família que tem de cuidar dele em primeiro lugar, rapaz. O povo tem que deixar de deixar tudo nas costas do poder público”, disse Bolsonaro, ao responder sobre o perigo que o fim da quarentena representaria a idosos enquanto o coronavírus estiver à solta. “Se não tiver ninguém, aí tem um asilo, tem o Estado, seja quem for.” O ex-capitão, comenta o psicólogo, expressa insensibilidade em relação a outras pessoas, busca sempre o conflito, é extremamente egocêntrico e nunca demonstra sentir culpa, arrependimento ou remorso. Sintomas de Transtorno de Personalidade Antissocial, ou sociopatia, alguns bem caracterizados na entrevista na porta do Alvorada em 25 de março.

“Boa parte das suas justificativas quando questionado apresenta uma alta insensibilidade em relação ao outro, uma quase total ausência de preocupação pelos sentimentos ou problemas dos outros, como faz sempre em relação às questões de gênero, orientação sexual, condição econômica e também como fez ontem no caso da gravidade do coronavírus para os idosos”, diz nosso analista. Ele traça sua hipótese diagnóstica com base no comportamento público do presidente e em contatos pessoais tidos no passado com o então deputado Jair Bolsonaro. E explica: sua análise tem como fonte técnica o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), da Associação Americana Psiquiátrica, largamente utilizado no mundo pela psiquiatria e a psicologia clínica. O presidente “age sem demonstrar culpa e/ou remorso quanto aos efeitos negativos ou prejudiciais deste seu comportamento sobre as outras pessoas, posto que ele agride e aparentemente gosta dos resultados (a psicanálise lacaniana chamaria de gozo), demonstrando toda a sua agressividade e sadismo”, observa o analista.

Desde o início do coronavírus, Bolsonaro encara o a pandemia como “histeria” e “gripezinha”. Até 27 de março, ao menos 77 brasileiros tinham morrido e mais de 3 mil estavam infectados. Até ali, o ex-capitão tinha sido incapaz de mostrar-se solidário com as vítimas. “A população está assustada, e o presidente não diz uma palavra para tranquilizá-la”, afirmou a líder do PCdoB na Câmara, Perpétua Almeida (AC).

De falar bem de si no meio da crise, foi capaz, em um entrevista coletiva em 18 de março. “Nosso time está ganhado de goleada. Duvido que quem vier me suceder um dia (acho muito difícil) consiga montar um equipe como eu montei. E tive a coragem de não aceitar pressões de quem quer que seja. Então, se o time está ganhando, vamos fazer justiça, vamos elogiar seu técnico, e o seu técnico chama-se Jair Bolsonaro.”

“O presidente apresenta uma característica bem forte de egocentrismo, buscando a todo momento passar a imagem e a crença de ser melhor do que as outras pessoas, justificando a todo instante ter este direito por ser grandioso, por merecer ser admirado, e dessa forma busca incessantemente atrair e tornar-se o centro das atenções. Note: não é um projeto, é ele”, explica o psicólogo.

Ele prossegue: Bolsonaro “faz uso, e neste caso se é consciente ou não fica difícil de saber, pois não temos acesso direto a ele, frequente de subterfúgios para influenciar ou controlar os outros, e sempre busca as insinuações para atingir seus fins. Também não apresenta, pelo menos de modo aparente, arrependimento por agir com base em representações deturpadas de si mesmo, como por exemplo fazer o papel de alguém que pratica esporte, que valoriza ser atleta fazendo flexões de braço que estão longe de ser uma forma correta de se fazer, inventando relatos de acontecimentos e fatos se estes venham lhe trazer algum benefício”.

No pronunciamento à nação em 24 de março sobre o coronavírus, o presidente tinha dito: “No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha”.

O tipo de transtorno de personalidade antissocial do ex-capitão, ressalta nosso psicólogo, “não pode ser tratado como loucura, como um distanciamento da realidade, como aqueles que vivem em um mundo à parte. Não é este o caso dele”. Bolsonaro, conclui ele, pertence “ao grupo das perversões”. 







 

domingo, 29 de março de 2020

BRASIL: CANDIDATO A PRÓXIMO EPICENTRO DA COVID -19.


O Brasil começa a assistir à escalada do número de casos sem ter, a essa altura, muito mais do que fazer senão não dar ouvidos ao Capitão atleta e manter a quarentena. 




POR PAULO HENRIQUE PINHEIRO, mestre e doutor em Imunologia pela UNIFESP

Nos dias 26 e 28 de janeiro fiz, em meu canal do YouTube dois alertas aos Ministérios da Saúde e da Economia.

Em síntese, os alertas pediam a elaboração urgente de Planos de Contingência para a transformação da epidemia de Covid-19 na China em pandemia, já que a doença começava a chegar na Europa e nos Estados Unidos.

Àquela altura já era claro, para mim e para muitos profissionais da saúde, que seria uma questão de tempo a Organização Mundial da Saúde declarar a Covid-19 como pandemia (fato que ocorreu em 11 de março de 2020). O Brasil registrou o primeiro caso dia 26 de fevereiro de 2020, exatamente um mês após meu primeiro alerta.

Em 30 dias, se o Ministério da Saúde e da Economia tivessem sido acionados pelo Presidente da República para estruturar os Planos de Contingência ante a iminente pandemia de Covid-19, o Brasil estaria em outra situação.

Não só tais Planos não foram feitos como o Presidente ainda foi com sua comitiva para uma viagem questionável para os EUA. No retorno, 23 membros da comitiva testaram positivo para a Covid-19 e há dúvidas se o próprio Capitão não teria a doença.

Se o Ministério da Saúde tivesse adotado uma postura preventiva em portos, aeroportos e postos de fronteira desde o final de janeiro, medindo a temperatura das pessoas e aplicando testes rápidos de Covid-19 por amostragem após anamnese (questionário de saúde) com a subsequente “quarentena” de 15 dias para os casos suspeitos; se tivesse desde o final de janeiro articulado a operação para aquisição de respiradores artificiais, máscaras e insumos para UTI; se tivesse desencadeado uma campanha nacional de esclarecimento e conscientização para o que viria, teríamos ganho ao menos 15 dias a mais para detecção do primeiro caso.

Parece pouco, mas em epidemiologia, isso seria muito relevante.

Se o Ministério da Economia tivesse desde o final de janeiro estruturado com os Governadores, Prefeitos, Câmara dos Deputados e Senado Federal, credores da União, Banco Central, Sindicatos e Federações Empresariais, um Plano de Contingenciamento econômico para o que viria, teríamos a essa altura uma rede de proteção social e econômica estruturada para apoiar a população mais vulnerável e os empresários, a bolsa teria sofrido menos perdas pela demonstração, aos investidores, por parte do Brasil, de ações protetivas antecipadas, consistentes e planejadas.

Mas não, muito ao contrário. O Capitão atleta significou a Covid-19 com uma “gripezinha” e não articulou seus Ministérios para preparar a Nação para o que viria (e ainda virá). A essa altura perdemos tempo de planejar e contingenciar. Temos tempo apenas para apagar incêndios. O Brasil foi privilegiado por assistir ao desastre na Europa e não fez seu dever de casa.

Nessa semana o Imperial College divulgou um estudo assinado por 50 cientistas, liderados pelo Dr. Neil Ferguson, que demonstrou por modelos matemáticos os impactos para o mundo e para o Brasil da pandemia de Covid-19.

No melhor dos cenários, com 75% dos brasileiros confinados em casa (os outros 25% mantendo os serviços essenciais funcionando), teremos 11 milhões de infectados nas próximas semanas com 44 mil mortos. No cenário de isolamento parcial (defendido por Bolsonaro e seus seguidores) teremos 120 milhões de infectados de 530 mil mortes. O pior cenário, prefiro nem falar.

Aqui faço meu terceiro alerta em 60 dias: o Brasil é sério candidato a ser o próximo epicentro da pandemia, após os EUA. A favor desse meu vaticínio – que preferiria não dar – estão alguns fatos: São Paulo, nosso atual epicentro, é uma das maiores metrópoles do mundo.

Possuímos péssimas condições de saneamento e habitação com um grande contingente de aglomerações humanas nas favelas de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Manaus, Brasília e Salvador; possuímos apenas 46 mil leitos de UTI distribuídos em apenas 600 cidades do país.

Nossa população envelheceu e se empobreceu e, mais importante que tudo isso, temos um presidente que não governa e um governo desarticulado com os governadores, Câmara dos Deputados, STF, com a imprensa e com boa parte da sociedade civil. Esses ingredientes nos tornam sérios candidatos a sermos a bola da vez da pandemia de Covid-19.

Bolsonaro é, também, sério candidato a genocida. Sua incompetência como chefe do Executivo, suas declarações e posturas nessa crise, incitando e participando das manifestações de 15 de março contra as recomendações da OMS, dando declarações a favor do não isolamento social – única arma que o mundo dispõe, atualmente –,  fazendo um pronunciamento absurdamente desprovido de bom senso e bases científicas e cedendo aos empresários e líderes evangélicos inescrupulosos para retornar as atividades normais no país, se tornará no grande responsável por milhares de mortes (talvez centenas de milhares) que ocorrerão no Brasil.

O Brasil começa a assistir à escalada do número de casos sem ter, a essa altura, muito mais do que fazer senão não dar ouvidos ao Capitão atleta e manter a quarentena.

Perdemos muito tempo e agora precisamos aguentar o tranco que virá. Aparentemente, o colapso no sistema de saúde deverá ocorrer no final de abril desencadeando ondas sistêmicas: a primeira será a grande procura pelos sistemas de saúde que lotarão leitos e UTIs; a segunda será o aumento da mortalidade pelo fato do sistema de saúde colapsado devolver doentes de Covid-19 e de outras doenças (AVC, infarto, acidentes, etc) para suas residências e lá, sem cuidados intensivos, terão elevada probabilidade de morrerem; a terceira será o fato de que hospitais lotados de pacientes com Covid-19 terão o vírus circulando em grande quantidade e profissionais de saúde adoecerão e ficarão ‘fora de combate’ (vide exemplo do Dr. David Uip e outros).

Haverá uma quarta onda sistêmica. Essa quarta onda nada mais será que o empobrecimento de quase todos. Só não estarão mais pobres os financistas de plantão pois estes estarão emprestando dinheiro para pessoas físicas, jurídicas e para o próprio governo para a conta da Covid-19.

Talvez, com um governo sério e comprometido, aos financistas caberia uma boa fatia de ‘colaboração forçada’ para a crise.

O vírus foi um acidente evolutivo. Bolsonaro é um acidente de nossa democracia. O segundo, bem pior que o primeiro.



GRUPOS DE EXTREMA DIREITA NO MUNDO COMEMORAM O CORONAVÍRUS E ATACAM QUARENTENAS


Sem representação política marcante, outros radicais acham o vírus bem-vindo. Neonazistas esperam fazer do vírus uma “arma secreta” para matar minorias. O fato foi reportado pela rede de notícias Al Jazeera, com sede no Catar . Os radicais esperam “construir uma nova sociedade” em cima dos escombros do novo coronavírus.
 
 Neonazistas esperam fazer do vírus uma “arma secreta” para matar minorias



Publicado originalmente no site Rede Brasil Atual (RBA)

Radicais de extrema-direita em todo o mundo estão irritados com estratégias para frear a pandemia do novo coronavírus, como isolamentos e quarentenas. Nos Estados Unidos, parte deles se voltaram contra o presidente, Donald Trump, até então querido por essa parcela da sociedade. Isso, porque Trump demorou, mas seguiu recomendações da Organização Mundial da Saúde e decretou isolamentos e quarentenas.

Um desses radicais é Timothy Wilson. Ele foi morto na terça-feira (24) por agentes do FBI após resistir à prisão. Isso, porque Wilson tentou explodir um hospital. Ele estava revoltado com a quarentena decretada na cidade de Belton, no estado do Missouri. O neonazista estava armado e planejava explodir uma bomba na unidade médica.

“Wilson decidiu acelerar seu plano de usar um dispositivo explosivo improvisado em um veículo na tentativa de causar danos graves e baixas em massa”, disse o FBI, em nota. O órgão policial também afirmou que o terrorista de extrema-direita já era monitorado por posições racistas e supremacistas.

Coronavírus: arma para radicais

O número de contaminados pelo novo coronavírus passa da marca de meio milhão. Os mortos devem alcançar os 30 mil neste fim de semana. Líderes mundiais de todas as orientações ideológicas, até aqueles que flertam com a extrema direita como Trump, estão adotando medidas de isolamento para conter a pandemia. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), vai na contramão. O político radical de extrema-direita desdenha da doença e da saúde pública.

Sem representação política marcante, outros radicais acham o vírus bem-vindo. Neonazistas esperam fazer do vírus uma “arma secreta” para matar minorias. O fato foi reportado pela rede de notícias Al Jazeera, com sede no Catar . Os radicais esperam “construir uma nova sociedade” em cima dos escombros do novo coronavírus.

Movimentos com tal ideologia possuem adeptos em países como Estados Unidos, Noruega, Ucrânia e Alemanha. Muitos deles se organizam por redes sociais como o Telegram. “É uma oportunidade para aumentar a tensão e defender a violência. Um canal neonazista popular convoca membros para tossir em sinagogas. Em outro, pedem para infectados com covid-19 espalharem saliva em policiais”, diz a matéria.




sábado, 28 de março de 2020

POVO BRASILEIRO SOB AMEAÇA DE UM GENOCIDA


O colunista Jeferson Miola afirma que Bolsonaro já pode ser considerado tecnicamente um gencida. Ele diz: "na maneira como conduz o governo e no comportamento pessoal ante a pandemia do coronavírus, Bolsonaro não deixa dúvidas de que é um genocida. Ele age deliberadamente para não impedir a disseminação descontrolada da infecção" 






Por Jeferson Miola

Bolsonaro apresenta características definidas no MSD [sigla em inglês do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais] compatíveis com o Transtorno de personalidade antissocial [TPAS] – aqui.

Na definição do MSD, “pessoas com transtorno de personalidade antissocial cometem atos ilegais, fraudulentos, exploradores e imprudentes para ganho pessoal ou prazer e sem remorsos; eles podem fazer o seguinte:

  • Justificar ou racionalizar seu comportamento (p. ex., achar que perdedores merecem perder, tomar cuidado com o número um)
  • Culpar a vítima por ser tola ou impotente
  • Ser indiferente aos efeitos exploradores e prejudiciais de suas ações sobre os outros”.

Na descrição do MSD, “pacientes com TPAS podem expressar seu descaso pelos outros e pela lei […]”, … “podem enganar, explorar, fraudar ou manipular as pessoas para conseguir o que querem (p. ex., dinheiro, poder, sexo)” … “são muitas vezes facilmente irritados e fisicamente agressivos; … “Não há remorso pelas ações” … “Esses pacientes não têm empatia pelos outros e podem ser desdenhosos ou indiferente aos sentimentos, direitos e sofrimento dos outros”.

Apesar desses notórios traços sociopatas, biologizar-se ou psicologizar-se o comportamento do Bolsonaro pode turvar a compreensão acerca do perigo ainda maior que ele representa, sendo um genocida no exercício do poder.

A Convenção da ONU para a prevenção e a repressão do crime de Genocídio, de 11 de dezembro de 1948, classifica Genocídio como “delito relevante na esfera do direito internacional e pertencente à categoria dos crimes contra a humanidade [Crimes de Guerra]” [Dicionário de Política, Norberto Bobbio e outros].

Para a ONU, Genocídio é “qualquer dos seguintes atos, cometidos com a intenção de destruir no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso: [a] matar membros do grupo; [b] causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; [c] submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial. …” [Convenção].

Na maneira como conduz o governo e no comportamento pessoal ante a pandemia do coronavírus, Bolsonaro não deixa dúvidas de que é um genocida.

Ele age deliberadamente para não impedir a disseminação descontrolada da infecção, em que pese as recomendações científicas descritas nos protocolos do próprio Ministério da Saúde e no Regramento Sanitário Internacional, que o Brasil é obrigado a seguir.

Bolsonaro deliberadamente também abandona e deixa desprotegidos mais 100 milhões dos brasileiros mais dramaticamente expostos aos efeitos econômicos da crise, notadamente  a população negra e periférica.

Com sua atuação irresponsável e criminosa, Bolsonaro sujeita o país a uma catástrofe econômica, sanitária e humanitária que causará um extermínio populacional seletivo.

Bolsonaro é um genocida que precisa ser urgentemente contido e afastado do cargo.

Em 6 de maio de 1952, em ato que incorporou a Convenção da ONU sobre Genocídio ao ordenamento jurídico nacional, Getúlio Vargas decretou “Que a referida convenção, apensa por cópia ao presente decreto, seja executada e cumprida tão inteiramente como nela se contém” [Decreto 30.822].

O Decreto 30.822 estabelece as condições legais para a Câmara dos Deputados autorizar o julgamento de Bolsonaro pelo STF, como estipula o artigo 86 da Constituição.

No artigo IV, a Convenção obriga a punição das “pessoas que tiverem cometido o genocídio, sejam governistas, funcionários ou particulares”, e estabelece o compromisso dos Estados nacionais a “tomar, de acordo com suas respectivas constituições, as medidas legislativas necessárias a estabelecer sanções penais eficazes aplicáveis às pessoas culpadas de genocídio”.

No artigo VI, a Convenção da ONU define que “As pessoas acusadas de genocídio serão julgadas pelos tribunais competentes do Estado em cujo território foi o ato cometido ou pela Corte Penal Internacional […]”.

Bolsonaro é uma ameaça muito maior que a pandemia do coronavírus. Ele expõe a maioria pobre e desvalida da população brasileira ao risco de morte e extermínio coletivo.

A trajetória de Bolsonaro é marcada pela apologia à tortura e pela idolatria de torturadores; pela ovação do estupro e pelo ódio às mulheres e a todas pessoas não enquadráveis na hétero-normatividade. Bolsonaro dizima os povos originários subsistentes, como as nações indígenas e os quilombolas, para entregar suas terras à ganância econômica.

A oligarquia dominante, que através do Estado de Exceção fraudou a democracia para colocar Bolsonaro no poder, agora tem a obrigação de julgá-lo, condená-lo e afastá-lo da presidência.

A deposição do Bolsonaro é um imperativo para a preservação de milhares – ou talvez, de milhões – de vidas de brasileiros e brasileiras ameaçadas de extermínio pelo genocida.



QUEM DA SUA FAMÍLIA PODE MORRER PRA ECONOMIA NÃO PARAR? CAPITALISMO OU MORTE? ATÉ QUANDO? 😥 #FORABOLSONARO