sexta-feira, 15 de março de 2019

A SEMENTE GIGANTE E A REINVENÇÃO DA DEMOCRACIA


É desta mulher que estamos falando. De uma história de luta e superação que dá esperança às maiorias cuja existência é reduzida ou aniquilada, para garantir o pacto de exclusão em que vivemos. 

 “Conheci Marielle no encontro Ocupa Política, em BH. Ainda me lembro da força de seu relato sobre o trabalho no mandato: assembleias com mulheres, prestações de contas em praças, rolezinhos na câmara de vereadores, projetos de leis construídos com a sociedade”



Hoje faz um ano do dia em que nos tiraram o chão. Do dia em que alguns covardes a mando de outros covardes dispararam 13 tiros contra um carro na região Norte do Rio de Janeiro. Do dia em que tiraram a vida de Marielle Franco e de Anderson Gomes, seu motorista. 

Marielle Franco. Mulher negra, favelada e lésbica, como ela mesma se descrevia, que foi a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016. Lutadora incansável pela vida, por justiça e igualdade. 

Marielle Franco, nascida e crescida na Maré – região que figura entre as de menor IDH do Rio de Janeiro. Mulher que sonhava um futuro diferente, para si e para sua gente, daquele que a sociedade reserva para pessoas de sua cor, gênero e CEP. 

Marielle, estudante secundarista que não teve aula de física em sua escola e que ralou por dois anos em um cursinho comunitário para passar no vestibular. Que teve uma amiga morta por uma “bala perdida” perto de sua casa e começou a atuar na luta por direitos humanos. 

Marielle, que teve uma filha aos dezenove anos, se separou do marido por ter passado por violência, se formou na faculdade, foi assessora parlamentar, coordenou comissões, fez mestrado e se tornou vereadora.

É desta mulher gigante que estamos falando. De uma história de luta e superação que dá esperança à enorme parte da sociedade brasileira que tem sua existência reduzida, inviabilizada ou aniquilada para garantir o pacto de exclusão em que vivemos. 

Conheci Marielle no final de 2017, no encontro Ocupa Política, em BH. Mediei uma mesa em que ela participou, sobre radicalização da democracia, e ainda me lembro da força de seu relato sobre o trabalho que faziam no mandato: assembleias com mulheres, prestações de contas em praças, rolezinhos na câmara de vereadores, projetos de leis construídos com a sociedade. 

Há quem diga que defensores dos direitos humanos defendem bandidos. Marielle mostrava a falácia dessa frase: ela defendia que as leis fossem cumpridas; os processos penais, respeitados. E se empenhava em combater violências de todos os lados, apoiando igualmente familiares de policiais assassinados

Há dois dias, foram presos dois acusados do assassinato de Marielle – um policial militar reformado e um ex-policial. Um deles é vizinho de Jair Bolsonaro. Sua filha namorou um dos filhos do presidente. O outro já foi fotografado abraçado com o presidente. 

Pode ser coincidência, mas a relação do clã Bolsonaro com milicianos vai muito além. Flávio Bolsonaro já prestou homenagem a membros do Escritório do Crime e empregou a mãe e a mulher de um miliciano foragido em seu gabinete. Quem não está cego de ódio já entendeu quem de fato defende bandidos. 

Já sabemos que quem apertou o gatilho foi o vizinho do presidente, mas a questão mais importante não foi resolvida: quem contratou o serviço? Porque não há democracia possível se a disputa política se dá na bala, na emboscada. 

Assassinaram Marielle, mas não sua luta, expressa na importância de mulheres e pessoas negras ocuparem as instituições. Hoje ela é a semente de uma sublevação que já deu as caras nas eleições de 2018. 

No Rio de Janeiro, três ex-assessoras da vereadora foram eleitas deputadas estaduais. Talíria Petrone, que era sua companheira de luta, foi eleita deputada federal. Em Minas, Áurea Carolina foi a 5ª deputada federal com maior votação. Andreia de Jesus, advogada popular que trabalhou boa parte da vida como empregada doméstica, foi eleita deputada estadual. 

Todas elas são mulheres negras. Todas elas lutam, como Marielle, por uma democracia de fato, em que todas as pessoas, independentemente de classe, cor, gênero e orientação sexual, tenham condições dignas de vida e oportunidades semelhantes. 

Um ano antes de ser brutalmente assassinada, Marielle deu uma entrevista a Beatriz Pedreira, do Instituto Update. Ao final, respondeu a algumas perguntas de bate-pronto: Um medo? Cair. Um sonho? Me manter firme. Seria preciso ouvir esta frase todos os dias, para termos sempre presente que, para tanta gente nesse país, se manter firme é um sonho. 

Você está firme, Marielle, nas sementes que brotam, na força que você é dentro dos que lutam por uma vida melhor. 



quinta-feira, 14 de março de 2019

O CLÃ BOLSONARO E OS EXTERMINADORES


Várias dessas pistas sobre o vínculo do clã Bolsonaro com os grupos de extermínio ficaram muito tempo escondidas nas sombras, para não fazer balançar ainda mais um governo sem rumo, encabeçado por um desequilibrado e seus filhos hidrófobos. Agora, porém, alguém acendeu a luz.
 


Carta maior

Por Eric Nepomuceno

A maré de más notícias para o clã presidencial cresceu: na véspera do aniversário de um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram detidos ontem (12/3), no Rio de Janeiro, os acusados Ronnie Lessa, sargento reformado da Polícia Militar fluminense, e Élcio Vieira de Queiroz, expulso da mesma corporação em 2016. Ambos integram uma “milícia”, como são conhecidos os grupos de extermínio paramilitares no Brasil, muitos deles formados policiais ativos, ex-policiais e bombeiros.

Qual a relação do clã Bolsonaro – tanto o presidente Jair quanto seus filhos Carlos, Eduardo e Flávio – com o caso?

Primeiro, os quatro passaram a vida elogiando a atuação das “milícias”. Quando era deputado nacional, por volta de 2008, o atual presidente chegou a cogitar que o Rio de Janeiro “exportasse milicianos para a Bahia” quando esse Estado enfrentava uma crise de violência e criminalidade, em declaração entre risos e grosserias.

Na mesma época, seu filho Flávio, então deputado estadual e hoje senador, concedeu ao ex-capitão da Polícia Militar, Adriano da Nóbrega, o reconhecimento máximo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nóbrega, hoje foragido da Justiça, é acusado de encabeçar o chamado “Escritório do Crime”, a milícia que controla uma das maiores favelas do Rio. E mais: o filho mais velho de Bolsonaro, também quando deputado, empregou a mãe e a mulher do miliciano em seu gabinete legislativo.

Mas não acabou aí: o também ex-policial militar Fabrício Queiróz, que por décadas funcionou como uma espécie de gerente-geral da família – amigo do papai, era tratado pelo trio de cães raivosos como um tio querido – está envolvido até o pescoço com desvio de dinheiro público, e possui uma intimidade absoluta com o fugitivo Nóbrega. Queiróz foi flagrado fazendo generosos depósitos na conta bancária não só do filho Flávio como também na da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em dois anos, passaram por uma das contas de Queiróz pouco menos de 2 milhões de dólares. Sua aposentadoria, somada ao salário de “assessor” de Flávio na Assembleia de Legislativa do Rio, jamais superou os cinco mil e poucos dólares mensais. Para justificar o inexplicável fluxo milionário em sua conta, Queiróz assegurou que comprava e vendia carros usados.

Em todo caso, durante muito tempo, nenhuma dessas evidências foi suficiente para que a clara proximidade – e admiração mútua – entre o clã Bolsonaro e os grupos de extermínio que operam no Rio ganhasse a devida repercussão nos meios.

Mas agora o fato ganhou um novo impulso: o assassinato de Marielle Franco e seu motorista é um tema cujo interesse vai além das fronteiras brasileiras, e o homem apontado como seu executor é vizinho de Bolsonaro pai, morador do mesmo condomínio de novos ricos na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Outro milagre da multiplicação dos recursos: com uma aposentadoria de pouco mais de 2 mil dólares, ele vive em uma casa que vale mais de um milhão.

Claro que ser vizinho está longe de significar algum vínculo mais próximo. Mas neste caso específico, as ligações são incontestáveis.

Sobram fotos de Bolsonaro pai com os dois detidos (especialmente com Élcio Vieira de Queiroz, que é apontado como motorista do carro que perseguiu o de Marielle e Anderson, enquanto Lessa efetuava os disparos). Ademais, uma das filhas de Ronnie Lessa teria sido namorada do filho mais novo do mandatário, e Lessa reiterava sempre – e jamais foi desmentido – que o fim desse namoro foi o que afastou as famílias.

Várias dessas pistas sobre o vínculo do clã Bolsonaro com os grupos de extermínio ficaram muito tempo escondidas nas sombras, para não fazer balançar ainda mais um governo sem rumo, encabeçado por um desequilibrado e seus filhos hidrófobos. Agora, porém, alguém acendeu a luz.

*Publicado originalmente em pagina12.com.ar | Tradução de Victor Farinelli


Fonte Carta Maior

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante

 

quarta-feira, 13 de março de 2019

BOLSONARO E O ASSASSINO QUE MORA AO LADO


Ou tudo isso é uma incrível e fantástica coincidência, ou então os Bolsonaro terão de encontrar meios convincentes e irrefutáveis para demonstrar que não têm nada a ver com esse crime bárbaro que atentou contra a vida da Marielle e do Anderson e alvejou o Estado de Direito. 




Por  Jeferson Miola

Qualquer pessoa decente ficaria aterrorizada ao saber que um matador de aluguel, frio e sanguinário, autor de um atentado bárbaro contra uma vereadora e contra a democracia, mora exatamente na mesma rua do seu condomínio, apenas 3 casas adiante da sua.

Quem não se aterrorizaria com o fato desse bandido ser um miliciano que armazena impressionante arsenal de 117 fuzis novos e centenas de munições em outro imóvel, e possivelmente é vinculado ao tráfico internacional e comércio clandestino de armas?

Incrivelmente, todavia, nada disso aterrorizou Bolsonaro, que não demonstrou nenhum assombro com o fato de Ronnie Lessa, o suspeito de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes, ser seu vizinho de rua, pai da namorada do seu filho e perigoso miliciano.

Em se tratando do presidente do Brasil, no mínimo se esperaria que Bolsonaro expressasse indignação, cobrasse explicações e demitisse os responsáveis por falha tão gritante do sistema de segurança da instituição Presidência da República [GSI e PF], que "não detectaram" o risco do assassino que mora na casa ao lado.

Bolsonaro, contudo, parece ter motivos secretos, íntimos e muito específicos para não se horrorizar com toda essa situação.

Um desses motivos, por exemplo, pode ser a "relação de trabalho" de Ronnie Lessa com o Escritório do Crime, milícia especializada em pistoleiros de aluguel chefiada pelo foragido Adriano da Nóbrega – cuja mãe trabalhou durante 1 ano e meio e cuja esposa atuou por 12 anos no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro.

A investigação provou que no dia da execução da Marielle, 14 de março de 2018, o carro usado por Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa no atentado – um Cobalt/GM prata – saiu de Rio das Pedras em direção ao centro da cidade do Rio para perseguir o carro da Marielle com o objetivo de perpetrar o ataque fatal.

Rio das Pedras, como se sabe, é o território controlado pelo Escritório do Crime. Não por coincidência, foi o local onde Fabrício Queiroz – o motorista, assessor, amigo e parceiro de pescarias, churrascadas e de maracutaias dos Bolsonaro – se refugiou em dezembro passado para fugir da polícia e da justiça para não prestar esclarecimentos sobre práticas de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito da "familícia" Bolsonaro.

Ou tudo isso é uma incrível e fantástica coincidência, ou então os Bolsonaro terão de encontrar meios convincentes e irrefutáveis para demonstrar que não têm nada a ver com esse crime bárbaro que atentou contra a vida da Marielle e do Anderson e alvejou o Estado de Direito.

Fonte Brasil 247

terça-feira, 12 de março de 2019

EXTRA: SAGENTO MATADOR DE MARIELLE, VIZINHO DE BOLSONARO ATUAVA COM ADRIANO, QUE EMPREGOU MULHER E FILHA EM GABINETE DO HOJE SENADOR FLÁVIO


Ninguém jamais havia investigado Ronnie Lessa. Embora os corredores das delegacias conhecessem a fama do sargento reformado, de 48 anos, associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação, Lessa era até a operação desta quarta-feira um ficha limpa. 




Extra: Sargento matador de Marielle, vizinho de Bolsonaro, atuava com Adriano, que empregou mulher e filha em gabinete do hoje senador Flávio 


Pela ordem, a partir do alto, à esquerda: condomínio onde moram a família Bolsonaro e o matador de Marielle; o modelo de automóvel que ele possui; Ronnie; Bolsonaro com o homem acusado de dirigir o carro; Queiroz com os Bolsonaro; a medalha Tiradentes; Adriano, o chefão foragido; a família Bolsonaro; almoço "em família"; Jair discursando na Câmara e no centro o Condomínio Portogalo, em Angra, onde o matador de Marielle tinha casa. Fotos Google, reprodução de redes sociais, Câmara dos Deputados e reprodução de vídeo. 


Pela ordem, a partir do alto, à esquerda: condomínio onde moram a família Bolsonaro e o matador de Marielle; o modelo de automóvel que ele possui; Ronnie; Bolsonaro com o homem acusado de dirigir o carro; Queiroz com os Bolsonaro; a medalha Tiradentes; Adriano, o chefão foragido; a família Bolsonaro; almoço "em família"; Jair discursando na Câmara e no centro o Condomínio Portogalo, em Angra, onde o matador de Marielle tinha casa. Fotos Google, reprodução de redes sociais, Câmara dos Deputados e reprodução de vídeo.  i

Segundo o diário carioca Extra, em reportagem assinada por Rafael Soares, o homem preso hoje como assassino de Marielle Franco, Ronnie Lessa, atuava com Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do grupo de matadores da região de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Ronnie Lessa é vizinho da família Bolsonaro num condomínio da Barra da Tijuca.

Com um salário líquido de menos de R$ 7.500,00, o sargento reformado tem casa no luxuoso condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, e andava em um automóvel importado e blindado, que custa mais de R$ 100 mil.

Adriano, por sua vez, está foragido.

Ele empregou a esposa Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e a mãe Raimunda Veras Magalhães no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

O hoje senador disse que ambas foram contratadas por Fabrício Queiroz, que em depoimento assumiu ser laranja dos Bolsonaro, ou seja, teria tomado “por conta própria” a decisão de desviar dinheiro de funcionários da Alerj para impulsionar o mandato do patrão.

Raimunda, a mãe do miliciano, fez uma transferência de R$ 4,6 mil para a conta de Fabrício.

Adriano foi homenageado duas vezes por Flávio, em 2003 e 2005. Na segunda ocasião, Adriano recebeu a mais alta condecoração do Rio de Janeiro, a medalha Tiradentes, quando estava preso, suspeito de homicídio.

Três meses depois, em outubro de 2005, o então deputado federal Jair Bolsonaro fez um discurso na Câmara dos Deputados informando que havia assistido ao julgamento de Adriano.

Bolsonaro protestou: segundo ele, a condenação tinha sido resultado de um único depoimento de um coronel da PM (leia íntegra no pé do post):

Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente, acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar.

 Reprodução O Globo

Sargento acusado de matar Marielle tem mansão em condomínio de luxo em Angra dos Reis


O sargento reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, preso na manhã desta terça-feira acusado de ser o responsável pelos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, tinha uma mansão de luxo no condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, na Costa Verde.

O local ficou famoso na década de 1990, quando o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna comprou uma casa lá.

A mansão, que tem uma lancha em seu interior, foi um dos bens do policial rastreados por agentes da Delegacia de Homicídios e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP do Rio durante a investigação.

Lessa ganhava uma aposentadoria bruta de R$ 8.191,53. Com os descontos, o valor líquido chegou, no último mês de fevereiro, a R$ 7.463,86.

Os agentes se surpreenderam com a quantidade de bens do policial. Lessa foi preso em sua casa no condomínio Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio Costa, 3.100, Barra da Tijuca.

O local, por coincidência, é o mesmo onde o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), mora.

O condomínio fica de frente para o mar, com seguranças na portaria. No local, os agentes apreenderam o carro de Lessa, um Infiniti FX35 V6 AWD blindado.

O modelo custa em média R$ 120 mil. Os agentes também descobriram que o policial viajava com frequência para o exterior.

Lessa é um caveira — como são conhecidos os agentes que tem o curso de Operações Especiais. Ele foi promovido, na década de 1990, por ato de bravura na PM.

Por isso, teve o salário aumentado, à época, em 40% por ser um dos agentes agraciados com a premiação por pecúnia.

A gratificação foi criada em 1995, durante o governo Marcello Alencar, para premiar quem participava de grandes operações.

Ela acabou após três anos de polêmica, já que o número de homicídios subiu no estado, o que fez o bônus ser apelidado de “gratificação faroeste”.

Ninguém jamais havia investigado Ronnie Lessa. Embora os corredores das delegacias conhecessem a fama do sargento reformado, de 48 anos, associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação, Lessa era até a operação desta quarta-feira um ficha limpa.

Egresso dos quadros do Exército, foi incorporado à Polícia Militar do Rio em 1992, atuando principalmente no 9º BPM (Rocha Miranda), até virar adido da Polícia Civil, trabalhando na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), com a mesma função da atual Desarme, na Delegacia de Repressão à Roubo de Cargas (DRFC) e na extinta Divisão de Capturas da Polinter Sul. A experiência como adido foi o motor da carreira mercenária de Lessa.

Também foi preso o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento no crime. Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Elcio de Queiroz foi expulso da corporação.

O condomínio onde moram Bolsonaro e o matador de Marielle. Google Maps


Arregimentado por contraventor

Lessa, como outros adidos, conhecia mais das ruas do que qualquer policial civil. Logo, destacou-se e ganhou respeito pela agilidade e pela coragem na solução dos casos. Esta fama, segundo os bastidores da polícia, chegou aos ouvidos do contraventor Rogério Andrade, na época cada vez mais ocupado em fortalecer o seu exército numa sangrenta disputa territorial com o também contraventor Fernando Ignácio de Miranda. Em jogo, o legado do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997.

Arregimentado por Andrade, Lessa não demorou a crescer na organização e ocupar o destacado posto de homem de confiança do chefe.

Até que, em abril de 2010, a explosão de uma bomba no carro do bicheiro não apenas matou o filho dele, Diogo Andrade, de 17 anos, como fulminou a credibilidade de Lessa junto ao chefe, por não conseguir protegê-lo, assim como sua família.

O guarda-costa e exímio atirador foi incapaz de evitar a morte do jovem.

Chama atenção que o método de detonação da bomba usada no atentado que matou o filho do contraventor, segundo peritos da época, foi o mesmo usado no atentado ao sargento da PM, em 2 de outubro de 2009.

Na ocasião, o sargento perdeu a perna. Um laudo do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil revelou que para explodir o Toyota Corolla blindado de Andrade foi usado um dispositivo acionado à distância por meio de um telefone celular.

Com a sua reforma por invalidez, Lessa acabou deixando de ser adido, mas ainda frequentava as delegacias da Polícia Civil, principalmente a antiga Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE).

Até que, em 2011, ciente da migração dos adidos para as fileiras do crime, a Secretaria de Segurança do Estado vetou para sempre a cessão de quadros da PM para a Polícia Civil e acabou com a DRAE.

A medida foi resultado da Operação Guilhotina da Polícia Federal, que investigou a corrupção policial envolvendo policiais civis e os adidos, além de integrantes da cúpula da instituição.

Com as portas fechadas na polícia, o ambiente mafioso tornou-se um caminho sem volta para Lessa.

A mira certeira, decisiva para a expansão territorial de Rogério Andrade, foi também o passaporte do ex-sargento para a organização criminosa formada por matadores de aluguel, considerada mais temida e eficiente do Rio.

Segundo a investigação, Lessa atuava junto com o ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, um dos fundadores do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel alvo da operação Os Intocáveis, do Ministério Público. Adriano está foragido até hoje.

Num cenário em que o dinheiro da corrupção garantia a impunidade destes mercenários, Lessa nem sequer se dava ao trabalho de agir às sombras. Para agenciá-lo, bastava dar uma passada no bar onde o ex-adido fazia ponto no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca.

Uma opinião unânime assombra os que conheceram Lessa pessoalmente. Há quem diga que ele é capaz de tudo para cumprir as empreitadas criminosas, sem medir as consequências.

Hábil no manejo principalmente de fuzis, é conhecido por gostar de atirar sentado, embora uma prótese moderna disfarce bem o problema físico quando em pé. Jamais volta para a base sem ter cumprido o que fora acertado com o contratante.

 Adriano, foragido. Reprodução de vídeo



O SR. JAIR BOLSONARO (PP-RJ. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de iniciar, peço à Deputada Juíza Denise Frossard que ouça minhas palavras, pois não tenho experiência nessa área e quero depois me aconselhar com S.Exa.

Na segunda-feira próxima passada, pela primeira vez compareci a um tribunal do júri.

Estava sendo julgado um tenente da Polícia Militar de nome Adriano, acusado de ter feito incursão em uma favela, onde teria sido executado um elemento que, apesar de envolvido com o narcotráfico, foi considerado pela imprensa um simples flanelinha.

Todas as testemunhas de acusação — seis no total — tinham envolvimento com o tráfico, o que é muito comum na área em que vivem.

O Tenente Adriano era o décimo militar a ser julgado pelo episódio. Cinco haviam sido condenados e quatro absolvidos.

O curioso é que o militar que apertou o gatilho e matou aquele elemento foi absolvido, e o tenente, que era o comandante da operação, condenado a 19 anos e 6 meses de prisão, sendo enquadrado inclusive em crime hediondo.

O que é importante analisar no caso?

Não considero que a Promotoria o condenou, Deputada Denise Frossard.

Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente, acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar.

Terminado o julgamento, ao conversar com a Defesa, fiquei sabendo que ela não conseguira trazer para depor o outro coronel que havia comandado o tenente acusado.

Por quê? Porque qualquer outro coronel que fosse depor favoravelmente ao tenente bateria de frente com o Coronel Menick, e, com toda a certeza, seria enquadrado por estar chamando de mentiroso o colega coronel.

Esse fato não poderia ter passado despercebido pelo juiz. Se bem que, nesse episódio, o juiz só entrou na parte final, na sala secreta.

Apesar disso tudo, poderia ter sido discutido o porquê de a Defesa não ter podido trazer nenhum outro superior ou comandante de batalhão em que tivesse servido o tenente.

E o que serviu para fazer com que os jurados o condenassem por 5 a 2 foi exatamente o depoimento do Coronel Menick, que falou sobre uma sindicância feita por ele à época.

Não vou entrar em detalhes sobre a desqualificação dos acusados ou sobre o fato em si. Entendo também, e V.Exa., Deputada Denise Frossard, deve concordar comigo, que o que tem de ser discutido é o que está nos autos, o que está fora dos autos não existe. Mas a palavra do coronel foi considerada.

Estou completando 16 anos de Brasília. É importante saber a quem interessa a condenação pura e simples de militares da Polícia do Rio de Janeiro, sejam eles culpados ou não.

Interessa ao casal Garotinho, porque a Anistia Internacional cobra a punição de policiais em nosso País, insistentemente.

É preciso ter um número xis ou certo percentual de policiais presos.

O Rio é o Estado que mais prende percentualmente policiais militares e, ao mesmo tempo, o que mais se posiciona ao lado dos direitos humanos.

Então, Sr. Presidente, não sei como podemos colaborar. O advogado vai recorrer da sentença, mas os outros coronéis mais modernos não podem depor, senão vão para a geladeira, vão ser perseguidos. E o tenente, coitado, um jovem de vinte e poucos anos, foi condenado.

Mas não foi ele quem matou, Deputada Denise Frossard! Quem matou foi o sargento, que confessou e, mesmo assim, foi absolvido no tribunal do júri.

A decisão, portanto, tem de ser revista.

Ao que parece, há um interesse muito grande por trás disso. Eu não sei como funcionam as promoções na magistratura, mas está mais do que comprovado que Coronel Menick está ao lado do Governo do Estado, que, repito, quer atender à Anistia Internacional e simplesmente punir por punir.

Isso não pode acontecer. Essa prática desqualifica, desmoraliza o tribunal do júri. E o tenente, como qualquer outro policial militar, não tem dinheiro para pagar um bom advogado, tem de se valer de um profissional sem muitos conhecimentos, que, numa hora dessas, não levanta todos os fatos. Eu, que não sou advogado, percebi isso e depois comprovei.

Esse comportamento não está certo, Deputado Reinaldo Betão.

Quero me assessorar com a Deputada Juíza Denise Frossard e com outros juízes para saber como podemos proceder no futuro.

Se um coronel vai depor e outro não pode fazê-lo porque será perseguido, o depoimento dessa autoridade tem de ser desqualificado.

Fonte Vi o Mundo

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante 

EIS O QUE ACONTE QUANDO A ARMA DE UM PRESIDENTE É A MENTIRA


Levantamento divulgado pela agência Aos Fatos mostra a falta de compromisso do presidente Jair Bolsonaro com a verdade e a precisão das informações divulgadas por ele 




Brasil 247

O chargista Aroeira, um dos maiores do País e membro do Jornalistas pela Democracia, divulgou nova charge nesta segunda-feira, 11, em que retrata o presidente Jair Bolsonaro em meio à enxurrada de fake news disseminadas por ele. 

Levantamento divulgado pela agência Aos Fatos mostra a falta de compromisso do presidente Jair Bolsonaro com a verdade e a precisão das informações divulgadas por ele; segundo o levantamento, em 68 dias à frente da Presidência da República, Bolsonaro deu 82 declarações falsas ou distorcidas. Temas mais frequentes de fake news do presidente são economia, ideologia e declarações a respeito de nomeações para a equipe de governo (leia mais).

O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter para atacar reportagem do UOL que falava sobre a nomeação do coronel Didio Pereira de Campos, ex-chefe da assessoria de imprensa do Exército, para um cargo de gerência de redes sociais do Governo, após polêmicas do mandatário nas redes sociais; mesmo com publicação da nomeação de Didio em Diário Oficial, Bolsonaro classificou a notícia como "fake news" (leia mais). 

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Fonte Brasil 247


segunda-feira, 11 de março de 2019

A DEMOCRACIA ENTRE O FUTURO E O PASSADO


Assim, o presente é hoje objeto de acirrada disputa entre as ruínas do nosso passado e os ventos do futuro, entre liberdade e autoridade, entre democracia e ditadura, cujos contornos e proporções só a luta política poderá definir. 




Por Liszt Vieira

Nem mesmo os mortos serão poupados do inimigo caso ele triunfe
(Walter Benjamin, Teses Sobre o Conceito de História )

O escritor francês Paul Valéry afirmou certa vez que "o problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costumava ser". Há certos momentos na História, como o que vivemos hoje no Brasil, em que se torna mais agudo o conflito do presente com a tradição do passado e a utopia do futuro. Creio que os exemplos citados neste artigo podem ser úteis para a compreensão da conjuntura atual.

Em sua conhecida obra "O 18 Brumário de Luís Bonaparte", Karl Marx afirmou que a História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. A frase cai como uma luva na história contemporânea do Brasil. A ditadura militar de 1964 foi a tragédia. O governo militar de Bolsonaro é a farsa.

Uma farsa adornada com goiabeiras, alegações esdrúxulas de marxismo cultural, negação da ciência, como o aquecimento global, tweet pornográfico, democracia como um “dom” dos militares, imposição nas escolas do hino nacional. Por ser ilegal, o ministro recuou do slogan da campanha de Bolsonaro. Só não recuou do "Brasil Acima de Tudo", imitação do lema nazista "Deutschland Über Alles".

Em matéria de recuo, em dois meses o atual Governo bateu o record: embaixada em Jerusalém, base militar americana no Brasil, caixa 2 no pacote contra o crime organizado, uma única arma em favor de quatro armas para cada indivíduo, nomeação de Ilona Szabó para suplente da Comissão de Política Criminal etc. Os generais controlam Bolsonaro que controla Moro que não controla ninguém. Anunciado como superministro, tornou-se hoje funcionário obediente.

Em uma passagem saborosa da obra citada acima, Marx explica o golpe que levou ao poder o medíocre sobrinho do famoso general Napoleão Bonaparte: "Em contrapartida, eu demonstro como a luta de classes na França criou circunstâncias e condições que permitiram a um personagem medíocre e grotesco desempenhar o papel do herói".

Ressalvadas as diferenças históricas, a frase pode bem se aplicar à vitória de Bolsonaro na última eleição. Mas, por detrás do medíocre e do grotesco do atual Governo, a política econômica neoliberal quer impor as chamadas "Reformas" para, no velho estilo dos Chicago Boys, enriquecer os ricos e punir os pobres, transferindo renda dos pobres para os bancos, as grandes empresas e os rentistas. Diz a lenda da Escola de Chicago que isso criaria empregos e riqueza, o que a experiência histórica mostrou que é falso, e ainda mais falso na atual era do capitalismo financeiro improdutivo. O passado desautoriza o presente.

No Brasil de hoje, o conceito e o destino do presente estão em disputa. Há cem anos, aproximadamente, o filósofo francês Henri Bergson definiu o presente como o passado projetando-se no futuro. A visão tradicionalista da extrema direita no poder parece inverter os termos da equação: o presente parece o futuro projetando-se no passado.

O quadro do pintor Paul Klee, Angelus Novus, que o filósofo alemão Walter Benjamin comprou em Munique no início dos anos 20 do século passado, foi citado na 9a. Tese de sua obra "Teses Sobre o Conceito de História" que vê o passado como uma paisagem de ruínas. O quadro mostra um anjo que parece querer afastar-se de algo que encara fixamente. É o "anjo da História", com o rosto dirigido para o passado, recebendo os ventos de uma "tempestade que o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso".

 A perspectiva crítica de seu amigo e contemporâneo, o filósofo Theodor Adorno, via no olhar melancólico de Benjamin uma visão apocalíptica judaica combinada com a tendência de ver o presente transformado no passado remoto (Scholem, Walter Benjamin and His Angel). Mas, com os pés fincados no chão do seu exílio na França, pouco antes da invasão alemã, W. Benjamin, no início de 1940, escreveu a seu amigo Gershom Sholem:

  "Cada linha que logramos publicar hoje - não importa quão incerto é o futuro no qual a despejamos - é uma vitória extraída dos poderes da escuridão". E em sua celebrada obra Teses Sobre o Conceito de História:

  "Nunca há um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie". Ou ainda:

   "A tradição dos oprimidos nos ensina que o "estado de exceção" em que vivemos é na verdade a regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a essa verdade".

Mais uma vez, sentimos a proximidade com a realidade brasileira de hoje. Na conjuntura atual, dois grandes planos se entrecruzam e sobredeterminam os conflitos políticos. O primeiro plano configura o conflito entre uma democracia enfraquecida e o que se poderia chamar de "tirania colegiada" que até agora substituiu a conhecida democracia de coalizão, uma vez que o presidente da república é controlado, pelo menos parcialmente, por um grupo de generais, de um lado, e pelo ministro a serviço do mercado, de outro. Responde também à sua "base" no twitter e à pressão dos evangélicos.

O segundo plano mostra o conflito entre a soberania nacional e o projeto do Governo de transformar o Brasil numa colônia americana ou numa província associada. A retórica patriótica do presidente e seus apoiadores se limita aos costumes tradicionais, aos símbolos, como a bandeira ou as cores verde e amarela, e às fronteiras territoriais. Essa visão "patriótica" apoia a privatização de empresas públicas e dos recursos naturais em favor das empresas transnacionais.

Esse tipo de patriotismo não leva em conta os direitos da população e silencia ou mesmo aprova a transferência de renda dos pobres para os ricos mediante as chamadas "reformas", como a da Previdência, entre outras. Não existe cidadania no patriotismo da direita. Quem discorda é considerado "estrangeiro", visto como diferente, e as diferenças são rechaçadas pelo atual Governo que rejeita a diversidade, seja humana ou biológica. Pior ainda: o diferente é visto como inimigo.

Lembrando a famosa metáfora de Shakespeare em sua obra Julio Cesar, utilizada por Ingmar Bergman no título de seu filme, o "Ovo da Serpente" já começou a chocar. Se não for morto enquanto estiver na casca, sabemos o que vai acontecer se vier à luz.

Para o teórico da economia Albert Hischman, o que move o mundo são as paixões e os interesses. Isso parece contrariar a tese de que “os mortos governam os vivos” (Auguste Comte), ou seja, são as ideias que governam o mundo.

Hegel considerava o presente como antítese do passado, visto como um peso que a humanidade carrega como um fardo. Para Marx, que via a História como conflito entre interesses de classe, “a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”. E, para o poeta inglês Chesterton, “tradição não significa estarem os vivos mortos, mas sim os mortos vivos”.

No Prefácio de seu livro Entre o Passado e o Futuro, a filósofa Hannah Arendt cita o escritor americano Faulkner: "O passado nunca está morto, ele nem mesmo é passado".

E acrescenta a autora:

"Esse passado ... ao invés de puxar para trás, empurra para frente e, ao contrário do que seria de esperar, é o futuro que nos impele de volta ao passado".

O tempo não é contínuo e o passado não é um fardo, mas uma força viva. É como força que o passado da escravidão permanece vivo no subconsciente e na cultura da elite dominante e também de boa parte da classe média brasileira, que se sente ameaçada quando os pobres, em maioria negros, melhoram de vida e se aproximam, como ocorreu no governo Lula. Isso é um divisor de águas a ser considerado na luta democrática no Brasil, uma vez que essa classe média ambiciona o nível de renda das camadas superiores e prefere governos autoritários que mantenham a desigualdade social.

Para enfrentar essa política que favorece os ricos em detrimento dos pobres, as forças vivas da sociedade civil devem cerrar fileiras para defender a democracia e a autonomia nacional ameaçadas pela política oficial de regressão e de alinhamento automático com os EUA. Ou caminhamos para o futuro, ampliando os espaços de liberdade e fortalecendo direitos, ou regredimos ao passado patriarcal do Brasil colônia.

Assim, o presente é hoje objeto de acirrada disputa entre as ruínas do nosso passado e os ventos do futuro, entre liberdade e autoridade, entre democracia e ditadura, cujos contornos e proporções só a luta política poderá definir.

Liszt Vieira - Professor, Advogado e Defensor Público no RJ

Fonte Carta Maior

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante