sexta-feira, 20 de abril de 2018

IMAGEM NO BAHAMAS É O EMBLEMA DO BRASIL ATUAL

 
República farmacopornográfica: Oscar Maroni simula assassinar mulher sob imagem de Cármen Lúcia e Moro no salão do Bahamas, casa de prostituição em São Paulo. Essa cena é emblema de um país dominado por elitistas, escravocratas e machos valentões 


Cena na Bahamas é emblema de um país dominado por elitistas, escravocratas e machos valentões. Como proporia Deleuze, é tempo de encontrar brechas não só para mudar a sociedade, mas a vida mesma



Por João Vitor Cardoso
 
O padrão majoritário é vazio. O homem macho, adulto, não tem devir. Pode devir-mulher e virar minoria.” Gilles Deleuze

Como observou Suely Rolnik em Outras Palavras, o script dos novos golpes de Estado “é um verdadeiro show de psicopatia”. A imagem de Cármen Lúcia sob o letreiro iluminado da boite Bahamas, enquanto Oscar Maroni simula assassinar uma mulher seminua, para alguns, celebra a vitória da moralidade pública contra a corrupção. A cena do corpo feminino extirpado, forçado ao ato de exposição sexual, abaixo do quadro de Cármen Lúcia, é não só metafórica, mas também paradoxal: um gran finale para o seriado pós-verídico que coroa o golpe de 2016.

É sexy gritar contra o Lula”, disse a coordenadora do Vem pra Rua. Por sua vez, Sabrina Boing Boing postou uma foto sensual para comemorar a ordem de prisão. Nessa senda, uma série de iniciativas e movimentos que não se dizem políticos, nem têm qualquer relação com a política representativa — não só cafetões moralistas, mas também elitistas, escravocratas, racistas, machos valentões — uniram Cármen Lúcia a Oscar Maroni. Esses novos personagens de poder, que apalpam e depauperam, que nos atravessam e nos torpedeiam, entorpecem, abaixo da linha da consciência, para não dizer, abaixo da linha da cintura. Seria a constatação de algum tipo de regime “narcoticosexual”, como diria Paul B. Preciado, vigente no Brasil?

Vale lembrar, a presidente da Suprema Corte (nota gramático-política: Cármen recusou o uso do termo presidenta), que não se confunde com a Musa da Lava Jato, desde o início adotou uma postura masculina: renunciou ao “fazer-se mulher” como categoria ético-política para engajar-se na vida pública, filiando-se a uma corrente ideológica segregada e dominada por homens embolorados.

Em Mil Platôs, Deleuze & Guattari (2008, 70) apontam que “todos os devires começam e passam pelo devir-mulher”. Os autores argumentam que a noção de “ser humano homem macho heterossexual branco adulto” é o ponto focal que estrutura o pensamento ocidental, que é excludente e repressivo em vários níveis. Em suma, dizem: “o padrão majoritário é vazio. O homem macho, adulto, não tem devir. Pode devir-mulher e virar minoria”. Ou seja, o homem não entra em devir porque, para a forma homem, que dizima modos de vida minoritários, frágeis, hesitantes, ora ainda nascentes, tudo está em segundo plano, tudo veio depois dele; ao passo que o devir-mulher, devir-revolucionário, causa a transformação daquilo que somos, questionando as instituições e acontecimentos que reproduzem as estruturas de dominação.

Com inspiração nestes conceitos, a pós-feminista Paul B. Preciado identifica na atualidade um regime farmacopornográfico, que se define por dois polos, que operam mais em convergência do que em oposição: a farmacologia (tanto legal quanto ilegal) de um lado e a pornografia de outro. Nesse sentido, como dispositivo virtual (audiovisual, masturbatório, cibernético), a Lava Jato foi alçada à qualidade de espetáculo sexual. A imagem que viralizou nas redes revela de forma singular a pragmática do capitalismo narcotisexual institucionalizado. Difícil ser mais explícito.

Sobre a presunção de inocência, mesmo com Lula preso, outros condenados em segunda instância seguirão soltos. O julgamento tão aberrantemente anti-isonômico, vale lembrar, não recebeu a benção dos gerontes mais antigos da Corte. A proteção de direitos fundamentais, a supremacia da Constituição, o império da lei, tudo isso cedeu ao triunfo da colonização do Poder Judiciário pela grande imprensa, esta responsável pelo modus operandi do novo regime colonial-capitalístico. O julgamento de quarta-feira (4 de abril) foi um atentado ao pudor, ou como disse Lenio Streck, “um tsunami jurídico”. Nessa jusante, “é preciso distinguir redemoinho de pororoca, quais direções são constituintes, quais apenas repisam o instituído e quais comportam risco de retrocesso institucional”, lembrando o alerta de Peter Pál Pelbart, ao comentar as jornadas de julho de 2013. É tempo de reativar a micropolítica tropical, nossa capacidade coletiva de descolonização do inconsciente e de resistir cotidianamente aos agenciamentos capitalísticos e neocoloniais que grassam por toda parte — não só para mudar a sociedade, senão a vida mesma. Nesse cenário de crise constitucional, a restauração da legitimidade de nossas lutas constituintes passa por devir-mulher, por devir-negro, por devir-animal, devires que estão na linha de frente da resistência à barbárie capitalista.



 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

GOLPE JUDICIAL NO BRASIL: PRENÚNCIO DE UM LONGO INVERNO?


O ex-presidente Lula está preso desde o dia 7 de abril. A elite branca havia digerido mal a eleição desse sindicalista, assim como a de sua sucessora, Dilma Rousseff, presa durante a ditadura militar. Estaria o Brasil revivendo o pior de sua história? 



Por Diogo Sardinha, filósofo português, 
ex-presidente do Colégio Internacional de Filosofia

Assim que a ordem para prender Lula da Silva foi dada pelo juiz de primeira instância, em 5 de abril, milhares de pessoas se dirigiram à sede do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, cidade industrial nos arredores de São Paulo, formando uma barreira protetora ao redor do ex-presidente brasileiro. Em outras cidades, atos de apoio foram rapidamente organizados, filmados ao vivo e transmitidos pela Internet.

Para quem se pergunta se Lula é realmente o líder corrupto que os tribunais condenaram, deve-se notar que, em um país como o Brasil, a justiça, infelizmente, não tem nada de justiça. Assim como não são iguais entre si no acesso à saúde, à educação e à moradia, os brasileiros não são iguais perante a lei. Igualdade é um conceito ausente no país. E as diferenças de raça, classe, sexo, são profundas demais ainda para garantir a imparcialidade das instituições. Se isso é verdade de maneira geral, é ainda mais quando se trata de Lula. Por ser o único sindicalista eleito e reeleito presidente em eleições livres, ele atrai todos os tipos de paixões, de grande admiração ao ódio visceral. Agora, mesmo um dos mais virulentos editorialistas de direita quando se trata do Partido dos Trabalhadores de Lula, Reinaldo Azevedo, reconhece que o ex-chefe de Estado é “vítima de um processo de exceção”.

Não foi apenas sua eleição que o subconsciente da elite branca e masculina nunca foi capaz de assimilar. Ela não suportou a eleição de uma mulher para a presidência do país, Dilma Rousseff, presa durante a ditadura, torturada pelos militares, mulher incorruptível que foi ultrajada, e cuja queda foi precipitada exatamente por sua intransigência em lidar com deputados e senadores desonestos. Foi com lágrimas nos olhos que, em 2014, ela apresentou o relatório da Comissão Nacional da Verdade, esforçando-se para explicitar alguns dos tantos não-ditos e das violações de direitos cometidos pelo regime militar (1964-1985). Dilma foi uma das grandes apoiadoras desta comissão. Como Lula, ela tornou-se alvo da grande mídia, especialmente do conglomerado Globo, que, ao ser instaurada a ditadura militar, 54 anos atrás, saudou o golpe como a restauração da ordem e democracia.

O resultado disso tudo é que o Brasil é um país dilacerado. No mês passado, Lula, Dilma e o PT saíram em uma caravana pelos três estados do sul, os menos favoráveis %u20B%u20Ba eles. Aqui e ali, líderes dos partidos aliados se juntaram a eles em atos públicos. Onde quer que parassem, uma multidão entusiasmada se reunia. No entanto, à beira da estrada, alguns manifestantes jogaram ovos e depois pedras contra a caravana, às vezes sob o olhar complacente da polícia. Alguns se organizaram em milícias protofascistas e agrediram verbal e fisicamente os apoiadores de Lula. Em seguida, tiros foram disparados contra o ônibus em que a imprensa viajava acompanhando a caravana. No mesmo dia do ataque, Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo e candidato derrotado por Lula na eleição presidencial de 2006, reagiu: "Eles colhem o que plantaram". No dia seguinte, pressionado por seus correligionários e como "bom democrata", ele retificou: "Todas as formas de violência devem ser condenadas". Tarde demais. Seu pensamento mais profundo já havia sido revelado.

Ódio político

Na Internet, por outro lado, o discurso de ódio não está sujeito a nenhuma correção ou sanção, como mostra a enorme quantidade de comentários violentos postados e nunca moderados. Esse discurso também se materializa em insultos contra artistas, como ocorreu com Chico Buarque. O notável cantor e compositor, também ex-exilado da ditadura e apoiador de Lula, disse durante um show em dezembro que moradores do Leblon, bairro rico do Rio onde mora, às vezes gritam quando ele passa: "Viado, vai pra Cuba! Vá passear em Paris!”. Nada disso o impediu de se sentar novamente ao lado de Lula, diante de uma multidão que lotou o Circo Voador, em sua última reunião de apoio no Rio, no dia 2 de abril.

Ainda que o ódio político – de classe, de raça, de sexo – não seja o único motor desta história, faz muitas vítimas. A mais conhecida é, sem dúvida, a vereadora Marielle Franco, de 38 anos, negra, da favela, esperança da política popular, executada no mês passado em sua cidade, o Rio de Janeiro, capital de um estado do Rio controlado, já na época do assassinato, pelo exército, por decisão do presidente Temer. Sua execução, cujos responsáveis podem nunca ser identificados, foi a primeira do gênero, e ganhou repercussão internacional.

Diante das explosões de ódio, Lula respondeu que seu partido não vai oferecer a outra face àqueles que os atacarem. O partido deu queixa contra os agressores já identificados. O ex-presidente também reiterou que o ódio só leva à destruição. Ele se colocou na posição de um possível conciliador, como nos anos 2000, e um pouco como Mandela antes dele, na África do Sul. Mas a hora do apaziguamento ainda não parece ter chegado. Hoje, no Brasil, é obrigatório escolher um lado.

Os onze juízes do Supremo Tribunal Federal entenderam bem isso. Na véspera do julgamento final do caso, o Chefe do Estado-Maior do Exército tuitou: “O Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”. Os militares sentem-se à vontade para tomar posições públicas em questões políticas ou judiciais, e Temer considerou que a manifestação demonstra apenas "liberdade de expressão".

Lula foi preso no sábado, o mesmo local onde, em 1980, agentes da ditadura militar o capturaram. O país está num impasse ainda mais grave. E se sabemos como ele poderia sair do impasse com dignidade – com o respeito das regras da já tão degradada democracia representativa – ninguém parece ter certeza se essa via ainda está aberta. Mesmo atrás das grades, a influência de Lula continuará a ser uma ameaça para essas elites corruptas e terá grande peso nas próximas eleições. Haveria outra solução trágica, que conhecemos muito bem: o assassinato de Lula e a instauração de uma ditadura militar que colocaria "todos em seu devido lugar". Tal fim não é inevitável, mas não é mais algo impensável. Se a gangue criminosa que está no poder chegasse a tal extremo, o Brasil seria jogado de volta aos piores momentos de sua história. E toda a América Latina entraria num longo inverno dos povos.

Tradução de Clarisse Meireles

A ERA DO LINCHAMENTO E ÓDIO


Para celebrar a prisão injusta do Lula, um gigolô serviu cinco mil litros de cerveja de graça aos fedelhos do MBL. Enquanto chupava os peitos das mulheres nuas diante dos baners da ministra Carmem Lúcia e do juiz Moro, prometeu repetir a bebedeira libertina por conta da casa o mês inteiro, se alguém matasse o ex-presidente na cadeia. E foi mais além: o devasso disse que daria o próprio rabo, caso a morte do Lula fosse sofrida, executada de modo cruel. 




Por Antonio Cavalcante Filho 

É visível a todos que, nos últimos cinco anos, uma escalada dramática de esfacelamento dos valores de solidariedade e humanismo, paralelo a uma crescente consagração ao ódio e idolatria ao fascismo, tem se esparramado pelos mais diversos escalões da pirâmide social em nosso país.

Até parece que, desde 2013, com as manifestações em junho, quando milhões de pessoas sairam às ruas pedindo mais direitos e menos corrupção, abriram a “caixa de pandora”, deixando todas as maldades do mundo campear livremente entre nós.

Entre uma e outra maldade, rasgaram a Constituição brasileira, derrubaram uma presidente legitimamente eleita, sequestraram o Estado Democrático de Direito, roubaram direitos dos trabalhadores, tramaram contra a Previdência, diminuíram recursos para a educação, saúde e outras áreas sociais, prejudicando os mais pobres, enquanto sucateiam, fatiam e entregam as nossas empresas e riquezas para as multinacionais.

Hoje, ninguém consegue prever onde e como tudo isso vai terminar, o que mais será derretido, quebrado e quais valores terão validade. A incerteza e o medo do porvir são sentimentos cada vez mais presentes entre nós.

Linchamentos passaram a ser um fenômeno constante no Brasil, seja ele moral e midiático e/ou mesmo o físico, dirigido contra uma pessoa contra a qual pese qualquer dúvida, ou, caso não a tenha, fabricam, como fizeram ao condenar e prender, mesmo sem provas, o ex-presidente Lula.

A falta de respeito à vida, ao ser humano, se degradou a tal ponto, que um gigolô, denunciado inúmeras vezes pelo crime de exploração e tráfico de prostitutas, proprietário de um prostíbulo, para celebrar a prisão injusta do único presidente que reduziu a pobreza e a desigualdade no Brasil, serviu cinco mil litros de cerveja de graça aos fedelhos do MBL.

A cena que se segue é surreal, bizarra, absurda. Enquanto chupava os peitos das mulheres nuas diante dos baners da ministra Carmem Lúcia e do juiz Moro, o cafetão prometeu repetir a bebedeira libertina por conta da casa o mês inteiro, se alguém matasse o ex-presidente na cadeia. E foi mais além: o devasso disse que daria o próprio rabo, caso a morte do Lula fosse sofrida, executada de modo cruel.

Em áudio vazado do voo que levou para cumprir pena em Curitiba, aquele que deixou a Presidência com 87% de aprovação, o maior líder popular da história, alguém pede aos responsáveis pelo voo que jogue “esse lixo janela abaixo”.

Há poucos dias, o Brasil assistiu atônito o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes e, logo em seguida, vem a notícia do assassinato de Carlos Alexandre Pereira, que depôs no último dia 6, no Caso Marielle.

Entre os grandes linchadores, podemos citar movimentos burgueses, como o tal MBL e a eterna golpista Rede Globo e seus satélites, além de setores conservadores de igrejas que imputam falsamente a outras religiões, como o candomblé, como sendo seitas demoníacas, e opções que tratam de gênero e sexualidade como se fossem doença ou afronta aos “homens de bens”.

Dias atrás, uma simples escultura num museu foi criticada por esses grupos fascistas, e transformada artificialmente em drama nacional, atingindo em cheio a classe artística. A Globo transmite as notícias sob a ótica que lhe interessa (esconde o próprio rolo com o crime de sonegação, o caso da CBF que levou “gente boa” para a cadeia) e programas como Big Brother Brasil são artificialmente transformados em “case” de sucesso, emburrecendo os telespectadores.

O fato é que a política foi criminalizada, mas os sucessores no “comando” da gestão pública, juízes e procuradores, não estão sendo capazes de oferecer as respostas que a sociedade procura. Creio que seja de conhecimento mediano o tamanho da influência que as organizações criminosas possuem, emanando ordens diretamente dos presídios.

Em alguns bairros de cidades periféricas de Mato Grosso, uma simples frase pichada no muro, com a ordem adequada e a assinatura do responsável, torna aquela área “livre de crimes”. Sobre isso e a inoperância da polícia de Pedro Taques, (o governador tucano, e o primeiro a passear pelo Brasil em apoio ao golpe), envolvida nos episódios vergonhosos das gravações clandestinas, voltaremos a falar no momento adequado.

Por hoje, atenho-me em apenas nas minhas impressões sobre o crescente despertar dos linchamentos e do ódio provocados por notícias falsas e interesses não republicanos.

Segundo o sociólogo e pesquisador Jose de Souza Martins, autor da obra “Linchamentos, a justiça popular no Brasil”, o nosso país está entre os que mais lincham no mundo. Conforme ele narra no livro, todos os dias são registrados nada menos que quatro linchamentos e tentativas de cometimento desta barbárie. 

Nos últimos 60 anos, mais de um milhão de brasileiros participaram de ações de justiçamento de rua. O referido pesquisador busca explicar as raízes profundas dessa antiga prática, que chama de “verdadeiro ritual de loucura coletiva”. 

Acreditamos que as crescentes boatarias, as chamadas fakenews (notícias falsas) que se espalham com a velocidade equivalente a de tornados, cujo teor interessa a setores políticos e econômicos, estejam entre os grandes males da sociedade contemporânea. Basta dizer que o movimento de valorização ou depreciação de ações de empresas que negociam nas bolsas de valores, templos do capitalismo, depende basicamente de fofocas, temores e notícias falsas. 

Quero dizer que as notícias falsas estão entre os insumos que interessam diretamente ao capitalismo. Assim como dizem que a propaganda é a alma do negócio, a mentira, para eles, é uma mina de dinheiro. 

O assunto é tão grave que já foi criado um termo para especificamente classificar as fake news: trata-se do “pós-verdade”, um conceito que, trocado em miúdos, significa “mentira”. 

Isso quer dizer que a mentira, devidamente tratada pelos meios de comunicação corporativos de massa, ou pelos mentores de redes sociais, é um produto que gera lucros, faz novos milionários, transfere riquezas, cria acusações criminais, derruba presidentes, leva pessoas inocentes ao cárcere, e disso vem resultando numa sociedade pobre e despolitizada.

Segundo reportagem da revista Carta Capital, a lista de ações de violência por linchamentos, que tem como argumento penalizar crimes de rua, é grande, onde todos os meses são noticiadas ocorrências, tipicamente dessa natureza, Brasil afora.

O linchamento moral começa com a humilhação pública, em que a morte moral da pessoa é planejada como se fosse um roteiro de filme ou uma novela da Rede Globo. Diariamente, em seus telejornais (por onde as fakenews se propagam com ares de “verdade”) e programas de auditórios, pessoas e reputações são expostas. Essas mesmas informações, travestidas de notícia, são reproduzidas em jornais impressos, e outras mídias repetidamente acabam por fundamentar processos judiciais.

A “Rede Golpe de Televisão” propaga fakenews diariamente. Com raras exceções, as notícias podem ser tratadas como pós-verdade. E foi essa técnica monstruosa, utilizada por Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, na Alemanha nazista, que levou os coxinhas midiotas e nazi-doidos saírem às ruas do Brasil, cheios de ódio pedirem a derrubada da Dilma, mesmo sem crime de responsabilidade, e a condenação sem provas do ex-presidente Lula. Mas, como diria o juiz da República de Curitiba: “isso não vem ao caso”.

Antonio Cavalcante Filho, o Ceará, é sindicalista e escreve neste espaço às sextas-feiras - E-mail: antoniocavalcantefilho@outlook.com

Fonte RD News

domingo, 15 de abril de 2018

DATAFOLHA REAFIRMA: LULA É IMBATÍVEL E POR ISSO MESMO ESTÁ PRESO


As elites brasileiras são vampiras. Sugam o sangue do povo e não aguentam a luz. Por isso, prenderam Lula, para lançá-lo ao ambiente que os ricos brasileiros destinam aos que sentem ameaçá-los: a escuridão do cárcere. Ou da cova rasa, se a prisão não for suficiente. 




Por Mauro Lopes

A pesquisa do DataFolha mostra, sem qualquer sombra de dúvida, que Lula é imbatível nas eleições. 

1) Mesmo depois do maior circo midiático da história brasileira, com anos de perseguição ao ex-presidente.
 
2) Mesmo com uma pesquisa feita quatro dias depois da prisão, ainda sob o impacto do verdadeiro horário eleitoral (pago, não gratuito) de mais de uma semana em regime 24 por 7 no qual se transformou a cobertura anti-Lula das mídias comerciais.

3) Mesmo com toneladas de opinião canalha da malta de jornalistas e "analistas" sabujos que têm espaço farto nas mídias veiculadas diuturnamente.

4) Mesmo com medidas de exceção e mentiras construídas e divulgadas pelo Judiciário.

Mesmo assim, Lula GANHA DE LAVADA as eleições. Há um caso de amor entre o povo brasileiro e Lula: 

1. 31% das intenções de voto, mais do dobro do segundo colocado.

2. Vitória tranquila no segundo turno.

3. Capacidade de levar nomes do PT inexistes eleitoralmente (Haddad e Jacques Wagner) de no máximo 2% das intenções de voto no primeiro turno a uma condição de competitividade no segundo.

O POVO QUER LULA. Mas a elite deu o golpe dentro do golpe para prendê-lo sem provas e impedi-lo de concorrer. É a única maneira que os ricos têm para impedir sua derrota nas eleições.

O candidato do coração dos ricos, Alckmin, continua patinando, é um peso morto. Tanto que o texto editorial da Folha apresentando a pesquisa (sim, porque não se trata de reportagem) começa a indicar que Marina pode ser a opção desesperada das elites.

O fascista Bolsonaro segue em segundo lugar; mas o homem, visivelmente desequilibrado, capaz de lançar o país numa ditadura de corte nazista e numa guerra civil em duas semanas, começa a ser colocado para fora do pleito em outra ação das elites. Bolsonaro é para as elites brasileiras o que o Exército Islâmico foi para os EUA: foi patrocinado, apoiado, teve todo espaço para crescer e combate o(s) inimigo(s) das elites brasileiras ou, no caso dos ISIS, dos americanos. O problema é que com todo o apoio, ganhou musculatura e tornou-se uma ameaça. Agora, preso Lula, as elites preparam a destruição de Bolsonaro-ISIS.

As elites brasileiras são vampiras. Sugam o sangue do povo e não aguentam a luz. Por isso, prenderam Lula, para lançá-lo ao ambiente que os ricos brasileiros destinam aos que sentem ameaçá-los: a escuridão do cárcere. Ou da cova rasa, se a prisão não for suficiente.

A manchete da Folha é como sempre uma distorção da verdade. Mas o jornalismo das máquinas de mídia em tempos de guerra nada tem a ver com a verdade. É arma de propaganda para a vitória, como ensinou Goebbels, que se tornou o intelectual de cabeceira dos Frias, Marinho, Civita e outros que conseguem ser ainda menores que eles.

Fonte Brasil 247

sábado, 14 de abril de 2018

WALLERSTEIN: ROTEIRO PARA MARX, DUZENTOS ANOS DEPOIS



Voltar a Marx ainda é indispensável para entender a lógica e a dinâmica do capitalismo. Seu trabalho é também uma ferramenta muito útil que propicia uma análise rigorosa sobre a razão pela qual falharam os prévios experimentos socioeconômicos para substituir o capitalismo por outro modo de produção. Uma explicação dessas falhas é crítico para nossa busca contemporânea por alternativas. 


No bicentenário do filósofo alemão, capitalismo parece mais brutal que nunca. Qual a atualidade do principal crítico do sistema? Por que lê-lo no original – não em segunda mão?

Outras palavras


Por Marcello Musto
Tradução: Inês Castilho

Durante três décadas, a ideologia e políticas neoliberais foram praticamente incontestes em todo o mundo. Contudo, a crise econômica de 2008, as profundas desigualdades que existem em nossa sociedade – particularmente entre o Norte e o Sul globais – e as dramáticas questões ambientais do nosso tempo levaram vários acadêmicos, analistas econômicos e políticos a reabrir o debate sobre o futuro do capitalismo e a necessidade de uma alternativa. É nesse contexto que hoje, em quase todo canto do planeta, na ocasião do bicentenário do nascimento de Marx, há um “retomada de Marx”: um retorno a um autor erradamente associado no passado com o dogmatismo marxista-leninista e, dessa forma, precipitadamente descartado depois da queda do Muro de Berlim.

Voltar a Marx ainda é indispensável para entender a lógica e a dinâmica do capitalismo. Seu trabalho é também uma ferramenta muito útil que propicia uma análise rigorosa sobre a razão pela qual falharam os prévios experimentos socioeconômicos para substituir o capitalismo por outro modo de produção. Uma explicação dessas falhas é crítico para nossa busca contemporânea por alternativas.

Immanuel Wallerstein, pesquisador sênior na Universidade de Yale, está entre os maiores sociólogos vivos e um dos acadêmicos mais qualificados para discutir a relevância atual de Marx. Ele é leitor de Marx há muito tempo, e seu trabalho tem sido influenciado pelas teorias do revolucionário nascido em Trier, em 5 de maio de 1818. Wallerstein escreveu mais de 30 livros, traduzidos em várias línguas, incluindo o muito conhecido The Modern World-System (O Moderno Sistema-Mundo), publicado em quatro volumes entre 1974 e 2011. Na entrevista a seguir, ele fala sobre a atualidade do marxismo.

Trinta anos depois do fim do chamado “socialismo real”, continua a haver publicações, debates e conferências em todo o globo sobre a capacidade de Marx para explicar o presente. Isso é uma surpresa? Ou você acredita que as ideias de Marx irão continuar a ter relevância para aqueles que buscam uma alternativa ao capitalismo?

Há uma velha história sobre Marx: você o joga fora pela porta da frente e ele entra de novo pela janela traseira. Foi o que aconteceu mais uma vez. Marx é relevante porque temos de lidar com questões sobre as quais ele ainda tem muito a dizer e porque o que ele disse é diferente do que a maioria dos outros autores disseram sobre o capitalismo. Muitos colunistas e acadêmicos – não apenas eu mesmo – achamos Marx extremamente útil e hoje ele está numa de suas novas fases de popularidade, a despeito do que quase todos previram em 1989.

A queda do Muro de Berlim liberou Marx dos elos com uma ideologia que tinha pouco a ver com sua concepção de sociedade. A paisagem política que se seguiu à implosão da União Soviética ajudou a libertar Marx do papel de uma figura de proa para um aparato estatal. O que, na interpretação do mundo de Marx, continua a merecer atenção?

Quando as pessoas pensam num conceito da interpretação do mundo de Marx, elas pensam em “luta de classes”. Quando leio Marx à luz das questões atuais, penso que a luta de classes significa a necessária luta do que eu chamo a Esquerda Global – que acredito tenta representar os 80% da base salarial da população mundial – contra a Direita Global – que representa talvez 1% da população. A luta é a respeito dos outros 19%. É sobre como trazê-los para seu lado, evitando que se associem ao outro.

Vivemos numa era de crise estrutural do sistema-mundo. O sistema capitalista existente não pode sobreviver, mas ninguém pode saber ao certo o que irá substituí-lo. Estou convencido de que há duas possibilidades: uma é o que chamo de “Espirito de Davos”. O objetivo do Forum Econômico Mundial de Davos é estabelecer um sistema que mantém as piores características do capitalismo: hierarquia social, exploração e, sobretudo, polarização da riqueza. A alternativa é um sistema que deve ser mais democrático e mais igualitário. A luta de classes é a tentativa fundamental de influir sobre que futuro irá substituir o capitalismo.

Sua reflexão sobre a classe média me faz lembrar a ideia de hegemonia de Antonio Gramsci, mas penso que a questão é também entender como motivar a massa do povo, os 80% que você mencionou, para participar da política. Isso é particularmente urgente no chamado Sul global. Ali, a oposição à globalização neoliberal tem sido frequentemente canalizada para o apoio aos fundamentalismos religiosos e partidos xenófobos. Estamos vendo esse fenômeno crescer cada vez mais também na Europa. Marx nos ajuda a entender esse novo cenário? 

Em primeiro lugar, Marx nos explicou melhor que qualquer outra pessoa que o capitalismo não é o modo natural de organizar a sociedade. Em A Miséria da Filosofia, publicado quando tinha apenas 20 anos, ele já zombava dos economistas políticos burgueses que argumentavam que as relações capitalistas “são leis naturais, independente do influência do tempo”. Marx escreveu que “houve história, uma vez que nas instituições do feudalismo encontramos relações de produção bastante diferentes daqueles da sociedade burguesa”, mas que tais analistas não aplicam o conceito de história ao modo de produção que apoiam: eles representam o capitalismo como “natural e eterno”. Em meu livro Historical Capitalism eu tentei afirmar que o capitalismo é o que ocorreu historicamente, em oposição a certas ideias vagas e pouco claras, sustentadas por vários economistas políticos do mainstream. Argumentei várias vezes que não há capitalismo que não seja capitalismo histórico. Para mim é simples assim, e devemos muito a Marx.

Em segundo lugar, quero ressaltar a importância do conceito de “acumulação primitiva” – ou seja, a despossessão do campesinato de suas terras – que foi o alicerce do capitalismo. Marx entendeu muito bem que esse foi um processo chave na constituição da dominação da burguesia. Aconteceu no começo do capitalismo e ainda acontece hoje.

Finalmente, eu convidaria a uma maior reflexão sobre a questão “propriedade privada e comunismo”. No sistema estabelecido na União Soviética – particularmente sob Stálin – o estado detinha a propriedade mas isso não significava que o povo não estava sendo explorado e oprimido. Estava. Falar sobre socialismo num só país, como fez Stalin, era também algo que nunca entrou na cabeça de ninguém, inclusive Marx, antes daquele período. Temos de saber quem está produzindo e quem está se beneficiando da mais valia se queremos estabelecer uma sociedade melhor. Isso tem de ser inteiramente reorganizado, em comparação com o capitalismo. Essa é a questão chave para mim.

O ano de 2018 marca o bicentenário do nascimento de Marx e novos livros e filmes foram dedicados a sua vida. Há algum período de sua vida que considera mais interessante?

Marx teve uma vida muito difícil. Ele lutou com uma pobreza pessoal severa e teve a sorte de ter um companheiro como Friedrick Engels que o ajudou a sobreviver. Marx não teve uma vida fácil também emocionalmente, e sua persistência em tentar fazer o que considerava ser seu trabalho de vida – a compreensão do modo como o capitalismo opera – era admirável. Isso é o que ele se via fazendo. Marx não queria explicar o passado, nem definir como seria o socialismo do futuro. Estas não eram as tarefas que ele se colocou. Ele queria entender o mundo capitalista em que estava vivendo.

Marx não era meramente um acadêmico isolado entre os livros do Museu Britânico de Londres, mas sempre um militante revolucionário envolvido nas lutas de sua época. Devido ao seu ativismo, ele foi expulso da França, da Bélgica e da Alemanha durante a juventude. Foi também forçado a exilar-se na Inglaterra quando as revoluções de 1848 foram derrotadas. Ele participou jornais e revisas e sempre apoiou os movimentos trabalhistas de todas as maneiras que podia. Mais tarde, de 1864 a 1872, tornou-se o líder da Associação Internacional dos Trabalhadores, a primeira organização transnacional da classe trabalhadora e, em 1871, defendeu a Comuna de Paris, primeiro experimento socialista da história.

Sim, é verdade. É essencial lembrar a militância de Marx. Como você ressaltou recentmente no volume Workers Unite!, ele tinha um papel extraordinário na Internacional, uma organização de pessoas que estavam fisicamente distantes umas das outras, num tempo em que não existiam mecanismos de comunicação fácil. A atividade política de Marx envolvia também a atividade jornalística. Ele não tinha nenhuma intenção de ser neutro. Foi sempre um jornalista comprometido.

Em 2017, na ocasião do 100º aniversário da Revolução Russa, alguns acadêmicos retomaram o contraste entre Marx e alguns dos seus seguidores que estiveram no poder durante o século 20. Qual a principal diferença entre eles e Marx?

Os textos de Marx são iluminadores e muito mais sutis e variados do que algumas interpretações simplistas de suas ideias. É sempre bom lembrar a famosa piada em que Marx dizia: “Se isso é marxismo, é certo que não sou um marxista”. Marx estava sempre pronto a lidar com a realidade do mundo, não como muitos outros que impuseram dogmaticamente sua visão. Marx mudava de ideia frequentemente. Estava constantemente buscando soluções para problemas que percebia estarem desafiando o mundo. É por isso que ele ainda é um guia muito útil e proveitoso.

Para concluir, o que gostaria de dizer às gerações mais jovens que ainda não descobriram Marx?

A primeira coisa que tenho a dizer para os jovens é que eles precisam lê-lo. Não ler sobre ele, mas ler Marx. Poucas pessoas – diante das muitas que falam sobre ele – de fato leram Marx. Isso vale para Adam Smith. Em geral, as pessoas somente leem sobre esses clássicos. As pessoas aprendem sobre eles através dos relatos de outras pessoas. Querem economizar tempo mas é uma perda de tempo! As pessoas devem ler autores interessantes e Marx é o teórico mais interessante dos séculos 19 e 20. Não há dúvidas sobre isso. Ninguém é igual a ele quanto ao número de coisas sobre as quais escreveu, nem à qualidade de suas análises. De modo que minha mensagem às novas gerações é de que vale tremendamente descobrir Marx. Mas você deve ler, ler e ler os livros dele. Leia Karl Marx!

 Fonte Outra Palavras

https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante

sexta-feira, 13 de abril de 2018

SENHA PARA LIBERAR A BARBÁRIE


Ao amalgamar justiça e vingança, o que vimos no Brasil, no impeachment e golpe jurídico midiático contra Dilma Rousseff, na Operação Lava Jato e no fetiche por prender Lula, foi essa assimetria que transformou um impulso e processos decisivos por justiça e contra a corrupção em uma senha que libera o devir fascista, o ressentimento social e a vingança que só deseja a morte do outro, do inimigo social, outro gênero, outra cor da pele, outras crenças. 

Oscar Maroni simula assassinar mulher sob imagem de Cármen Lúcia e Moro no salão do Bahamas, casa de prostituição em São Paulo



Por Ivana Bentes

A fotografia do altar erguido ao juiz Sérgio Moro e a ministra Carmem Lúcia em uma casa de prostituição, com o dono de uma boate de luxo mostrando a genitália desnuda de uma das suas contratadas enquanto lhe tapa a boca, chama atenção por sua constelação de signos.

Vestido de preso/torturador/irmão metralha, Oscar Maroni, o dono da boate Bahamas Club, comemora a prisão de Lula distribuindo cerveja grátis para três mil pessoas, cumprindo uma promessa alardeada pelas redes como as do MBL. O que diz a imagem, que evoca tanto a iconografia da prisão de Abu Ghraib quanto uma cena de Salò ou os 120 dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini – ou ainda cenas de tortura da deep web -, é exatamente essa libido diante da sujeição do outro: voltamos ao comando!

Podemos infringir nosso poder aos corpos: das mulheres, das minorias, podemos comandar o espetáculo politicamente incorreto, porque vencemos. Como nos estupros pós-guerra, como nas cenas de torturas da ditadura militar. Poder, sexualidade e assujeitamento. Uma multidão de homens brancos que cultua Bolsonaros, armas e assujeitementos de todo tipo. Eu gozo com o teu sofrimento, eis a trip regressivo-vingativa travestida de “justiça”, moralidade e combate à corrupção em que estamos.

Como sublinha Friedrich Nietzsche, toda reivindicação por justiça traz junto de si um desejo primário de vingança, mas essas duas coisas não se confundem, ou não deveriam se confundir. É o que distingue a civilização da barbárie. Poder separar nossos piores instintos de uma justiça construtiva e pedagógica. Ao amalgamar justiça e vingança, o que vimos no Brasil, no impeachment e golpe jurídico midiático contra Dilma Rousseff, na Operação Lava Jato e no fetiche por prender Lula, foi essa assimetria que transformou um impulso e processos decisivos por justiça e contra a corrupção em uma senha que libera o devir fascista, o ressentimento social e a vingança que só deseja a morte do outro, do inimigo social, outro gênero, outra cor da pele, outras crenças.

Teríamos que nos empenhar em produzir dispositivos que separem justiça de vingança. Um processo profundo de reencantamento na potência das lutas e disputas dos imaginários.

Fonte https://revistacult.uol.com.br/home/lula-justica-e-vinganca-quando-a-prisao-e-um-voo/



O CAFETÃO DONO DE UM PUTEIRO DE LUXO É A MELHOR TRADUÇÃO DO TEMPO DE BARBÁRIE QUE VIVEMOS

"Se o Lula for preso, a cerveja é de graça até a meia noite. Agora, se matarem ele na prisão, a cerveja vai ser de graça durante o mês inteiro", disse Maroni no vídeo. Outro homem que está numa mesa junto ao empresário questiona caso a morte seja com crueldade. "E se for sofrida a morte?". Quando Maroni respondeu: "Aí eu dou meu rabo", em tom jocoso.