quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Seminário na sede da CNBB exige aprovação imediata da Campanha Ficha Limpa

“Em um país, onde o máximo de cidadania encontrada na maioria da população se resume a votar de dois em dois anos por pura obrigação é notável pensar em jovens que se unem para debater, discutir e questionar idéias sobre assuntos relativos a não só seu bem estar social mais também a vida política por uma vista liberta de idéias partidárias, idiossincrasias midiais alienadoras, pensar em jovens que revolucionam seu modo de pensar e agir perante a uma sociedade carente de pessoas participativas da vida política existente na mesma, pessoas que exercem seu direito de cidadania”.(Wagner Lafaiete)


Seminário na sede da CNBB exige aprovação imediata da Campanha Ficha Limpa


O seminário “Ficha Limpa em Questão – para discutir é preciso conhecer”, que aconteceu na tarde de hoje, 1° de dezembro, na sede da CNBB, em Brasília, destacou os principais pontos da Campanha Ficha Limpa: seus objetivos, novidades com relação a lei anterior, Lei 64/90, e os valores em favor da sociedade.

O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, afirmou durante sua fala, aquilo que já vem repetindo desde o ano passado, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). “O que queremos com essa nova lei é que os candidatos se apresentem à população com suas fichas limpas, que tenham conduta para se candidatarem a cargos públicos. Não se trata de uma campanha contra o mandato de políticos, mas sim em favor da democracia. É por isso que exigimos a aprovação imediata da nova lei”.

O seminário também teve a presença do secretário adjunto da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à Conferência dos Bispos, Daniel Seidel, que falou da importância da participação popular, como elemento indispensável para a conquista da democracia e para o acompanhamento do controle social. “Hoje contamos com 40 organizações no MCCE, que lutam por uma articulação nacional que precisa da participação popular. Com esse projeto queremos defender a democracia contra a compra de votos e o uso da máquina administrativa”, sublinhou.

Durante o seminário, foi exposto também em painel, os principais pontos do projeto de lei de iniciativa popular e suas semelhanças com a Lei 9.840, que já cassou 238 prefeitos e vice-prefeitos e 119 vereadores, números com base em levantamento feito nas eleições de 2008. No painel, também foi colocado que o projeto torna mais rígidos os critérios de inelegibilidade, ampliando assim, o poder de alcance da Lei 64/90.

O jurista e ex-presidente do Conselho Federal da OAB, , destacou em seu discurso que o país não pode mais aceitar a falta de conduta na política brasileira e que os políticos devem desenvolver através de cargos públicos aquilo que eles prometeram honrar quando foram eleitos. “Não é mais admissível que se pratique nesse país estelionato eleitoral: essa é uma regra básica da política. O país precisa de pessoas de conduta regular e essa lei que está vindo, sendo aprovada quer dizer que as condutas irregulares devem ser varridas da política e os infratores devem ser condenados por seus crimes. É urgente que o Congresso o aprove e o presidente sancione essa iniciativa popular”, frisou o jurista.

Lavenère também alertou sobre a resistência da nova lei. “Esse novo projeto reflete para a sociedade que não podemos conviver com crimes que já tenham sentença em julgado [que passou por todos os recursos, foi julgado e o réu ainda não foi condenado]. Esse projeto clama para que os processos não passem 15 a 20 anos sendo engavetados e os criminosos continuem a ser beneficiados. É por isso que ele é tão necessário”, concluiu o jurista.

Ainda compondo a mesa, o jornalista e editor do site Congresso em Foco, falou sobre o trabalho do portal e de seu engajamento no mesmo trabalho que está sendo exercido pelo MCCE. O jornalista apresentou no fim de sua fala, alguns números de parlamentares que respondem processo na justiça. “Estamos engajados na Campanha Ficha Limpa, pois esse trabalho é coerente ao do site Congresso em Foco. Somos pioneiros no levantamento de processos de parlamentares. Cito aqui alguns números de nosso trabalho: em 2007, 101 parlamentares foram processados por falta de decoro. Em setembro desse ano, esse número subiu para 160. Hoje, 46 deputados federais e 7 senadores são réus movidos pelo Supremo Tribunal Federal”, enumerou.


Pressão
Para pressionar a votação e aprovação do Projeto no Congresso, o MCCE prepara uma grande mobilização na Câmara dos Deputados, no dia 9 de dezembro. Nesta data se comemora o Dia Mundial de Combate à Corrupção. Na ocasião, serão entregues mais de 100 mil assinaturas do Projeto de Lei de iniciativa popular que ainda chegam diariamente ao escritório do MCCE.


Fonte: CNBB.org.br