sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

ZILDA ARNS, A MULHER, A BRASILEIRA E A FALTA EXTREMA.

O Brasil tem muitas coisas ruins. Corrupção, descaso das autoridades, letargia e alienação da população e uma classe política infestada pela corrupção extrema. Mas o Brasil também tem muitas coisas boas. Pessoas que lutam para transformar a vida do povo em algo mais digno, alguns raríssimos políticos honestos e interessados no futuro do país e um povo com um coração enorme.



Zilda Arns era uma dessas pessoas que poderia ter sucumbido às tentações do dinheiro fácil e de um enriquecimento tocado pela grana mole que vinha o exterior ou que era doada por pessoas de todas as classes sociais e por empresas. Ao invés de se beneficiar de uma situação, Zilda Arns preferiu encarar a dureza da realidade do povo pobre e batalhar para melhorá-la. Mas, ela não fazia isso com “bolsas-esmolas” ou com assistencialismo transitório. Fazia isso com ciência, educação, instrução e muita propriedade.

Determinada a levar o conhecimento que salva vidas para os mais pobres e os mais carentes; desenvolveu um programa de suporte as mulheres grávidas e a crianças que verdadeiramente foi o responsável pela retirada do Brasil das primeiras colocações dos rankings de mortalidade infantil. Foi ela e não os governos e os políticos que mobilizaram mentes e braços em prol do trabalho duro e sério para libertar os pobres da ignorância e das conseqüências funestas desta.




Uma mulher de coragem que poderia viver uma vidinha pacata e confortável ou ter sido uma pessoa muito rica e “respeitada” entre os políticos e autoridades nacionais. Aproveitando boquinhas e benesses que lhe eram oferecidas aos montes.

Felizmente para milhões salvos por ela, Zilda Arns preferiu apenas fazer o seu trabalho. Preferiu ser uma mulher de força, de honra e levar um pouco de luz às trevas que cercavam as favelas e os mais longínquos rincões de nosso país.

Ela agora morre no Haiti levando aquele povo igualmente sofrido um pouco da sua luz, do seu amor e da sua sabedoria. Como ocorre com os grandes vultos da humanidade, Zilda Arns foi tirada de nós ainda muito cedo. E, também como todo grande vulto, a sua falta será extrema e jamais poderá ser satisfeita nos corações e mentes do que necessitam e clamam na escuridão da ignorância e da morte por alguém que os ensine e os erga do profundo abismo do abandono.

Que descanse em paz.

Fonte: Visão Panorâmica