"Devemos pois, reverenciar os escroques, os pulhas, os corruptos e os estelionatários que tomaram de assalto cada nervo e cada célula de nosso país". - VP
Ontem foi dia 21 de abril. Um feriado nacional que marca o dia da morte do nosso mártir da inconfidência mineira e da independência: Joaquim José da Silva Xavier – O Tiradentes.
Uma data que deveria ser comemorada em nome da reverência a uma alma que deu o bem mais precioso que possuía, a sua própria vida, pela causa da nossa independência. Mas, o que vimos?
A mídia repetindo e mostrando “ad nauseandum” as comemorações do aniversário de Brasília e, em alguns canais, as manifestações promovidas pela Igreja Universal. Nenhuma única linha, palavra ou citação sobre o motivo do feriado. A única frase que nos lembrava a quem devíamos o feriado era dita ao apresentarem as matérias: “Hoje é feriado de Tiradentes…” – e olhe lá.
Onde estavam os atores que representavam, há alguns anos atrás, a marcha fatídica do condenado pelas ruas do Rio de Janeiro; da cadeia – hoje Assembléia Legislativa – até a atual Praça Tiradentes, onde seria enforcado e esquartejado? Onde estavam as comemorações cívicas, as manifestações das autoridades e a perpetuação de uma tradição de honra e sacrifício em prol e de uma ideia e de um ideal?
Poucos sabem, mas Tiradentes nem era um dos líderes do movimento. Sequer era um dos mais influentes e graduados inconfidentes. Muito pelo contrário. Era pobre e tinha o posto militar mais baixo entre todos os que participaram do movimento. Mas, porque então foi o único executado?
Muito simples: Apesar de ser o mais pobre e o mais simplório dos inconfidentes, Tiradentes era um homem de honra. Ao ver todos os que juraram libertar o Brasil da opressão da Coroa Portuguesa jurarem lealdade ao rei e voltarem atrás em suas palavras; Tiradentes resolveu que não trairia a sua própria palavra empenhada e nem venderia os seus ideais pelas sedutoras propostas da Coroa. Ao ser o único a reafirmar os motivos pelos quais lutava; Tiradentes selou o seu destino e entrou para a história.
E é justamente esse legado de honra e de integridade que demonstra com toda a clareza os motivos pelos quais a figura de Tiradentes perde relevância rapidamente no Brasil de hoje. Somos uma nação de “malandros”, “espertos” e de políticos que mudam de opinião como o vento muda de direção. Somos o país do “jeitinho”, da “maracutaia”, das pensões alimentícias pagas com dinheiro público, dos netinhos de senadores que arrumam emprego para namorados, dos que revogam o irrevogável e dos que riem enquanto milhões padecem nas filas de hospitais superlotados, transformados em gigantescas máquinas de moer gente.
A honra de ser brasileiro, hoje, está – segundo o próprio presidente Lula – reservada aos grandes homens que são dotados de uma biografia invejável e acima de qualquer outro ser humano. Pessoas como José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, José Genuíno, José Dirceu, Roberto Jefferson, Delúbio Soares, José Arruda e tantas outras “ilibadas excelências” admiradas por nosso presidente.
A reverência da nação não deve mais ser dada àqueles que defenderam a honra, a retidão de caráter ou a luta pela liberdade acima de qualquer coisa. Deve estar ao lado dos que lutaram pela bolsa ditadura e pelos que se dizem perseguidos e presos políticos, sem jamais terem gozado de tal status.
O herói do Brasil atual deve ser alguém como Luiz Carlos Prestes que, mesmo tendo a mulher entregue aos nazistas por Getúlio Vargas para ser morta, aliou-se a ele logo depois – em nome de um “projeto político”.
Devemos pois, reverenciar os escroques, os pulhas, os corruptos e os estelionatários que tomaram de assalto cada nervo e cada célula de nosso país. Nessa nova realidade e nesse novo Brasil, homens como Tiradentes e tantos outros heróis do passado glorioso de nossa nação são meros personagens dispensáveis e frutos da propaganda ditatorial militar.
E eu bebo a isso!
A Sentença.
Portanto condenam o réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi do Regimento pago da Capitania de Minas, a que, com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes, pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios das maiores povoações, até que o tempo também os consuma, declaram o réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu; [...]
Fonte: Visão Panorâmica
