As evidências apontam que Eder era o verdadeiro operador do esquema financeiro ilegal, agindo como articulador e arquiteto das transações e, em muitas delas, o teria feito a mando e no interesse de Maggi, então governador, e seu vice na época, Silval.
Da Redação
Representação da Polícia Federal que pediu a prisão preventiva do
ex-secretário de Estado, Eder Moraes (PMDB) aponta que o senador Blairo
Maggi (PR) e o governador Silval Barbosa (PMDB) teriam cometido,
juntamente com ele, o chamado “crime do colarinho branco”.Durante as
investigações que deram origem à Operação Ararath, após o cumprimento de
mandados de busca e apreensão na residência do empresário Gércio
Marcelino Mendonça Junior, o Junior Mendonça, evidenciou-se que suas
empresas, Globo Fomento e Comercial Amazônia de Petróleo serviam aos
interesses de Eder e atuavam sob um esquema de operação ilegal de
“instituição finaceira”.
As evidências apontam que Eder era o verdadeiro operador do esquema
financeiro ilegal, agindo como articulador e arquiteto das transações e,
em muitas delas, o teria feito a mando e no interesse de Maggi, então
governador, e seu vice na época, Silval.Conforme as provas obtidas
durante a operação, Eder operava em conjunto com Junior Mendonça,
responsável por passar, direta ou indiretamente, os recursos, exercendo,
assim, a função de um banco clandestino que viabilizava, de forma
segura, as operações de interesse do grupo que seria representado pelo
ex-secretário sem chamar a atenção dos órgãos de controle.“Eder Moraes,
Silval Barbosa e Blairo Maggi, portanto, incorreram no mesmo crime de
operar à margem do Sistema Financeiro Nacional, conduta tipificada no
art. 16 da Lei 7.492/86”, destaca trecho da representação que levou à
prisão de Eder.
A referida legislação é conhecida como “Lei do Colarinho Branco” e o
artigo destacado define como crime contra o sistema financeiro “fazer
operar, sem a devida autorização, ou com autorização obtida mediante
declaração falsa, instituição financeira, inclusive de distribuição de
valores mobiliários ou de câmbio”.Beneficiado com delação premiada, em
seu depoimento à Polícia Federal (PF), Junior Mendonça declarou que seu
primeiro contato com Eder se deu através de Silval.
De acordo com o delator, o então vice-governador o teria procurado em
2008 solicitando um empréstimo no valor de R$ 4 milhões oferecendo,
como garantir de pagamento, uma nota promissória avalizada pelo
ex-secretário.Ainda, conforme a declaração de Junior Mendonça, Silval
teria solicitado os recursos a fim de levantar fundos para o PMDB, do
qual era presdiente do diretório regional na época, para a campanha das
eleições municipais.
O empresário também afirma que, na oportunidade, o então
vice-governador, afirmou que Maggi tinha conhecimento do pedido.Após o
segundo encontro, quando teria ocorrido a entrega dos cheques,
descontados no período de julho a agosto de 2008, somente Eder passou a
assumir as tratativas com o empresário.
Este foi ao gabinete do então secretário cobrar o pagamento do débito
que até março de 2009 não havia sido quitado.Foi a partir de então que
criou-se uma relação permanente entre eles, mediante o saldo devedor que
se tornou constante.
Eder pagava uma parte do débito e deixava outra pendente, de forma a
se manter o vínculo. A referida nota teria sido quitada por meio de
pagamento efetuado pelo Escritório Tocantins Advocacia num valor a maior
do que o devido.
Sendo assim, Eder teria cobrado o repasse de R$ 2 milhões e avisado
que haveria novos pagamentos na conta de Junior Mendonça, a serem
efetuados por um dos sócios do escritório, Kleber Tocantins e o
empreiteiro Wanderley Torres, que receberiam em conjunto R$ 19 milhões
referentes a um precatório da Hidrapar com a Sanemat, que por sua vez,
teria sido beneficiado pela não observância à ordem de pagamento.A
partir de então, o pagamento dos empréstimos realizados junto a Junior
Men-donça eram feitos sempre por empresas. O empresário relatou que não
tinha relações comerciais com as mesmas, no entanto, chegou a simular
venda de 868 mil litros de biodiesel para a Encomind, num total de R$
1,9 milhão.“Chama a atenção o fato de que, coincidentemente, na mesma
data da emissão da nota fiscal, em 1 de setembro de 2009, durante a
gestão do ex-governador e atual senador Blairo Maggi, o Governo de Mato
Grosso empenhou para a Encomind o valor de R$ 12,386 milhões referentes a
pagamento relativo ao restabelecimento do equilíbrio econômico e
financeiro decorrente de contrato firmado com o Dermat/DVOP, cujo
pagamento foi efetivado em 3 de setembro de 2009”, traz a representação.
Representante da defesa de Silval, o advogado Valber Melo afirma que
as acusações não tem procedência e que os fatos deverão ser esclarecidos
nos autos do processo, que continuam tramitando sob sigilo de justiça
no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o inquérito no qual o
governador e Maggi são investigados.
Fonte Folha Max
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