Pobre Mato Grosso. Tem neste momento mais uma chance de purgar essa chaga, ao menos esse grupo político-delinquente. Resta saber até que ponto as instâncias de correição vão permitir a faxina. E até que ponto os cuiabanos e matogrossenses em geral estão interessados nisso.
Por Fábio Pannunzio
É inacreditável o que o comprometimento das instituições de um Estado
pode fazer contra sua população. O Mato Grosso, como a Polícia Federal e
o MPF estão demonstrando sobejamente, é o Reino de Hades da política. A
corrupção generalizada contamina praticamente todo o Legislativo, uma
parte do Judiciário e o Executivo. A imprensa é venal e se vende por
qualquer migalha. Os jornais daquele estado, como eu demonstrei meses
atrás, também se valem dos desvãos e dos favores dos corruptos para
faturar alto. Roubam do contribuinte até na venda de assinaturas.
Todo mundo está no bolso desse meliante chamado José Geraldo Riva.
Ele dispensa apresentações. A despeito da sua longuíssima folha corrida,
o assaltante travestido de deputado era bajulado de maneira escancarada
pelos colegas-gatunos. A ponto de ter permanecido despachando na sala
da Presidência da Assembléia Legislativa, de onde a Justiça mandou
sacá-lo há alguns meses, até a véspera de ser trancafiado desta vez pela
PF.
É preciso citar que Riva já havia sido cassado duas vezes quando foi
reeleito para presidir a ALMT com a quase totalidade dos votos (apenas
uma deputada não o sufragou). E que todos, literalmente todos,
permitiram que ele continuasse ocupando as instalações e usurpando as
funções de presidente do parlamento. Os jornalistas de Cuiabá nunca
viram isso, apesar das inúmeras entrevistas convocadas e concedidas por
Riva a eles próprios num ambiente em que o larápio não deveria estar.
O presidente de direito, que se chama Romoaldo (mas é conhecido como
Roboaldo pela população), é um fraco submisso, serviçal de Riva e seus
esquemas. Não teve coragem sequer para tocar o meliante do gabinete que
ele deveria estar ocupando quando a Justiça assim determinou. Não é por
acaso que o chefe do propinoduto cuiabano foi levado para a PF de
Brasília. Em Cuiabá, o pouco de seriedade que resta ao Poder Judiciário
não consegue remover esse câncer chamado corrupção e suas múltiplas
metástases na institucionalidade. Até o Ministério Público está
contaminado.
Não é por acaso que Cuiabá é um canteiro de obras desconexas, inúteis
e mal dimensionadas. E todas elas com problemas na execução — problemas
que vão das suspeitas de desvio de dinheiro (muito dinheiro) até a
simples incompetência gerencial que conspurca o cronograma. É a capital
brasileira que mais está atrasada nos preparativos para a Copa. Os
torcedores e jogadores vão ter que passar sobre montes de entulho e
andar por ruas esburacadas graças à gatunagem generalizada. É tempo de a
população aprender que tudo isso é efeito da corrupção. O corrupto não
se interessa pela obra nem pelo bem-estar que ela vai trazer.
Interessa-se pela grana que pode amealhar. É por isso que as coisas
desandaram na capital de Mato Grosso. O que tem de gente na fila
do “bereré” não é brincadeira. O que sobra para obras nunca é
suficiente.
Agora que puxaram o fio do novelo, é provável que Riva, o organizador
dos esquemas, leve para a sepultura política meio Mato Grosso.
Desvendados seus esquemas — os mais antigos foram todos descobertos, mas
infelizmente não foram suficientes para levar esse homúnculo
definitivamente para uma penitenciária — não vai sobrar pedra sobre
pedra.
Pobre Mato Grosso. Tem neste momento mais uma chance de purgar essa
chaga, ao menos esse grupo político-delinquente. Resta saber até que
ponto as instâncias de correição vão permitir a faxina. E até que ponto
os cuiabanos e matogrossenses em geral estão interessados nisso.
Fonte Acta Diurna
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José Riva também foi preso na terça (20) durante a operação Ararath, da PF. Para MPF, deputado tentou fazer propaganda pessoal usando obra da Copa.
Renê Dióz G1
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MPF processa deputado por tentativa de autopromoção com VLT de Cuiabá
José Riva também foi preso na terça (20) durante a operação Ararath, da PF. Para MPF, deputado tentou fazer propaganda pessoal usando obra da Copa.
Renê Dióz G1
A
Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF)
contra o deputado estadual José Riva, do PSD de Mato Grosso, por
tentativa de uso das obras de R$ 1,47 bilhão do metrô de superfície
Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) – o mais caro projeto da Copa emCuiabá –
para autopromoção. O parlamentar já responde a outros 107 processos
judiciais por crimes como peculato, improbidade administrativa e
corrupção. A reportagem tentou comentar a denúncia com o advogado Mário
Sá, que defende Riva no caso, mas sem sucesso.
A
denúncia do MPF chegou à Justiça Federal no final de março e foi
recebida pelo juiz Ilan Presser, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso,
nesta sexta-feira (23) - mesmo dia em que Riva conseguiu liberação do
Complexo da Papuda, em Brasília, onde esteve preso desde a última
terça-feira (20) pela Polícia Federal (PF) devido às investigações da operação “Ararath”, sobre crimes financeiros.
No
processo iniciado nesta sexta, Riva deverá responder por improbidade
administrativa. O MPF requer que o parlamentar pague indenização de pelo
menos R$ 398.000,00 por dano moral coletivo, valor que deve ser
revertido ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.
'Pai do VLT'
De acordo com a denúncia, o deputado se aproveitou do lançamento das obras do VLT, com recursos federais, para fazer propaganda pessoal como se fosse o "pai" do VLT.
De acordo com a denúncia, o deputado se aproveitou do lançamento das obras do VLT, com recursos federais, para fazer propaganda pessoal como se fosse o "pai" do VLT.
O
exemplo citado pelo MPF na denúncia à Justiça é a instalação de um
outdoor entre meados de novembro e final de dezembro de 2013 na Avenida
Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA, uma das principais de
Cuiabá) com imagem do VLT e texto atribuindo a Riva a responsabilidade
pela implantação do modal de transporte na capital mato-grossense.
Fonte: Renê Dióz Do G1 MT
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