Tudo bem, tudo bem. Eu sei que o título é ufanista e que, na verdade, nada está decidido. Além disso, esses processos podem se arrastar por anos e até caírem na vala da prescrição sem sequer terem sido julgados em definitivo.
Mas, mesmo assim, o dia de ontem (04/03) não deixa de passar para a história como um dia memorável para os que anseiam por um Brasil melhor e por uma política mais limpa. Acompanhei todo o julgamento do Habeas Corpus de Arruda no STF e, devo dizer, o desempenho inicial do advogado do “Dito Cujo Carcará Sanguinolento” foi surreal.
Claro que defender o indefensável é uma arte para poucos e o brilhante causídico (adoro isso), evidentemente pago a peso de ouro, usou uma estratégia própria de um livro de ficção científica de quinta categoria. Tentando distorcer a realidade dos fatos, gravada em áudio e vídeo, o advogado de Arruda atacou ministros do STJ, do STF e ainda tirou uma “casquinha” do Ministério Público.
Um ET, que interceptasse as transmissões por acidente, chegaria às lágrimas ao achar que na verdade houve uma inquisição dantesca, parcial e sumária no processo de Arruda. Pela performance do advogado, nosso amigo de outro planeta chegaria à conclusão de que somos o mais vil país da Terra e nossas instituições são meras caçadoras de cabeças, dignas das mais nefastas ditaduras.
Felizmente para a cidadania e para a lei; o único que caiu na esparrela da defesa foi o pobre ministro Toffoli. Ao citar um precedente que poderia impedir a prisão de Arruda. Caso a tese de Toffoli “contagiasse” seus pares, o Brasil elevaria Arruda e todos os membros da classe política ao status de “intocáveis” pela justiça (uma vez que até mesmo a investigação de crimes passaria a depender de “autorização” para acontecer). Tal decisão foi tão absurda que o ministro Peluso, fazendo “uma graça”, referiu-se ao voto de Toffoli como um retorno à constituição imperial (pois o Imperador era “sagrado” e “inviolável”, estando fora do alcance da lei por qualquer crime). O resultado foi um Toffoli visivelmente constrangido e posto em “seu lugar”.
Enquanto Arruda era massacrado no STF; o STJ dava o troco na absurda liminar conseguida (inexplicavelmente, em minha opinião) por Daniel Dantas que declarava o juiz De Sanctis “suspeito” e anulava todos os procedimentos da Operação Satiagraha. Falta agora o 3º Tribunal Federal “mandar tocar” o processo e determinar o retorno do processo para De Sanctis.
A outra notícia que “fechou o dia”; foi o bloqueio de bens e a quebra do sigilo do Casal Garotinho (conhecidos como o “Casal Teflon”), por supostos crimes de improbidade administrativa, que envolvem o desvio de milhões em verbas públicas e dezenas de outras pessoas. O mais incrível é que apesar de volta e meia estarem supostamente envolvidos em denúncias de desvios e de associação com criminosos de toda sorte, o Casal Garotinho, possui uma enorme sobrevida política e uma capacidade de “renascer” das cinzas dessas denúncias com um fulgor que causaria inveja na mais bela e majestosa Fênix.
Quem sabe, depois de tantas notícias boas, um dia nosso país consiga se livrar dos supostos criminosos que infestam a nossa política e que sempre são supostamente inocentes até que se prove o contrário.
Fonte: Visão Panorâmica



