Professores temem trama de deputados para acabar com CPI da Unemat. Percival Muniz não vê lógica na paralisação das investigações
O presidente da Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat), professor Otávio Ribeiro Chaves (foto) denunciou que os deputados estaduais Adalto de Freitas (PMDB), Airton Português (PP) e J. Barreto (PR) estariam articulando para que a CPI da Unemat fosse arquivada. De acordo com Chaves, o reitor Taisir Karim teria visitado a Assembleia Legislativa, na semana passada, pedindo para que a investigação fosse interrompida. Segundo Chaves, a visita foi articulada pelo deputado federal, Pedro Henry (PP).“O Daltinho, o Airton Português e o J. Barreto estão lá agora numa tentativa de acabar em pizza essa CPI. A Unemat está cheia de problemas, eles estão assustados e teve uma visita da reitoria da Unemat instrumentalizada pelo Pedro Henry na Assembleia Legislativa. Isso já é o reflexo dessa visita”, denunciou o professor.
Segundo Otávio Ribeiro Chaves, o pedido havia sido feito porque há um processo eleitoral em curso na Unemat e as investigações poderiam prejudicar o desempenho dessas pessoas. Chaves também afirmou que pessoas que pleiteiam cargos na eleição deste ano também poderiam ser afetadas.
“A informação que eu tive é de que há um processo eleitoral em curso no estado, enfim, isso vem colocar em evidência pessoas que estão ligadas a esse processo eleitoral”.
“Nós estamos fazendo as denúncias de irregularidades nessa atual gestão como também das falcatruas na própria Faespe. Nós já descobrimos, a partir da CPI, que as provas do concurso público foram feitas através da Faespe, na primeira tentativa do concurso, e não da Unemat. Então o governador Blairo Maggi mentiu. Isso foi uma jogada, porque a Faespe é uma entidade privada e, portanto deveria participar de processo licitatório. Então é uma série de irregularidades que a gente já suspeitava e que estão sendo confirmadas pela CPI e que deve ter prejudicado muita gente”.
Presidente da CPI nega paralisação dos trabalhos
Procurado pela reportagem do site PnB Online, o presidente da CPI da Unemat, deputado estadual Percival Muniz (PPS) confirmou que houve um pedido da comunidade universitária para que houvesse uma paralisação temporária dos trabalhos até que fosse escolhido o novo reitor da Universidade.
“O que eu tenho conhecimento é de que há um núcleo de deputados que tem recebido da comunidade universitária um pedido para suspender o trabalho da CPI até a eleição da Unemat, porque estaria contaminando o processo. A candidata do PT está “queimando” os outros candidatos tentando usar a CPI como forma de contaminar o processo eleitoral interno”.
De acordo com Percival Muniz, esse pedido foi feito na semana passada. Percival disse que não consegue ver ligação entre a eleição da Unemat e a CPI instalada na Assembleia Legislativa, mas disse que pediu para que a exposição dos motivos fosse apresentada por escrito à comissão, para que o assunto fosse discutido em reunião.
“Nesse caso não seria acabar e sim suspender até que seja realizada a eleição da Unemat”.
Percival confirmou que foi procurado pelo deputado estadual Adalto de Freitas, que acompanhava um dos candidatos a reitoria da Unemat. “O Daltinho me procurou com um candidato a reitor da Unemat na semana passada, no sentido de mostrar que a CPI está contaminando o processo eleitoral interno”.
Percival lembrou que para que a CPI seja suspensa, precisa haver uma solicitação em plenário. “Primeiro precisa ser aprovado na Comissão, segundo tem que ter maioria na comissão e depois tem que levar isso para o plenário para ele autorizar ou não. A priori não vejo muito lógica nisso não (suspender os trabalhos da CPI)”.
Questionado sobre a visita de Henry e Karim à Assembleia Legislativa, Percival disse que não tinha conhecimento disso.
Da Redação PnB Online
Saiba mais:
Denuncia
Deputados negam conchavo para acabar com CPI da Unemat
14/4/2010 - 11:16
O deputado estadual Adalto de Freitas (PMDB) disse que somente alertou o presidente da CPI da Unemat, Percival Muniz (PPS), no sentido de que a investigação não interfira na escolha do novo reitor da Universidade. J. Barreto (PR) se contradisse ao tentar negar a afirmação do presidente da Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat), professor Otávio Ribeiro Chaves, que acusa Freitas, Barreto e Airton Português (PP) de articularem o fim da CPI da Unemat. Já o deputado Airton Português (PP) nega que tenha articulado algo nesse sentido.
Durante entrevista ao site PnB Online, o professor afirma que “Daltinho, Airton Português e J. Barreto, estão numa tentativa de acabar em pizza a CPI. A Unemat está cheia de problemas, eles estão assustados e teve uma visita da reitoria da Unemat instrumentalizada pelo Pedro Henry na Assembleia Legislativa. Isso já é o reflexo dessa visita”.
O deputado Daltinho negou que haja alguma intenção no sentido de acabar com a CPI. “A Assembleia está muito acima disso. Não estamos tentando parar nada. O que acontece é que fizemos uma visita na Unemat e estamos tentando marcar uma reunião com o presidente da CPI, o deputado Percival Muniz (PPS). Nós fizemos, na verdade, um alerta para que a investigação não interfira nas eleições internas para reitor da Unemat, funcionando como palanque eleitoral”, explicou.
Já o deputado J. Barreto se contradisse ao falar com a reportagem do PnB. Primeiro ele admite a possibilidade de pedir suspensão dos trabalhos.
“Nós realmente queremos uma reunião com o deputado Percival (Muniz) para conversar sobre essa CPI, que não está andando por causa da campanha. Todo mundo está em campanha, ninguém pode ser hipócrita e nem mentiroso. Todo mundo está visitando suas bases (eleitorais) e não reúne. Nós queremos reunir para ver se vai suspender e poder falar: “ó, daqui 90 dias eu volto”. Porque desse jeito está enrolado”.
Mas, depois, J. Barreto nega que queira sugerir a paralisação. “Não, não. Não sugerimos nada. Ainda não reunimos com ele. Nós estamos pedindo uma reunião. Fala com o Português (Airton). Ele é o relator. O presidente e o relator podem falar melhor. Eu sou membro”.
Contudo logo em seguida, quando é questionado se a campanha atrapalha os trabalhos, J. Barreto volta a admitir que fará o pedido de suspensão temporária da investigação.
“Ninguém se reúne. Está sem tempo com a oposição fazendo campanha política. Vamos fazer uma reunião com o Percival pra decidir”.
O deputado estadual Airton Português (PP) diz que não sugeriu nem paralisação, nem suspensão da CPI, principalmente porque tem que seguir o Regimento Interno a Assembleia Legislativa. “Eu não vou sugerir isso porque temos, antes de tudo, o regimento interno da AL. Temos que estar de acordo com ele e devemos fazer o nosso trabalho na CPI. Tínhamos uma reunião marcada ontem que não aconteceu porque o Percival tinha um compromisso fora, então não teve a reunião”, explicou.
Mas Português confirma que a CPI tem tido dificuldades por causa da campanha eleitoral. “Existe mesmo uma dificuldade por causa da campanha. Os deputados, de forma geral, são agentes políticos e estão preocupados com sua campanha, mas é uma preocupação que precisamos deixar fora do processo da CPI”, afirmou.
Euziany Teodoro PnB online
Fonte: Preto no Branco


