CHORA, CUIABÁ!
Por Antonio Cavalcante Filho
e Vilson Nery
Ainda que não sejamos historiadores,
mas aqui encarnando um “Gilson Romeu” (professor de História, escritor e líder
sindical mato-grossense), pensamos em dizer algo sobre a cidade de Cuiabá e
seus quase 300 anos de idade. Sabe-se que a história é contada pelos vencedores,
de modo que sempre há uma opinião que impera, na análise dos objetos e
acontecimentos históricos.
Falar, por exemplo, sobre a nação Paiaguá
é interessante, índios valentes, exímios canoeiros, peças fundamentais na Guerra
do Paraguai, onde – dizem – auxiliaram os inimigos do Brasil. Mas quem pode dizer
a verdade? Dos Paiaguás só resta o nome dado ao Palácio do Governo, e aquele Condomínio
residencial de acanhados apartamentos no Centro Político e Administrativo da
Capital.
Os corajosos Paiaguás foram
exterminados!
Consta que os primeiros indícios dos
bandeirantes paulistas em Cuiabá datam de 1673, quando da passagem de Manoel de
Campos Bicudo, que primeiro fundou um povoado na região do rio Coxipó, com o
nome de São Gonçalo.
Depois, em 1718, chegou ao local a
bandeira do sorocabano Pascoal Moreira Cabral, em busca de capturar indígenas, e
travou uma batalha sangrenta com os índios coxiponés. Derrotados, os
bandeirantes recuaram, e no caminho encontraram ouro, alterando seus objetivos:
abandonam a captura de índios e se dedicam ao garimpo, como atividade econômica.
Passaram-se quase 300 anos do
registro dos primeiros fatos históricos que evidenciam a exploração (no pior
sentido da palavra) de Cuiabá e o vilipêndio da boa-fé dos cuiabanos (descendentes
de Paiaguás, Coxiponês, Guatós, Bororo etc.) continua o mesmo.
Basta ver que as ruas da cidade de
Cuiabá estão esburacadas, o sistema de transporte público não funciona, a crise
na saúde pública vitima cuiabanos e cuiabanas todos os dias, e Água é só nome
de um museu. Essa é a realidade, mesmo que em algumas semanas sejamos sede do
grande evento chamado Copa do Mundo. O evento e seus efeitos deveria ser objeto
de trabalho por parte de nossos políticos, como forma de bem receber os turistas
e oferecer o melhor de Cuiabá, obtendo proveito financeiro do evento, o chamado
“legado da Copa”.
E o que fazem nossos políticos?
Debatem à exaustão o problema criminal de um cidadão que se elege vereador e
usa do mandato eletivo para acobertar seus caprichos.
Agora envolveram o Tribunal de
Justiça na brincadeira (sim, brincadeira!). No ano passado, em novembro de 2013
(há cinco longos meses), houve a deflagração da Operação Aprendiz (Gaeco/Polícia
Civil) e os advogados do vereador acusado tiveram irrestrito acesso a todas as
provas, na Justiça Criminal. Depois foi proposta contra o edil uma ação de
improbidade, na Justiça Civil e ali não havia o tal DVD, conforme alegou a defesa
ao Tribunal de Justiça.
Só que omitiram que haviam tido
acesso a todas a provas na Justiça Criminal. Foram traídos pela própria língua,
pois em conversa interceptada por decisão judicial dialogavam sobre o tal DVD.
E agora, vão continuar fazendo Cuiabá
Chorar?
Antonio Cavalcante Filho e Vilson Nery são ativistas do MCCE (Movimento
de Combate à Corrupção Eleitoral)
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