terça-feira, 29 de abril de 2014

Gaeco realiza operação de busca e apreensão em secretaria de Silval


Equipe de agentes do braço investigativo do Ministério Público entra na Setas, que foi admiinstrada por Roseli Barbosa, esposa do governado


 Marcos Lopes/HiperNotícias
Operação Arqueiro, do Gaeco, foi deflagrada contra suposto esquema de fraude na Setas, que foi dirigida por Roseli Barbosa


Hiper Notícias
PABLO RODRIGO/MAX AGUIAR

Após quase cinco horas de buscas dentro Setas (Secretaria de Estado de Ação Social), o Gaeco saiu com dois carros e uma caminhonete abarrotados de documentos apreendidos em diversos setores, principalmente o administrativo. O secretário Jean Estevan evitou a imprensa e saiu pela porta dos fundos do prédio, anexo ao Palácio Paiaguás, sede do governo do Estado.

A operação, denominada “Arqueiro”, começou por volta das 13h30 e se encerrou às 19h50 desta terça-feira. Nem membros do Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) ou servidores da Setas falaram com jornalistas sobre a operação Arqueiro.


Em alguns momentos, funcionários da pasta hostilizaram profissionais da imprensa. Antes do encerramento da busca e apreensão, a Secom e Setas emitiram notas em que mostram disposição em colaborar com o Gaeco, o setor investigativo do Ministério Público do Estado (MPE).

Logo ao chegarem à Setas, por volta das 13h30, agentes do Gaeco se reuniram com o secretário Jean Estevan, de portas fechadas. A imprensa foi proibida de entrar no local. A operação, batizada de Arqueiro, foi efetivada para combater fraudes em licitação para capacitar prestadores de serviços.

Documentos apreendidos são relacionados à gestão da ex-secretária Roseli Barbosa, esposa do governador Silval Barbosa. Roseli comandou a pasta de abril de 2010 a fevereiro deste ano. A suspeita é de que há fraude em convênios para capacitação profissionais, inclusive de outras secretarias. Quatro computadores já foram apreendidos. 


As suspeitas recaem ao Instituto Concluir, dirigido por Aroldo Portela. A empresa já esteve envolvida em um polêmico caso, o das apostilas. O conteúdo foi considerado ofensivo à população de vários municípios entre eles Poconé e Cáceres.

Em comunicado, o Ministério Público afirma que o Gaeco já identificou a participação de nove pessoas no esquema. Os nomes dos envolvidos serão divulgados após o oferecimento da denúncia. O alvo são documentos contábeis, licitatórios, de liquidação e de prestação de contas referente a convênios firmados entre o Estado e Institutos de fachada para realização de cursos profissionalizantes.

Atualizada às 19h55

Fonte Hiper Notícias

Saiba mais


POPERAÇÃO ARQUEIRO 
 
Em dois anos, Setas gastou R$ 26 mi com cursos de qualificação 
 
Diário de Cuiabá
 
Com o intuito de apurar suposta fraude em licitação por parte da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (29) a operação Arqueiro. 

Foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, sendo a sede da Pasta o principal alvo. Os agentes foram em busca de documentos contábeis, licitatórios, de liquidação e de prestação de contas referente a convênios firmados entre o Estado e institutos que promoviam cursos profissionalizantes, alguns voltados para a realização da Copa do Mundo. 

Entre os investigados estaria o programa “Qualifica Mato Grosso”, implantado na gestão da primeira-dama Roseli Barbosa na Setas. 

A operação se deu em decorrência de investigações preliminares realizadas pelo Gaeco, em conjunto com o Núcleo de Ações de Competência Originária da Procuradoria Geral de Justiça (Naco), que apontam a existência de provável conluio entre servidores da Setas e funcionários dos institutos sem fins lucrativos para fraudes em licitações e convênios. 

O Ministério Público foi provocado após a divulgação de erros grotescos em apostilas que estavam sendo utilizadas nos cursos de capacitação em hotelaria e turismo promovido pelo Palácio Paiaguás. 

As empresas Microlins e os institutos de Desenvolvimento Humano (IDH/MT) e Concluir estariam envolvidas no esquema. Suas respectivas sedes também foram alvos de busca e apreensão. 

Conforme o Gaeco, nos últimos dois anos estas instituições receberam aproximadamente R$ 20 milhões do governo do Estado para executar programas sociais referentes ao “Qualifica Mato Grosso” e “Copa em Ação”, entre outros programas. 

Dados do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan), no entanto, registram empenhos superiores a R$ 26 milhões às empresas entre 2012 e 2014. Deste montante, R$ 12,4 milhões foram destinados apenas ao Concluir em 2012. 

Para obterem êxito nas contratações, nomes de “laranjas” foram utilizados pelos fraudadores. Em um dos casos exemplificados pelo Ministério Público, a pessoa contratada para elaboração do conteúdo das apostilas possuía apenas o ensino médio. 

Em seu depoimento, a jovem confessou ter recebido pelo serviço a quantia de R$ 6 mil e que copiou todo o material da internet. Prova disso foi a apostila aplicada no curso de Atendimento em Hotelaria e Turismo, oferecido no programa de qualificação profissional para a Copa de 2014. 

O material ofende e ridiculariza a história de quatro municípios mato-grossenses. Barão de Melgaço, Poconé, Santo Antônio de Leverger e Cáceres, que integram o Pantanal mato-grossense, aparecem no livro, distribuídos aos mais de 200 participantes do curso, com informações contidas no site de humor Desciclopédia. 

Até o momento, o Gaeco já identificou a participação de nove pessoas no esquema. Os nomes dos envolvidos, entretanto, só serão divulgados após o oferecimento da denúncia. A qualidade dos cursos oferecidos pelo governo do Estado também está sendo questionada.

Fonte Diário de Cuiabá
 


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