Parabéns, Cuiabá!
POR GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO
Comemoramos nesta terça-feira de oito de abril, o aniversário de
Cuiabá, são 295 anos de história e construção. Com a cidade também se
comemora a cuiabania, estar cultural e generoso da nossa gente. Não se
cuida de movimento fratricida, mas agregador, natural do temperamento
cuiabano.
Bem escreveu o jurista e historiador Carlos Gomes Carvalho: “É essa simbiose do urbano com o rural, numa interessantíssima síntese sociológica e étnica, tão bem interpretada pela acuidade da inteligência e retratada pela beleza da pena desses autores (Dunga Rodrigues, Virgílio Corrêa Filho, José de Mesquita, Cavalcanti Proença, e outros), que, a meu ver, vai resultar no homem cuiabano e no seu ethos. Constata-se, pois que foi um conjunto de elementos físicos, étnicos, culturais e mentais reunindo as virtudes e os defeitos, as qualidades e os vícios do habitante original, que, na decantação dos séculos, veio a constituir o que passaria a ser denominado de cuiabanidade, cuiabanismo, cuiabania” (apresentação do volume 10 – M. Cavalcanti Proença – da Coleção Obras Raras da Literatura Mato-Grossense).
Essa gente desconfiada, pouco falante e observadora, traz em sua alma
a bondade, a tez dos fortes e a generosidade. Não se ignora impunemente
o cuiabano. Campanhas políticas históricas são exemplos disso. A
metáfora do “bater na cara” é sagrada a esse povo aparentemente sem
ambição, humilde que não admite a humilhação, a desonra. Os que para cá
vieram, somaram, e continuam a somar na construção de uma nova geração
de cuiabanos, síntese dos vários Brasis existentes na grande pátria.
Hoje, não temos mais Zé Peteté, Maria Preta, Veríssimo, Purquério,
Homem do Saco, Barba etc.; personagens de um tempo bom, o da
simplicidade a fazer as honrarias da cidade. Temos a Copa do Mundo e o
Mixto jogando em desvantagem numérica de torcida pelo Santos nos
gramados do agora Arena Pantanal, templo erguido sobre o histórico
Verdão de Pelezinho, Bife, Pastoril, Beleza, Panza, Orlando Fumaça, e
tantos outros. Não importa, a vida é ilusão, viventes somos de
relatividades.
Em havendo muito a escrever, o pouco chamado de “cidade minha”: Nas
coisas, nunca desditosa a efêmero/Cresce seguro as verdes folhas/Briosa
chamam na luta intrépida/ Enxerga-se um quadro, audaz,
precipitado/Abismo da crueza, da torrente, da paz em fuga/Janela de
estranha paisagem, a natureza a passear/Despertar ausculto, consciência
em vento/Sonho de espinhaço, tudo por vencer/Purgar o exigir errante, em
ecoar sua grandeza se apequena/A lisonja te é companheira/Viste, não
veste, de honrarias/És naturalmente bela, amada Cuiabá.
Cuiabá de todos os encantos, terra de Dutra e Filinto, Generoso Ponce
e Totó Paes, e de tantos outros e outras que testemunham sua grandeza
de mãe pródiga e guerreira, te saudamos na pessoa de seu inigualável
filho Dom Aquino Correa – “Nos eflúvios sutis, que exalam do passado/O
aroma virginal da sua vida em flor!”-. É por aí…
GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO – SAÍTO é Juiz de Direito e escreve aos domingos em A Gazeta
Fonte pagina do Enock
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