
Luzia Machado, da Delegacia Fazendária, fecha o cerco contra o ex-presidente Lutero Ponce
O ex-presidente da Câmara, vereador Lutero Ponce (PMDB), pode parar na cadeia, diz a titular da Delegacia Fazendária Luzia de Fátima Machado, nesta quarta (20). Segundo ela, o parlamentar não possui foro privilegiado e observa que, se as irregularidades apontadas pela auditoria forem confirmadas, o peemedebista terá de ressarcir ao erário e ainda ficar sob risco de prisão. “Vamos refazer o percurso da auditoria para verificar a existência das irregularidades apontadas e até mesmo detectar outras. Agora as investigações caminharão na esfera criminal e dependendo do que ficar comprovado podemos pedir desde ressarcimento aos cofres públicos até a prisão de Lutero”, explica a delegada.
A titular da Fazendária conta que designou para investigar a gestão Lutero, principalmente quanto ao exercício de 2007, os delegados Rogério Atila Modeli e Maria Alice Barros Martins, os mesmos que fecharam o cerco contra a também ex-presidente da Câmara, deputada Chica Nunes (PSDB), acusada de “sumir” com R$ 6 milhões do Legislativo cuiabano. “Determinei que façam uma força-tarefa em cima da auditoria para que tudo seja investigado logo”, ressalta.
Segundo o levantamento encomendado pelo presidente da Câmara Deucimar Silva (PP) e feito pela Síntese Auditoria, Lutero, que controlava um duodécimo mensal de R$ 1,6 milhão, deixou um rombo superior a R$ 3 milhões. Ele teria contratado empresas fantasmas e cometido irregularidades nas licitações. O relatório que tem mais de mil páginas foi encaminhado à Delegacia Fazendária na sexta (15). “Nesta semana os delegados já estavam escalados para participar de sindicâncias. Na segunda (25) eles vão iniciar as investigações”, assegura.
Agora os delegados terão que refazer os “passos” de Lutero. Tendo como base a auditoria encaminhada por Deucimar, Rogério e Maria Alice analisarão toda a documentação. Vão fazer investigações in loco, confrontar dados para verificar, por exemplo, se as empresas que prestaram contas à Câmara, recolheram ICMS. Somente depois, os delegados emitirão um novo relatório. “Isso não significa que não acreditamos na auditoria, mas precisamos fazer um novo relatório, que poderá confirmar as irregularidades e, até mesmo, apontar outros crimes”, justifica Luzia.
A designação da mesma delegada que investigou Chica Nunes não é uma mera coincidência. Maria Alice ajuda a cruzar os dados dos inquéritos com o levantamento feito sobre a gestão Chica para verificar se houve continuidade "no esquema" durante a administração Lutero. “Queremos saber se as mesmas empresas continuaram prestando serviços na gestão do vereador”, avisa a delegada. Ela adianta que, em princípio, não foi verificada nenhuma conexão, mas ainda haverá uma análise minuciosa. Os relatórios da auditoria foram encaminhados ainda ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado. (Patrícia Sanches)
Fonte RD News
