
Presidente da Câmara Municipal lembra que foi o primeiro a pedir abertura de processo
ANTONIELLE COSTA
DA REDAÇÃO
Ralf Leite tem atuado na Câmara como se não fosse o pivô de um grande escândalo
O presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Deucimar Silva (PP), revelou, em entrevista exclusiva ao Midianews, que é a favor da cassação do mandato do vereador Ralf Leite (PRTB). "Se eu defendi a abertura do processo, como eu poderia ser contra a cassação?", questionou.
Ralf Leite responde a processo na Comissão de Ética do Legislativo por quebra de decoro parlamentar, por usar da prerrogativa de vereador para intimidar os policiais militares que o flagraram praticando ato libidinoso com um menor travesti, na região do Zero Km, em Várzea Grande, em fevereiro passado.
O fato de o processo se arrastar há quatro meses tem provocado desgaste na imagem da Câmara. E dado a margem a diferentes tipos de comentários, entre os quais, o de que o Caso Ralf Leite pode acabar em "pizza". Em várias oportunidades, as especulações deram conta de que o vereador já teria o apoio da maioria dos seus pares para ser absolvido do processo. Em público, bem poucos se manifestam sobre o caso.
Os trabalhos da Comissão de Ética, por sinal, foram barrados por força de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT), em ação impetrada pela defesa do vereador. O presidente da comissão, vereador Everton Pop, recorreu da decisão, mas, até agora, o mérito ainda não foi julgado. De acordo com informações do TJ, o processo foi julgado e aguarda o voto da relatora, desembargadora Clarice Claudino da Silva, para ser votado em plenário. A votação está prevista para a sessão da próxima segunda-feira (18). Ou no dia 25.
Deucimar Silva disse ainda que, assim que a Justiça deliberar pela retomada da ação, os trabalhos serão concluídos e o relatório final será votado pelos parlamentares, em sessão plenária. Como não existe Código de Ética na Câmara, a dúvida é se a votação será aberta ou secreta. A Constituição Federal prevê votação secreta nestes casos, mas, na própria Casa, existe um projeto que prevê votação aberta.
Crimes
Além das investigações por quebra de decoro, o vereador Ralf Leite é acusado de exploração sexual de menor. O caso está sendo investigado pela delegada Mara Rúbia de Carvalho, da Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente, que também o indiciou pelos crimes de ameaça, desacato a autoridade e falsificação de documentos.
Ralf ainda responderá por danos morais, por ofensa à imagem da Polícia Militar, caso que foi encaminhado à Procuradoria Geral do Estado (PGE). Para se livrar das denúncias, o parlamentar acusou os militares que tentar extorqui-lo - crime que foi apurado por uma sindicância aberta pela corporação e que resultou na absolvição dos militares.
Compra de votos
Ralf Leite responde, ainda, por crime de compra de votos nas eleições 2008, denúncia oferecida pelo promotor eleitoral João Augusto Veras Gadelha. Na acusação, um suposto amigo de vereador, Kartegean Leão, telefonou para o detento Mateus Rodrigues, dizendo que Ralf estaria disposto a fornecer cartões telefônicos e dinheiro em troca de votos. Mas, antes de ser ouvido pela Justiça, o detento fugiu misteriosamente do presídio.
A denúncia mostra ainda que, no dia das eleições, Edson Júnior, Edimara Adne da Costa Cortez e Wequerson de Souza Barbosa Lima foram flagrados distribuindo ticket-combustível, dinheiro e material de propaganda do então candidato a vereador pelo PRTB, Ralf Leite - atos que configuram o crime de captação ilícita de sufrágio, no entender do Ministério Público Eleitoral.
Fonte: Midia News.
