
Edilson Almeida
Redação 24 Horas News
Um vem sendo investigado de todas as formas e jeitos pela sua passagem como principal assessor da esposa que ocupava o cargo de presidente da Câmara Municipal de Cuiabá. Outro tenta explicar como conseguiu gastar 30 mil litros de combustíveis com cabos eleitorais, parte do produto pago com o dinheiro público, em forma de vale-combustível distribuído pela Assembléia Legislativa aos deputados. Marcelo Ribeiro, prefeito eleito e cassado de Barão de Melgaço, e Juarez Silva, prefeito eleito e cassado, mas que permanece no cargo sob efeito de liminar, são os dois grandes problemas que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem para resolver. Os dois serão julgados no dia 16 por abuso de poder econômico durante a eleição.
Os dois casos são emblemáticos e, dependendo da forma como os sete julgadores se posicionarem, poderão “comprometer” seriamente a imagem de austeridade criada ao longo dos julgamentos realizados até aqui. Não se perdoou absolutamente nada. Em Cáceres, por exemplo, Ricardo Henry teve que entregar a Prefeitura ao segundo colocado porque teve suas obras mostradas em um jornal de bairro durante o processo eleitoral. Em Canarana, Walter Lopes Farias, também perdeu o mandato por causa de uma foto sua inaugurando obra, que apareceu no site da Prefeitura.
Os números são consistentes. Até o momento, 16 prefeitos eleitos tiveram seus registrados cassados. Se mantiver a cassação de Marcelo Ribeiro e de derrubar a liminar que mantém Juarez Silva como prefeito, o número sobe para 17 – um recorde. “O Tribunal tem oportunidade de reafirmar seus propósitos, sua isenção e, acima de tudo, condições de dar a maior contribuição pedagógica para os futuros políticos que desejam disputar um cargo do povo” – frisa o presidente do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), Antônio Cavalcanti Filho, o “Ceará”, ativista político mais conceituado do Estado.
Entre Marcelo e Juarez não existem grandes diferenças do ponto de vista da moralidade. Marcelo Ribeiro, no entanto, é o que se mostra em situação mais complexa. Primeiro porque está sendo investigado sobre eventual uso de dinheiro público em sua campanha, desviado da Câmara Municipal, onde a esposa era presidente. Marcelo ocupava alto cargo de confiança na gestão de Chica Nunes, recebia horas-extras e é acusado pela Polícia e Ministério Público Estadual de atuar nos processos licitatórios do Legislativo, eivados de falhas e indícios de corrupção. Segundo a Delegacia Fazendária, naquela gestão os desvios atingiram a cifra gigantesca de R$ 6,6 milhões.
Cassado, Marcelo desapareceu na rodovia MT-040, que liga Barão de Melgaço a Santo Antônio do Leverger. Testemunhas garantem tê-lo foi visto dentro de uma ambulância da Prefeitura saindo da cidade tão logo recebeu a notícia dando conta que a Justiça Eleitoral havia tomado a decisão mais radical. Para ganhar tempo, evitou a notificação. De nada adiantou a “manobra”. Marcelo não obteve nenhuma vitória nos recursos e outros apetrechos jurídicos propostos para retomar o cargo. É quase certo que leve uma “goleada” no julgamento desta terça-feira. Na semana passada, a juíza Maria Abadia Aguiar pediu vistas dos recursos apresentados por Marcelo.
Já o prefeito de Sinop enfrentará uma situação mais complicada. Explica-se: governando sob efeito de liminar, Juarez Silva, acusado de desviar “tickets” de gasolina para sua campanha eleitoral, tem metade das possibilidade de ser cassado e metade para ficar no cargo. Até aqui, há um empate entre o voto do relator, juiz Renato Viana, que praticamente o absolve das acusações por falta de provas, e do juiz federal José Pires da Cunha, que não esperou sequer o chamado “voto-condutor” a ser apresentado nesta terça-feira pelo juiz José Zuquim Nogueira, que pediu vistas. Pires da Cunha já formou convicção de que o prefeito de Sinop cometeu um crime eleitoral, ao fazer a distribuição de combustíveis. Faltam outros quatro. Se der empate, caberá ao presidente a decisão final.
Fonte: 24 Horas News
http://www.24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&mat=293857
Redação 24 Horas News
Um vem sendo investigado de todas as formas e jeitos pela sua passagem como principal assessor da esposa que ocupava o cargo de presidente da Câmara Municipal de Cuiabá. Outro tenta explicar como conseguiu gastar 30 mil litros de combustíveis com cabos eleitorais, parte do produto pago com o dinheiro público, em forma de vale-combustível distribuído pela Assembléia Legislativa aos deputados. Marcelo Ribeiro, prefeito eleito e cassado de Barão de Melgaço, e Juarez Silva, prefeito eleito e cassado, mas que permanece no cargo sob efeito de liminar, são os dois grandes problemas que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem para resolver. Os dois serão julgados no dia 16 por abuso de poder econômico durante a eleição.
Os dois casos são emblemáticos e, dependendo da forma como os sete julgadores se posicionarem, poderão “comprometer” seriamente a imagem de austeridade criada ao longo dos julgamentos realizados até aqui. Não se perdoou absolutamente nada. Em Cáceres, por exemplo, Ricardo Henry teve que entregar a Prefeitura ao segundo colocado porque teve suas obras mostradas em um jornal de bairro durante o processo eleitoral. Em Canarana, Walter Lopes Farias, também perdeu o mandato por causa de uma foto sua inaugurando obra, que apareceu no site da Prefeitura.
Os números são consistentes. Até o momento, 16 prefeitos eleitos tiveram seus registrados cassados. Se mantiver a cassação de Marcelo Ribeiro e de derrubar a liminar que mantém Juarez Silva como prefeito, o número sobe para 17 – um recorde. “O Tribunal tem oportunidade de reafirmar seus propósitos, sua isenção e, acima de tudo, condições de dar a maior contribuição pedagógica para os futuros políticos que desejam disputar um cargo do povo” – frisa o presidente do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), Antônio Cavalcanti Filho, o “Ceará”, ativista político mais conceituado do Estado.
Entre Marcelo e Juarez não existem grandes diferenças do ponto de vista da moralidade. Marcelo Ribeiro, no entanto, é o que se mostra em situação mais complexa. Primeiro porque está sendo investigado sobre eventual uso de dinheiro público em sua campanha, desviado da Câmara Municipal, onde a esposa era presidente. Marcelo ocupava alto cargo de confiança na gestão de Chica Nunes, recebia horas-extras e é acusado pela Polícia e Ministério Público Estadual de atuar nos processos licitatórios do Legislativo, eivados de falhas e indícios de corrupção. Segundo a Delegacia Fazendária, naquela gestão os desvios atingiram a cifra gigantesca de R$ 6,6 milhões.
Cassado, Marcelo desapareceu na rodovia MT-040, que liga Barão de Melgaço a Santo Antônio do Leverger. Testemunhas garantem tê-lo foi visto dentro de uma ambulância da Prefeitura saindo da cidade tão logo recebeu a notícia dando conta que a Justiça Eleitoral havia tomado a decisão mais radical. Para ganhar tempo, evitou a notificação. De nada adiantou a “manobra”. Marcelo não obteve nenhuma vitória nos recursos e outros apetrechos jurídicos propostos para retomar o cargo. É quase certo que leve uma “goleada” no julgamento desta terça-feira. Na semana passada, a juíza Maria Abadia Aguiar pediu vistas dos recursos apresentados por Marcelo.
Já o prefeito de Sinop enfrentará uma situação mais complicada. Explica-se: governando sob efeito de liminar, Juarez Silva, acusado de desviar “tickets” de gasolina para sua campanha eleitoral, tem metade das possibilidade de ser cassado e metade para ficar no cargo. Até aqui, há um empate entre o voto do relator, juiz Renato Viana, que praticamente o absolve das acusações por falta de provas, e do juiz federal José Pires da Cunha, que não esperou sequer o chamado “voto-condutor” a ser apresentado nesta terça-feira pelo juiz José Zuquim Nogueira, que pediu vistas. Pires da Cunha já formou convicção de que o prefeito de Sinop cometeu um crime eleitoral, ao fazer a distribuição de combustíveis. Faltam outros quatro. Se der empate, caberá ao presidente a decisão final.
Fonte: 24 Horas News
http://www.24horasnews.com.br/index.php?tipo=ler&mat=293857
