
"Solidariedade, amigos, não se agradece, comemora-se.”
(Betinho).
Nós da Direção Estadual do MST de Mato Grosso nos dirigimos às organizações amigas e aos amigos (as) do MST para socializar as informações sobre a luta pela Reforma Agrária e ao mesmo tempo solicitar de vocês mais uma vez vossa generosa solidariedade.
1- CONTEXTO DA LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA
- Nos últimos dez anos os inimigos da Reforma Agrária se ampliaram, além do latifúndio as transnacionais passaram a controlar os insumos, a tecnologia, os recursos naturais e comercialização e implantaram no Brasil o Agronegócio (aliança entre latifúndio, capital financeiro e as transnacionais).
2- O Estado brasileiro continua sendo o principal dinamizador do agronegócio, garantindo bilhões de reais públicos e repressão policial contra os movimentos que lutam pela terra, sendo assim o principal obstáculo para realização da Reforma Agrária.
3- O poder judiciário continua sendo um poder autoritário a serviço da classe dominante e de combate a classe trabalhadora, o exemplo mais recente é o comportamento do ministro do STF Gilmar Mendes, nos atacando querendo criar uma imagem de que o MST é violento, pois teve que se defender de ataques de pistoleiros. Mas ele não tem a mesma postura para exigir punições, para condenar os assassinos e mandantes dos 1500 trabalhadores (as) rurais assassinados nos últimos 15 anos, se esquece do Massacre de Eldorado dos Carajás, Corumbiara, assassinato da Irmã Doroty, entre outros milhares. Esse mesmo ministro esqueceu que a luta e o acesso à terra são direitos constitucionais, conquistado pela classe trabalhadora na constituição de 1988.
4- Os meios de comunicação tentam criminalizar todos (as) que lutam, chamando de bandidos, baderneiros, escondendo assim as verdadeiras causas da pobreza em nosso país.
2- CONSEQÜÊNCIAS QUE ESTE NOVO MOMENTO DA LUTA PELA REFORMA AGRÁRIA PROVOCA NO MST
1- Falta de conquistas econômicas significativas. Em MT foram assentadas em torno de 300 famílias nos últimos oito anos. Têm acampamento com uma década de existência.
2- Uma Forte repressão policial. Temos famílias que foram despejadas oito vezes pelo governo de Blairo Maggi.
3- Os assentamentos não têm infra-estruturas adequadas e há quatro anos nenhuma família recebeu assistência técnica, inviabilizando assim o acesso aos créditos e o desenvolvimento dos assentamentos.
4- Falta de recursos financeiros para garantir o funcionamento das secretarias, transporte para o mínimo de reuniões além da sobrevivência da militância.
5- Perseguição nas entidades amigas do MST tentando nos isolar politicamente e economicamente.
3- SOLIDARIEDADE
O MST Nacional completou 25 anos de luta, resistência e conquista. O MST de Mato Grosso completará 14 anos em agosto deste ano. Conquistamos 9 milhões de hectares de terra onde vivem 370 mil famílias com casa, alimentos, educação etc. Em Mato Grosso temos 4 mil famílias assentadas em 180 mil hectares. São em torno de 18 mil pessoas que melhoraram as condições de vida, mas além das conquistas econômicas e sociais conquistamos a nossa dignidade. Tornamos-nos sujeito de nossa própria história.
Queremos compartilhar com todos (as) vocês amigas e amigos do MST esta conquista, sem a solidariedade e participação de vocês estas conquistas não existiriam, pois todos os momentos que os inimigos da reforma agrária tentaram nos destruir a solidariedade de vocês mantiveram a existência de nossa organização. Então novamente recorremos aos nossos amigos (as) para que nos ajude a defender a Reforma Agrária, e neste momento que a direita via Gilmar Mendes tentam nos destruir é fundamental a solidariedade de todos (as). Nesse sentido deixamos aqui os dados bancários de nosso Centro de Formação para caso possa contribuir. (Banco do Brasil: Agência 46-9: Conta Corrente 23.699-3 - Centro de Formação Dorcelina Folador)
Cientes de nossa tarefa e dos enormes desafios reafirmamos a necessidade de construir alianças com organizações, com os lutadores (as) do povo, com movimentos populares e políticos em torno de bandeiras comuns, para que unidos e solidários possamos construir um projeto popular capaz de romper com a dependência e subordinação do capital e construir uma sociedade igualitária e livre, uma sociedade socialista.
Direção Estadual do MST – MT
