segunda-feira, 13 de julho de 2009

Empresa de "fachada" entregou notas frias a Lutero


Endereço de suposto empresa é numa casa, em Várzea Grande


TÉO MENESES

A GAZETA


A empresária Lucineide da Silva Rodrigues afirmou, em depoimento à Delegacia Fazendária, que emprestou ao menos quatro notas fiscais "frias" ao ex-presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Lutero Ponce (PMDB), para simular negociações com o Legislativo nos anos de 2007 e 2008. A afirmação ganhou força a partir do momento em que foi apreendida na casa do parlamentar cópia de um cheque da Câmara emitido em favor da empresa dela, a Bela Flor Decorações, que funciona de fachada em Várzea Grande.


Lucineide foi ouvida na manhã de sexta-feira pela Delegacia Fazendária, setor da Polícia Civil que apura crimes contra o patrimônio público. Ela revelou ao jornal A Gazeta que disse aos delegados ter emprestado as notas a pedido da esposa de Lutero, Ana Maria Ponce de Arruda, que era sua "amiga" e, durante a gestão do vereador, atuava como uma espécie de primeira-dama do Legislativo. "Atendi um pedido de uma amiga, fui ser boa samaritana e agora estou tendo que explicar isso", diz.


A empresária admitiu ainda que o cheque encontrado pela Delegacia Fazendária na residência de Lutero no dia 29 passado e que tem valor de R$ 7,2 mil se refere, sim, a uma das notas que emprestou ao vereador. O cheque foi emitido pela Câmara, mas os serviços não teriam sido prestados pela empresa Bela Flor, que funciona na casa simples de Lucineide no bairro Nova Ipê, em Várzea Grande.


Devido à polêmica, Lucineide diz que prefere não se expor demais na imprensa e teria emprestado as notas apenas por uma questão de amizade. O depoimento complica a situação do vereador Lutero, já que esse é o primeiro indício que liga diretamente o parlamentar à corrupção na Câmara detectada através da operação Crepúsculo. Até o depoimento da empresária, o vereador era apontado apenas como o ordenador de despesas e responsável por nomear em cargos de indicação política os servidores contra os quais já existem provas robustas da ligação com fraude em licitações que superam R$ 7,5 milhões.


Outro lado - Responsável pela defesa de Lutero, o advogado Paulo Taques afirma desconhecer o teor do depoimento e por isso prefere não se manifestar. Questionada por A Gazeta, a delegada Maria Alice Amorim, uma das responsáveis pela operação Crepúsculo, disse que não pode comentar o assunto para preservar as investigações.


Fonte:Midia News