Pra frente, Brasil... dos indignados! O futuro lhes pertence.
...Pra frente, Brasil! (d. Roberto Farias, 1982).
Trata-se de uma sarcástica lembrança do pesadelo que aqui vivemos sob a
ditadura militar: enquanto um pacato cidadão (Reginaldo Farias) é
barbarizado nos porões por haver sido confundido com um militante
revolucionário, o povo vibra com a campanha da Seleção Brasileira no
México.
O título é o mesmo da repulsiva marchinha representativa do tri, aquela
dizendo que "todo o Brasil deu as mãos" numa "corrente pra frente", pois
"tudo é um só coração". Só que alguns corações não disparavam por causa
dos gols de Jairzinho, e sim dos choques elétricos que os corpos
martirizados recebiam.
Mas, por que evocar tais horrores logo na véspera da abertura do Mundial 2014 da Fifa?
Vocês se surpreenderão: não estou sugerindo que vivemos hoje situação
semelhante, mas, pelo contrário, comemorando o fato de que o povo
brasileiro hoje já não se ilude tão facilmente e está contestando nas
ruas a Copa das Maracutaias -à qual se seguirá a Grande Recessão de 2015, porque a lógica do capitalismo a exige.
O que existe hoje de mais auspicioso neste país não transcorre nos
estádios, muito menos na Praça dos Três Poderes. São os jovens saindo
novamente às ruas para lutar contra os privilégios, as injustiças e os
descalabros. E que terão motivos mais graves ainda para lutar no ano que
vem.
Os augúrios são soturnos, mas a esperança voltou. Pra frente, Brasil... dos indignados! O futuro lhes pertence.
PRA FRENTE BRASIL (1982)
Roteiro de Roberto Farias. Argumento de Reginaldo Farias e Paulo Mendonça. Dirigido por Roberto Farias. Estrelando Reginaldo Faria, Natália do Valle, Antônio Fagundes & Elizabeth Savalla.
SINOPSE Em 1970, em plena euforia do milagre econômico e da vitória da seleção brasileira na Copa de 70, um pacato cidadão da classe média, Jofre Godoi da Fonseca, é confundido com um ativista político, sendo então preso e torturado por um grupo que combate "subversivos", patrocinado por empresários. A mulher e o irmão de Jofre investigam seu desaparecimento, pois não conseguem o apoio da polícia.
Fonte Náufrago da Utopía
Leia mais
Por Bruno Lima Rocha
Aqui, inicio outra série onde abordo a lacuna de democracia direta como responsável pela ausência de legitimação dos grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014.
No presente texto aponto conceitos-chave para este vazio de legitimidade e no seguinte demonstro a fracassada tentativa de manipulação cultural do esporte mais popular do país. Comecemos pelos fundamentos.
Seria leviano reafirmar noções elitistas reproduzindo frases como: “o futebol é o ópio do povo”. Infelizmente, boa parte de nossa intelectualidade desconhece os sistemas culturais que organizam a vida das maiorias, nestes incluídos o lazer, o corpo, a religiosidade e o espírito gregário.
Mas, ao mesmo tempo em que não se deve condenar a “paixão nacional”, tampouco podemos repetir a adesão acrítica, até porque as estruturas de poder do esporte profissional reproduzem o pior do país. Para desespero dos ufanistas, é justamente pelo futebol ser compreendido pela maioria, que se torna fácil expor as contradições e conflitos de interesses em torno da realização da Copa do Mundo.
Os protestos de maio, junho e julho de 2013 no Brasil, em pleno efeito da Copa das Confederações, representaram uma alforria simbólica e emocional para com o andar de cima da sociedade.
Mais de 2 milhões de pessoas foram reclamar seus direitos – de forma orgânica ou difusa – e comparavam a atenção dada pelos poderes de fato ao caderno de encargos da FIFA para com a execução do orçamento da União e os serviços públicos brasileiros.
Vem daí o mote do lema “queremos hospitais e escolas padrão FIFA!”. O ano passado marcou uma mudança de paradigma na política de massas e agora se colhe o fruto amargo, com apatia e má vontade para o grande evento.
A verdade pura e simples é que ninguém foi consultado, nem de forma simbólica, se queria ou não suportar os encargos e gastos da Copa do Mundo. Tivesse o então governo Lula - no auge de sua popularidade - feito uma ampla consulta, ainda que simbólica através da internet, e haveria a legitimação necessária.
Agora, estamos às vésperas do torneio e na ante-sala de uma apertada eleição presidencial, e o país vive o paradoxo da não adesão popular. Enquanto isso, a camada dominante se divide. Os conglomerados econômicos patrocinadores do evento, desejam tanto o sucesso como o consequente retorno financeiro e midiático.
Já a direita que não está no governo, torce discretamente pelo fracasso da seleção para angariar os resultados da ira nas urnas. O país do futebol amadureceu.
Fonte Estratégia e Análise
Saiba mais
A Copa do Mundo e a lacuna democrática – 2
Já o apelo publicitário gerou benefícios para o povo brasileiro. Este veio através do lema: “Vem pra rua, porque a rua é a maior arquibancada do Brasil”. O efeito indireto dele foi interessante. Ultrapassou a forma mercadoria e operou como catalisador da indignação nacional com os desmandos da FIFA e a inversão de prioridades.
Por Bruno Lima Rocha
Dando sequência ao artigo da semana anterior, neste texto, exemplifico duas formas de manipulação da “paixão nacional” ocorridas na montagem da Copa do Mundo. Uma trata da distribuição por todo o território das cidades-sede e outra do apelo publicitário revivido a cada quatro anos.
O Brasil sedia neste ano uma competição espalhada pelo país. Temos a representação de cinco regiões do Brasil e doze cidades-sede da Copa de 2014. São elas: Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Natal (RN), Salvador (BA), Recife (PE) e Manaus (AM).
A manipulação que me referi semana passada diz respeito não ao fato não de termos sedes em todas as grandes regiões do país; a crítica recai nas escolhas de capitais com inferior tradição futebolística. Um exemplo é o Centro-Oeste, onde o poderoso futebol goiano não estará representado, sendo substituído por centros menores no esporte, como o Distrito Federal e Cuiabá. O mesmo ocorre na Região Amazônica. Belém tem duas potências dentro das quatro linhas, e ainda assim não entra como sede, dando lugar a Manaus.
Em ambos os casos, após o torneio, os novos estádios não serão utilizados com a mesma intensidade do que seriam tanto o Mangueirão (Belém) como o Serra Dourada (Goiânia), caso reformados para o evento. O argumento de nacionalizar a competição mundial da FIFA não corresponde à dimensão nacional do futebol e sim a interesses oligárquicos que compõem a sempre fluida base “aliada”. O efeito direto é a sobrevalorização do solo urbano, atendendo aos consórcios locais de grandes obras, eternas clientes das verbas públicas.
Já o apelo publicitário gerou benefícios para o povo brasileiro. Este veio através do lema: “Vem pra rua, porque a rua é a maior arquibancada do Brasil”. O jingle foi interpretado pelo respeitável grupo O Rappa, sendo de autoria do compositor e cantor Wilson Simoninha e fora encomendado pela campanha da FIAT de 2013.
Seu efeito indireto foi interessante. Ultrapassou a forma mercadoria e operou como catalisador da indignação nacional com os desmandos da FIFA e a inversão de prioridades. Ao promover a participação popular, chamou a atenção para a hegemonia mercantil e transnacional do esporte, e ajudou na crítica da associação de símbolos e cores com a “paixão nacional”. Ironia da história contemporânea, nós fomos convocados a aderir ao evento como “brasileiros”; mas, por sorte, estamos protestando como argentinos.
Fonte Estratégia e Análise
https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante
Visite a pagina doi MCCE-MT
www.mcce-mt.org
SINOPSE Em 1970, em plena euforia do milagre econômico e da vitória da seleção brasileira na Copa de 70, um pacato cidadão da classe média, Jofre Godoi da Fonseca, é confundido com um ativista político, sendo então preso e torturado por um grupo que combate "subversivos", patrocinado por empresários. A mulher e o irmão de Jofre investigam seu desaparecimento, pois não conseguem o apoio da polícia.
Fonte Náufrago da Utopía
Leia mais
A Copa do Mundo e a lacuna democrática – 1
Mais de 2 milhões de pessoas foram reclamar
seus direitos – de forma orgânica ou difusa – e comparavam a atenção
dada pelos poderes de fato ao caderno de encargos da FIFA para com a
execução do orçamento da União e os serviços públicos brasileiros
Aqui, inicio outra série onde abordo a lacuna de democracia direta como responsável pela ausência de legitimação dos grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014.
No presente texto aponto conceitos-chave para este vazio de legitimidade e no seguinte demonstro a fracassada tentativa de manipulação cultural do esporte mais popular do país. Comecemos pelos fundamentos.
Seria leviano reafirmar noções elitistas reproduzindo frases como: “o futebol é o ópio do povo”. Infelizmente, boa parte de nossa intelectualidade desconhece os sistemas culturais que organizam a vida das maiorias, nestes incluídos o lazer, o corpo, a religiosidade e o espírito gregário.
Mas, ao mesmo tempo em que não se deve condenar a “paixão nacional”, tampouco podemos repetir a adesão acrítica, até porque as estruturas de poder do esporte profissional reproduzem o pior do país. Para desespero dos ufanistas, é justamente pelo futebol ser compreendido pela maioria, que se torna fácil expor as contradições e conflitos de interesses em torno da realização da Copa do Mundo.
Os protestos de maio, junho e julho de 2013 no Brasil, em pleno efeito da Copa das Confederações, representaram uma alforria simbólica e emocional para com o andar de cima da sociedade.
Mais de 2 milhões de pessoas foram reclamar seus direitos – de forma orgânica ou difusa – e comparavam a atenção dada pelos poderes de fato ao caderno de encargos da FIFA para com a execução do orçamento da União e os serviços públicos brasileiros.
Vem daí o mote do lema “queremos hospitais e escolas padrão FIFA!”. O ano passado marcou uma mudança de paradigma na política de massas e agora se colhe o fruto amargo, com apatia e má vontade para o grande evento.
A verdade pura e simples é que ninguém foi consultado, nem de forma simbólica, se queria ou não suportar os encargos e gastos da Copa do Mundo. Tivesse o então governo Lula - no auge de sua popularidade - feito uma ampla consulta, ainda que simbólica através da internet, e haveria a legitimação necessária.
Agora, estamos às vésperas do torneio e na ante-sala de uma apertada eleição presidencial, e o país vive o paradoxo da não adesão popular. Enquanto isso, a camada dominante se divide. Os conglomerados econômicos patrocinadores do evento, desejam tanto o sucesso como o consequente retorno financeiro e midiático.
Já a direita que não está no governo, torce discretamente pelo fracasso da seleção para angariar os resultados da ira nas urnas. O país do futebol amadureceu.
Fonte Estratégia e Análise
Saiba mais
A Copa do Mundo e a lacuna democrática – 2
Já o apelo publicitário gerou benefícios para o povo brasileiro. Este veio através do lema: “Vem pra rua, porque a rua é a maior arquibancada do Brasil”. O efeito indireto dele foi interessante. Ultrapassou a forma mercadoria e operou como catalisador da indignação nacional com os desmandos da FIFA e a inversão de prioridades.
Por Bruno Lima Rocha
Dando sequência ao artigo da semana anterior, neste texto, exemplifico duas formas de manipulação da “paixão nacional” ocorridas na montagem da Copa do Mundo. Uma trata da distribuição por todo o território das cidades-sede e outra do apelo publicitário revivido a cada quatro anos.
O Brasil sedia neste ano uma competição espalhada pelo país. Temos a representação de cinco regiões do Brasil e doze cidades-sede da Copa de 2014. São elas: Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Natal (RN), Salvador (BA), Recife (PE) e Manaus (AM).
A manipulação que me referi semana passada diz respeito não ao fato não de termos sedes em todas as grandes regiões do país; a crítica recai nas escolhas de capitais com inferior tradição futebolística. Um exemplo é o Centro-Oeste, onde o poderoso futebol goiano não estará representado, sendo substituído por centros menores no esporte, como o Distrito Federal e Cuiabá. O mesmo ocorre na Região Amazônica. Belém tem duas potências dentro das quatro linhas, e ainda assim não entra como sede, dando lugar a Manaus.
Em ambos os casos, após o torneio, os novos estádios não serão utilizados com a mesma intensidade do que seriam tanto o Mangueirão (Belém) como o Serra Dourada (Goiânia), caso reformados para o evento. O argumento de nacionalizar a competição mundial da FIFA não corresponde à dimensão nacional do futebol e sim a interesses oligárquicos que compõem a sempre fluida base “aliada”. O efeito direto é a sobrevalorização do solo urbano, atendendo aos consórcios locais de grandes obras, eternas clientes das verbas públicas.
Já o apelo publicitário gerou benefícios para o povo brasileiro. Este veio através do lema: “Vem pra rua, porque a rua é a maior arquibancada do Brasil”. O jingle foi interpretado pelo respeitável grupo O Rappa, sendo de autoria do compositor e cantor Wilson Simoninha e fora encomendado pela campanha da FIAT de 2013.
Seu efeito indireto foi interessante. Ultrapassou a forma mercadoria e operou como catalisador da indignação nacional com os desmandos da FIFA e a inversão de prioridades. Ao promover a participação popular, chamou a atenção para a hegemonia mercantil e transnacional do esporte, e ajudou na crítica da associação de símbolos e cores com a “paixão nacional”. Ironia da história contemporânea, nós fomos convocados a aderir ao evento como “brasileiros”; mas, por sorte, estamos protestando como argentinos.
Fonte Estratégia e Análise
https://www.facebook.com/antoniocavalcantefilho.cavalcante
Visite a pagina doi MCCE-MT
www.mcce-mt.org



