sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

NÃO DESVIE O OLHAR


Proteger, orientar, cuidar, denunciar e ir para front, se preciso for, para defender qualquer pessoa em perigo não é ato de heroísmo e sim de humanidade, de cidadania. Estejamos atentos não só nesse Carnaval. Somos responsáveis também pelas nossas omissões! 



Da Editoria da Gazeta Digital

Às portas de se oficializar o reinado de Momo em todo País, que deverá receber este ano nada menos que 6,8 milhões de turistas, segundo previsão do Ministério do Turismo, a preocupação com os efeitos colaterais recorrentes desse período nos faz entrar em estado de alerta quando a pauta é a proteção das nossas crianças e adolescentes, vulneráveis a todo tipo de violação de seus direitos. E quando se diz violação leia-se todo tipo de abuso mesmo, da psicológica à física, da exploração do trabalho, comum a essa época, à sexual. 

Reforçado pela campanha "Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie. Proteja nossas crianças e adolescentes da violência", o Disque 100, canal anônimo de denúncias, não só de suspeitas, mas da constatação de casos dessa violação, precisa ser divulgado em larga escala, em todas as regiões, em cada cidade, em cada canto onde a população infantojuvenil estiver sob ameaça, especialmente a velada. É dever de cada um de nós. 

Fechar os olhos e acreditar que nossos filhos estão protegidos sob a nossa guarda, ou mesmo que crianças que não são nossas não nos dizem respeito, é muita covardia. 

É preciso estar atento, sim, e denunciar, não só através do Disque 100, mas nos Conselhos Tutelares, nas Delegacias, botar a boca no trombone ao sinal de qualquer suspeita de abuso. 

Criado em 2003, o Disque 100 já recebeu mais de 700 mil denúncias. E só em 2014, foram 91.342 notificações, principalmente de casos de negligência, violência psicológica, física e sexual, informa a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). Como adultos que somos, sabemos que cinco minutos na vida de qualquer pessoa - sobretudo das crianças e adolescentes - em situação de risco, fazem toda a diferença entre a vida e a morte. 

Não nos interessa as cifras do impacto econômico positivo gerado pela vinda de turistas de todas as partes do mundo, não nos envaidece saber que o Carnaval nos projeta fora, é se esse dinheiro que ficar, for às custas da exploração da nossa gente, das nossas crianças e adolescentes. 

Proteger, orientar, cuidar, denunciar e ir para front, se preciso for, para defender qualquer pessoa em perigo não é ato de heroísmo e sim de humanidade, de cidadania. Estejamos atentos não só nesse Carnaval. Somos responsáveis também pelas nossas omissões!