"Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem".(Bertold Brecht)

Ex-presidente do TJ teve papel fundamental no processo de afastamento de dez magistrados pelo CNJ
RAMON MONTEAGUDO
DA REDAÇÃO
O desembargador Paulo Lessa, de 60 anos, entrou nesta tarde com pedido de aposentadoria junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Ex-presidente do Poder, ele foi (ao lado do desembargador Orlando Perri) um dos responsáveis pelo processo que culminou com a aposentadoria compulsória de dez magistrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no último dia 23 de fevereiro.
O pedido foi aceito e Lessa está oficialmente aposentado por tempo de serviço, já que acumula mais de trinta anos de magistratura. Mesmo assim, se quisesse, ele poderia permanecer atuando no Tribunal de Justiça até os 70 anos.
Segundo apurou o MidiaNews, Paulo Lessa alegará nesta sexta-feira, durante entrevista coletiva marcada para as 10 horas, na sede da AMAM (Associação Mato-grossense de Magistrados), que tomou a decisão por motivos pessoais. Entre eles, a falta de motivação para continuar com suas atribuições. Isso, principalmente, em função da crise institucional, sem precedentes, por que passa o Judiciário mato-grossense.
"Após o afastamento dos dez magistrados pelo CNJ, o clima ficou extremamente carregado no Tribunal. Ele confidenciou a amigos que estava desmotivado e sem condições de exercer à altura suas funções. Mas ele sai absolutamente tranqüilo, convicto de que ajudou em muito o Poder, exercendo os cargos de presidente, corregedor e tendo papel importante para a instalação de Comarcas pelo interior, implantação do sistema de cargos e carreiras no Poder e na própria construção do Palácio da Justiça", afirmou uma fonte do TJ, agora à noite.
Segundo a fonte, apesar de saber que seu pedido, na atual circunstância, poderá ser encarado como uma espécie de "fuga", Lessa não titubeou. "O fato de se aposentar não o exime de possíveis responsabilidades cíveis ou criminais. É óbvio que ele sabe disso, portanto, nesse sentido, não muda nada. A aposentadoria foi, sem dúvida alguma, por desmotivação mesmo", disse.
Pelo que foi apurado, Lessa estaria decidido a entrar com pedido de aposentadoria em agosto no ano passado mas, em função de um embate com o desembargador Mariano Travassos, envolvendo o Sistema de Desenvolvimento de Carreiras e Remuneração (SDCR) do Poder, equivalente a um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, ele decidiu continuar.
O desembargador aposentado Paulo Lessa ainda tem pendências junto ao Conselho Nacional de Justiça e, muito provavelmente, concentrará seu tempo, a partir de agora, para se dedicar integralmente à sua defesa.
Fonte: Midia News
