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A MENSAGEM POPULAR É CLARA: FORA COM OS USURPADORES!
Cabe aos eleitores afanados de seus
direitos recusar-lhes obediência, interpelar a infalibilidade do Supremo
Tribunal Federal por infidelidade constitucional e manter o democrático
escracho, forma de coação moral dentro da legalidade, até que os
usurpadores renunciem ou saiam eleitoralmente derrotados em 2016 e 2018.
Segunda Opinião
De Wanderley Guilherme dos Santos,
O governo interino de Michel Temer age
com a truculência de força de ocupação em território estrangeiro:
desconsidera a história local, subverte os laços de solidariedade e
cancela as políticas aprovadas coletivamente. Mesmo um governo de
oposição eleito segundo as regras do jogo evita bagunçar a vida da
comunidade, e não só porque os padrões de relacionamento entre o poder
público e os grupos da sociedade estão incorporados ao cálculo de futuro
das pessoas. A prudência recomenda reconhecer que são vocacionadas para
o fracasso as tentativas de apagar completamente os vestígios dos
antecessores. O custo seria elevadíssimo, a fraude descomunal e o
desmascaramento certo. Explicam-se, portanto, as idas e vindas das
autoridades interinas, a atabalhoada adoção de políticas antes
anunciadas pelo governo destituído e a pirraça de renomear o que já
existe. Baratas tontas enfurecidas e míopes. Acresce o comprovado
envolvimento em traficâncias da maioria dos mandachuvas interinos, com
previsão de que não causará surpresa se o próprio presidente precário
vier a ser exposto como estrela da turma. Tudo depende da capacidade dos
líderes da Lava-Jato e outros figurões de continuar filtrando o
resultado de delações, batidas espetaculares e conduções coercitivas.
Até agora os golpistas têm conseguido levar a vida na flauta,
sorridentes, deputados, senadores e ministros, embora o júbilo
proporcionado pelo sucesso do assalto esteja sendo substituído, em
todos, por caras de paisagem.
O impacto farsesco contamina o Supremo
Tribunal Federal, obrigado a empenhar monumental esforço para emprestar
ração modestíssima de autenticidade a deliberações de teor antecipado em
editoriais intimidantes. Não há como disfarçar a repetida coincidência
entre o desempenho do judiciário e o interesse de apressados golpistas.
Nem escapa ao conhecimento da opinião pública a voracidade rentista da
corporação, embaralhando tratativas constitucionais com irrefreável
apetite salarial e por benesses colaterais. Destituído de solenidade
crível, a teatralidade das sessões e a linguagem pedantemente rococó,
quando não francamente charlatanesca (em despacho, o juiz Sergio Moro
registra sua “cognição sumária”, pois aos iniciados não sucedem
pedestres “primeiras impressões”), são como cartas de amor,
embaraçosamente ridículas. Sem a inocência do lirismo de Fernando
Pessoa, contudo.
Nada se sustenta. Podem os interinos
tentar seduzir a audiência com promessas de executar um salto mortal
triplo, sem rede, mastigar sem hesitação lápides fúnebres e beber seis
taças de mercúrio cromo. Tirante a irrelevância das fanfarronadas, nem
essas são honradas por usurpadores. Cabe aos eleitores afanados de seus
direitos recusar-lhes obediência, interpelar a infalibilidade do Supremo
Tribunal Federal por infidelidade constitucional e manter o democrático
escracho, forma de coação moral dentro da legalidade, até que os
usurpadores renunciem ou saiam eleitoralmente derrotados em 2016 e 2018.
Pactos laterais constituiriam assassinato pelas costas ao enorme
contingente de brasileiros que, desde logo, sublevou-se contra o golpe
parlamentar.
Fonte Segundo Opinião
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