sábado, 28 de setembro de 2013

“Diga-me com quem tu andas, que eu te digo quem tu és”


Além da condenação dos acusados por crime de corrupção ativa, o MPE também pleiteia o pagamento de R$ 1,5 milhão em virtude dos danos morais difusos e à imagem do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso. 



 João Emanuel, José Riva e sua filha Janaína Riva


Prosa e Política

(Jéssica Matias) Genro do político com maior número de processos no país, José Riva (PSD), o presidente da Câmara de Cuiabá, João Emanuel (PSD), conseguiu superar o padrinho político em agilidade no quesito escândalo. Com menos de um ano de mandato, João Emanuel foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE-MT) por envolvimento na compra de decisão judicial em benefício da família “Pagliucas”, do ramo de tráfico de drogas.
 
Gravações telefônicas da Polícia Federal revelam, segundo o MPE, que o vereador comandava as ações do estudante de Direito Marcelo Santana, já denunciado em abril de 2013 por tentar cooptar o assessor da Vara do Crime Organizado para que redigisse minuta de decisão favorável à soltura dos traficantes da família ‘Pagliuca’. À época, o genro de Riva estava em plena campanha a vereador com total apoio do padrinho político. Agora vai responder por corrupção ativa, junto com nove integrantes da quadrilha.

A denúncia diz que Adalberto Pagliuca Filho, Régis Aristides Pagliuca e Joelson Alves da Silva contrataram João Emanuel para, juntamente, com Marcelo Santana, corromper os funcionários do Judiciário.

Além dele, também foram denunciados José Maria Machado, Ailton Rodrigues de Pádua, Adalberto Pagliuca Neto, Régis Aristide Pagliuca, Regina Célia Cardoso Pagliuca, Joelson Alves da Silva, Elaine Cristina Pagliuca Silva, Joelma Alves da Silva e Ana Alves da Silva.

“A prova constante das interceptações telefônicas demonstra intensa movimentação dos pretensos beneficiários da trama criminosa no sentido de ajuntar o dinheiro necessário para o pagamento da vantagem financeira aos intermediários corruptores e funcionários públicos que tentavam corromper”, dizem os promotores de Justiça.



Segundo o Gaeco, os novos fatos apurados são desdobramento da ‘Operação Assepsia’, deflagrada em abril deste ano pelo MPE. “Durante a instrução processual, adveio ao conhecimento do Ministério do Estado de Mato Grosso, por intermédio de gravações obtidas em interceptações telefônicas feita pela Polícia Federal, com autorização judicial, provas complementares que, além de corroborar as já existentes, trouxeram indícios de participação de outros atores no cenário criminoso”, diz um trecho da denúncia.

Durante a Operação ‘Assepsia’ foram expedidos 10 mandados, sendo 5 de prisão e 5 de busca e apreensão contra um advogado, um estagiário, um servidor público do Poder Judiciário e dois integrantes de uma organização criminosa atuante no ramo de tráfico de pasta base e cocaína.

Duas tentativas de suborno realizadas pelo grupo, junto ao assessor jurídico da Vara Especializada Contra o Crime Organizado, foram constatadas. Na primeira, o estagiário e o advogado envolvido ofereceram R$ 1 milhão para que o assessor jurídico redigisse e submetesse ao magistrado decisão revogando a prisão dos ‘Pagliucas’. O estagiário teria afirmado, ainda, que já tinha acertado com um desembargador, que confirmaria a decisão em segunda instância.

Na segunda tentativa de suborno, no montante de R$ 1,5 milhão, a ação partiu do servidor do Tribunal de Justiça juntamente com os dois beneficiários da quadrilha de traficantes. Eles sugeriram ao assessor do juiz que redigisse decisão de conflito negativo de competência do processo dos ‘Pagliucas’ e submetesse ao juiz, visando, com isso, a ocorrência de excesso de prazo, o que legitimaria a soltura dos réus pelo Tribunal de Justiça. Alegaram que já tinham fechado um esquema com o desembargador e que tal decisão seria mantida.

Além da condenação dos acusados por crime de corrupção ativa, o MPE também pleiteia o pagamento de R$ 1,5 milhão em virtude dos danos morais difusos e à imagem do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso. O valor deverá ser revertido em serviços assistenciais.

Fonte Prosa e Política


Visite a pagina do MCCE-MT