Objetivamente, Bolsonaro já serviu aos propósitos dessa mídia e agora se torna um estorvo também para ela.
O problema é: como se desfazer dele sem passar recibo de que tentaram fazer milhões de brasileiros de bobos?
Por Ângela Carrato*, especial para o Viomundo
No Brasil, o ano termina como começou: mergulhado em mentiras.
O mais grave é que as mentiras partiram dos que, por obrigação, deveriam falar a verdade: o governo e a mídia.
A mais recente mentira divulgada pelo Grupo Globo diz respeito ao
suposto crescimento de 9,5% das vendas em lojas de shoppings centers no
Natal. Apesar de veiculado exaustivamente pela TV Globo e pela rádio
CBN, o tal crescimento não existiu.
O Ibope, tradicional parceiro do Grupo Globo, nega que tenha feito
pesquisa nesse sentido, e a Associação Brasileira dos Lojistas Satélites
(Ablos) informa que “70% das vendas natalinas de 2019 foram iguais ou
piores do que as de 2018”.
A Ablos quer que a notícia seja desmentida.
Não é de agora que o Grupo Globo tenta convencer os brasileiros que a economia está melhorando.
A tentativa beira o ridículo e transformou comentaristas como Carlos
Alberto Sardenberg e Miriam Leitão em chacotas nas redes sociais.
Sardenberg, por exemplo, não viu nenhum problema nem mesmo quando o
dólar rompeu a barreira dos R$ 4 e Leitão, volta e meia, fala em
“retomada do crescimento” com o país tecnicamente em recessão.
Os dois vão além e batem palmas para “a inflação estar abaixo do
centro da meta”, quando, na verdade, deveriam se mostrar
preocupadíssimos com os números estratosféricos de desempregados 11,8% e
de 38,8 milhões de pessoas na informalidade, segundo o IBGE.
O Brasil virou o país dos “bicos”, mas a mídia corporativa, TV Globo à
frente, rasga elogios para a vergonhosa “carteira verde e amarela”.
Quem se lembra que esses dois comentaristas defenderam com unhas e
dentes as reformas Trabalhista e da Previdência, apresentadas como
“essenciais” para o Brasil voltar a crescer?
Agora fingem que não veem que ambas serviram apenas para retirar
direitos dos trabalhadores e garantir um futuro ainda mais sombrio para a
maioria da população.
Os “empreendedores” de que tanto falavam não passam de “novos
escravos”, jovens dirigindo motos ou pedalando bicicletas, com enormes
caixas nas costas.
MILÍCIAS E ROBÔS
As grandes vedetes de 2019 foram, portanto, as fake news, sejam as
oficiais, criadas por Bolsonaro e divulgadas pela mídia corporativa,
sejam as que inundaram o Whatsapp dos ingênuos e simplórios.
Absurdos como kit gay, terraplanismo, marxismo cultural, ódio ao
maior educador brasileiro de todos os tempos, Paulo Freire, à ONU e às
vacinas tornaram-se temas que a mídia corporativa preferiu desconhecer,
depois que o TSE também deixou essas mentiras de lado e resolveu tocar a
vida como se o Brasil estivesse vivendo em absoluta normalidade.
A questão das fake news só voltou à tona em outubro, quando da instalação de CPI para apurar o assunto.
Em depoimento nesta CPI, a ex-líder de Bolsonaro na Câmara dos
Deputados, Joice Hasselmann (PSL-SP) agora rompida com o capitão
reformado, foi direto ao ponto.
Denunciou que “todo mundo sabe” que Bolsonaro e o filho Eduardo têm
“milícia virtual”, defensores do governo que direcionam ataques e
críticas a seus adversários nas redes sociais.
Para Joice, essa milícia é “composta por pessoas interligadas em todo
o Brasil, algumas recebendo por isso e outras não. Muitos são robôs”.
Pelos cálculos da própria Joice, os robôs controlados pela família Bolsonaro chegam a quase dois milhões.
Mesmo assim, o TSE, autorizou assinatura eletrônica para que Bolsonaro crie seu novo partido, Aliança pelo Brasil.
O partido, pelo visto, será uma aliança de robôs patrocinada com
dinheiro público e manejados pelo “gabinete do ódio”, como é conhecida a
equipe controlada pelos filhos de Bolsonaro, Eduardo e Carlos.
Era para qualquer emissora séria de televisão ou de rádio ter dado enorme destaque ao assunto.
Não foi o que se verificou. TV Globo e congêneres trataram o tema sem
qualquer alarde e sem suíte, apostando na memória curta do “respeitável
público”.
Não que a família Marinho tenha simpatia por Bolsonaro. Não tem. Ela
gosta mesmo é dos ministros da Economia, Paulo Guedes e de sua agenda
ultraliberal, e de Sérgio Moro, da Justiça, com seu discurso
anticorrupção, que só funciona para os adversários.
RICOS MAIS RICOS
O empenho da TV Globo e assemelhados em convencer a população de que a economia está voltando a crescer tem aí sua razão de ser.
Ela garantiu que “tirando a Dilma, tudo ia melhorar”. Muita gente
acreditou e deu no que deu: além do dólar nas alturas, o litro de
gasolina já é vendido a R$ 5 em vários estados, o bojão de gás
ultrapassou a marca recorde de R$ 80 e não para de subir, enquanto o
governo congelou o salário mínimo.
Some-se a isso que a mesa de Natal dos brasileiros ficou ainda mais
pobre esse ano: a maioria foi obrigada a substituir carne por ovos,
porque o preço da carne bateu nas nuvens.
A título de exemplo, o quilo de patinho, carne de segunda, custa R$
39,90. Isso pode não significar nada para o presidente Jair Bolsonaro,
que chegou a brincar com o assunto em uma live, ou para os juízes
brasileiros, que recebem mais de um salário mínimo por mês só em
vale-refeição.
Mas demonstra o tamanho do estrago que o golpe de 2016 continua fazendo.
A mídia, por sua vez, tentou botar a culpa no governo chinês,
responsabilizando o país asiático pela alta dos preços ao ampliar o
volume de carne que importa do Brasil.
Essa mesma mídia abriu espaço para a ministra da Agricultura, Tereza
Cristina, aquela que defende mais agrotóxicos, passar pano para os
pecuaristas, “que precisam aproveitar o bom preço”, mas não disse uma
palavra sobre a obrigação que tem qualquer governo de defender, em
primeiro lugar, a alimentação do seu povo.
Algo como o que está fazendo o novo presidente da Argentina, Alberto Fernández.
Não surpreende que de 2016 para cá, os ricos tenham ficado mais ricos
e os pobres ainda mais pobres, como aponta a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em 16 de
dezembro pelo IBGE.
Segundo a pesquisa, em 2018, o rendimento médio mensal do 1% mais
rico da população foi 40 vezes maior do que o dos 50% mais pobres, ano
em que a desigualdade de renda no Brasil bateu recorde da série
histórica, iniciada em 2012.
Esses dados significam que, consideradas todas as fontes de renda, a
metade mais pobre da população – quase 104 milhões de brasileiros – vive
com apenas R$ 413 mensais, enquanto o 1% mais rico – 2,1 milhões de
pessoas – tem renda média de R$ 16.297 por pessoa.
ÓDIO AOS MAIS POBRES
A situação dos muitos pobres ficou pior, em 2019 e tende a piorar
ainda mais em 2020, porque o governo Bolsonaro está destruindo, por
dentro, programas fundamentais como Bolsa Família (PBF) e Benefício de
Prestação Continuada (BPC).
Nos dois casos, o governo reduziu o número de beneficiários e
dificulta ao máximo o ingresso de novas pessoas nesses programas que
atendem famílias carentes, idosos pobres e os incapacitados para o
trabalho.
Demagogicamente, no entanto, o atual governo alardeou que pagou pela
primeira vez, o 13º salário para o PBF e parte da mídia corporativa
noticia que o governo poderá ir além, bancando material escolar para as
crianças e jovens do programa.
Duas novas mentiras.
O 13º foi pago às custas dos beneficiários retirados do programa e que passaram o Natal literalmente sem ter o que comer.
Quanto ao material escolar, não só os beneficiários como todas as
crianças em idade escolar, nos governos de Lula e de Dilma recebiam, no
início do ano, um kit escolar.
Os reflexos do ódio de Bolsonaro aos mais pobres são visíveis.
O centro das grandes cidades brasileiras voltou a ser ocupado por
milhares de moradores de rua (homens, mulheres e crianças) que se
amontoam e dormem sob marquises ou barracas improvisadas.
Crianças pobres estão novamente vendendo balas e pedindo esmolas nos
sinais, onde ganham, na maioria das vezes, a indiferença dos “cidadãos
de bem”. Não há números atualizados, porque o único censo envolvendo
essa população foi realizado em 2009.
Diante desse quadro dantesco, governo e mídia tentam juntos mais uma vez fazer o brasileiro de bobo.
O anúncio de que todos que ganham até um salário mínimo poderiam
sacar R$ 500 da conta do FGTS aconteceu como se tratasse de uma grande
generosidade do governo. Não é.
Esse dinheiro é do trabalhador e não do governo. O governo Bolsonaro
só resolveu autorizar esse saque, na tentativa de injetar dinheiro no
comércio e tentar reverter o caos que criou na economia.
O que nem governo e nem a mídia contaram para os brasileiros é esse
dinheiro constitui uma das principais fontes de financiamento do
Programa Minha Casa, Minha Vida.
Vale dizer: em 2020, pode não haver construção de moradia para os mais pobres.
FACADA E COCAÍNA
Vez por outra a mídia dá a impressão de que critica o capitão reformado, mas, na prática, passa pano para os seus desmandos.
A própria eleição de Bolsonaro foi marcada por mentiras, encampadas e apoiadas pela mídia corporativa brasileira.
Durante a campanha eleitoral não houve debates e nem quaisquer cobranças.
A tal facada até hoje permanece algo extremamente nebuloso e não mereceu qualquer investigação jornalística.
Some-se a isso que a mídia em momento algum questionou o absurdo que
significou a condenação e prisão sem provas do ex-presidente Lula, no
momento em que ele liderava todas as pesquisas de intenção de voto.
Essa mídia, aliás, fez de tudo para prender e manter Lula preso, ao
mesmo tempo em que ignorou as gravíssimas denúncias divulgadas pelo site
The Intercept Brasil.
A família Marinho, inclusive, move uma guerra particular contra Lula e
não perde oportunidade para criticar a decisão do STF de, em
cumprimento com o que determina a Constituição, proibir a prisão antes
de esgotados todos os recursos legais.
Para manter Lula preso por 580 dias, a mídia contou com o cúmplice
silêncio da Justiça brasileira, que deveria ter investigado o que o
jornalista estadunidense, Gleen Greenwald, do editor-geral do The Intercept Brasil trouxe a público através da série que ficou conhecida como #VazaJato.
Nela, Greenwald mostra como o então juiz Moro agiu de forma totalmente ilegal no processo contra Lula.
O que já deveria ter valido a anulação de todos os processos contra o ex-presidente.
Esse problema estará no colo dos juízes do STF em 2020. Se ficar
evidente a suspeição de Moro para julgar Lula, o que fará a justiça
brasileira?
Seguirá pelo mesmo caminho do ministro Alexandre de Morais que, ao
responder aos advogados da ex-presidente Dilma Rousseff, sobre a data do
julgamento da constitucionalidade de um impeachment sem crime de
responsabilidade, saiu-se com a seguinte tirada: “o processo perdeu o
seu objeto”.
E a mídia, o que dirá?
Como vai explicar para seu “respeitável público” a cumplicidade para
com os absurdos cometidos pelo governo do capitão reformado?
Bolsonaro extinguiu o Ministério da Cultura e por pouco não extingue também o Ministério do Meio Ambiente.
Na prática, aliás, o Ministério do Meio Ambiente também foi extinto, pois seu titular é pessoa avessa à área.
Basta lembrar as barbaridades que disse e fez Ricardo Salles contra o
Fundo Amazônico, sem falar na inércia em relação às queimadas
criminosas na Amazônia e ao vazamento de óleo que atingiu mais de 700
localidades brasileiras, quase todas no Nordeste.
A “CULPA” É DA VENEZUELA
Em relação aos incêndios na Amazônia, a única providência de
Bolsonaro foi demitir o dirigente do INPE, Ricardo Galvão, responsável
pelo monitoramento da área.
Galvão havia divulgado o aumento alarmante desses incêndios e
rebatido abertamente o presidente, que contestou os dados do
desmatamento.
A revista científica britânica Nature, uma das mais
importantes do mundo, deu o troco em Bolsonaro, ao considerar Galvão um
dos 10 cientistas que mais se destacaram no mundo em 2019.
Mesmo assim, para consumo interno, a mídia brasileira continuou dando o mesmo peso às falas de Bolsonaro e as de Galvão.
Mais ainda. Em todas as retrospectivas da mídia internacional, os
incêndios na Amazônia foram fartamente citados e denunciados. Já na
mídia brasileira receberam menção en passant, como se tivessem acabado.
Não acabaram. Os incêndios continuam e os madeireiros e fazendeiros,
que estiveram por trás do “dia do fogo” se aproveitam da situação para
tomar na marra terras na região.
Tudo devidamente legalizado por medida provisória baixada no início
de dezembro pelo capitão reformado que amplia para seis anos o prazo
para regularização das áreas invadidas, a maioria delas na própria
Amazônia.
O decreto-lei precisará ser votado pelo Congresso, mas dificilmente
sofrerá mudanças significativas, porque centenas de parlamentares – a
maioria esmagadora integra a base governista – possuem fazendas e
negócios na região.
Detalhe importante nesse processo é que também buscadores como o
Google, através da “lógica” de seus algoritmos, parecem ter aderido às
mentiras.
As informações que primeiro são visualizadas quando se pesquisa dados
sobre queimadas na Amazônia são apenas as favoráveis ao governo.
Algo no gênero: “INPE anuncia que a Amazônia teve outubro com menor
número de queimadas em 21 anos” ou “Salles comemora dados do INPE sobre
redução das queimadas em setembro”.
Quanto ao óleo nas praias brasileiras, o assunto também desapareceu
da mídia, depois dela ter feito coro com integrantes do governo
Bolsonaro que tentaram botar a culpa no governo da Venezuela.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nunca fez nada contra
Bolsonaro ou contra o Brasil, mas o capitão quase declara guerra ao país
vizinho no início do ano, apenas para agradar ao presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, para quem já declarou “I love you”.
Culpar o governo Maduro pelo óleo nas praias do nordeste brasileiro
foi mais uma mentira para enganar o cidadão comum e indispô-lo contra os
desafetos do capitão reformado.
O curioso nesse processo é que a mídia brasileira chama Bolsonaro de presidente e Maduro de ditador.
Maduro foi eleito num pleito que contou com a presença de
observadores internacionais que não viram nada de anormal,
diferentemente do que aconteceu aqui.
Mentira tão absurda quanto à do óleo foi a que disse Bolsonaro sobre a
exploração de médicos cubanos, que levou ao fim da presença deles no
Programa Mais Médicos, criado por Dilma Rousseff, antes mesmo dele tomar
posse.
A mídia também se esqueceu desse assunto, especialmente porque os
muitos dos “patriotas” médicos brasileiros, que estavam ansiosos para
substituir os cubanos, simplesmente não apareceram para assumir os
postos, afetando o atendimento básico de saúde de 6 milhões de pessoas,
em 705 municípios.
Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, sonham com a privatização da educação e da saúde no Brasil.
Daí o silêncio da mídia sobre esse assunto, uma vez que os grupos
privados na saúde e educação estão entre os seus principais anunciantes.
No caso da TV Globo, existe ainda o fato de que a família Marinho
acalenta o sonho de liderar o ensino à distância no país, como tentou
fazer, sem sucesso, nos anos finais da ditadura civil-militar, através
do Programa Global de Telecursos.
O cidadão brasileiro, claro, ignora tudo isso.
MORTE AOS ÍNDIOS
O aumento espantoso do assassinato de índios e lideranças indígenas na região Amazônica é outra decorrência da postura mentirosa do governo e da mídia.
O governo diz não dispor de informações sobre o assunto. De acordo
com dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão vinculado à
Igreja Católica, os números mais recentes são os de 2018, quando foram
registradas 135 mortes. Os estados que lideram essa triste lista são
Roraima, com 62 casos, e Mato Grosso do Sul, com 38.
Esses assassinatos são compatíveis com os comentários racistas e
ofensivos sobre os povos indígenas do Brasil feitos por Bolsonaro ao
longo de sua vida pública.
Entre as “pérolas” do capitão estão essas: “pena que a cavalaria
brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que
exterminou os índios” (abril de 1998) ou “pode ter certeza que se eu
chagar lá (presidência da República) não vai ter dinheiro para ONG.
Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de
casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para
quilombola” (abril de 2017).
A mídia corporativa brasileira sabia disso, mas preferiu esconder tais barbaridades do seu público.
Ao longo de 2019 Bolsonaro também transformou em inimigos a educação
brasileira e os educadores, os cientistas e os artistas, além de
estimular o combate a todos os segmentos que lutam por seus direitos, a
exemplo dos negros, mulheres e a comunidade LGBTQ.
As universidades públicas foram chamadas pelo ministro da Educação,
Abraham Weintraub, de antros onde imperam a balbúrdia e o uso de drogas.
Professores e pesquisadores foram hostilizados o tempo todo, verbas e
programas fundamentais tiveram seus recursos reduzidos ou cortados.
O MEC teve o desplante de propor orçamento 20% menor que o atual para
2020. Não há precedentes desse tipo na história brasileira.
ESTORVO
Não foi em uma universidade pública que, em junho, 39 quilos de
cocaína foram encontrados, mas em um dos aviões da comitiva presidencial
de Bolsonaro em viagem à cúpula do G20, no Japão, quando fez escala no
aeroporto de Sevilha.
Chamou atenção das autoridades espanholas o fato de a droga ter sido colocado no avião sem a menor preocupação em escondê-la.
O que revela, no mínimo, displicência da Força Aérea Brasileira
(FAB). O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança
Institucional do governo Bolsonaro, aquele que comandou as tropas de paz
brasileiras no Haiti, que deixaram mais de 200 crianças sem pai,
limitou-se ao “vamos apurar” e “não acontecerá de novo”.
Depois disso, o assunto sumiu da mídia brasileira, como igualmente
sumidos estão os desdobramentos da apreensão de 490 quilos de pasta base
de cocaína em helicóptero do então senador Zezé Perrela (DEM-MG), em
2013.
Eventualmente reaparecem nessa mídia assuntos indigestos para o
governo como o paradeiro do ex-assessor Queiróz, o “laranjal” da família
Bolsonaro e as “rachadinhas”, sem falar na proximidade, cada dia maior,
entre os acusados pelas mortes da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle
Franco (Psol), e de seu motorista, Anderson Gomes, com integrantes do
clã presidencial.
Pelo visto, uma turma metida em negócios ilícitos decidiu morar
exatamente no mesmo condomínio na Barra da Tijuca, onde o “seu” Jair tem
casa.
Mas justiça seja feita. Volta e meia, parte dessa mídia, em especial o jornal Folha de S. Paulo
e a TV Globo, decide dar uma cutucada em Bolsonaro. Em geral, as
cutucadas servem para sinalizar que possuem “munição” contra ele.
Se realmente possuem, porque não divulgam logo e param de enganar os brasileiros?
Objetivamente, Bolsonaro já serviu aos propósitos dessa mídia e agora se torna um estorvo também para ela.
O problema é: como se desfazer dele sem passar recibo de que tentaram fazer milhões de brasileiros de bobos?
*Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Fonte Vi o Mundo