sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Candidatos "barões" usam comércio em MT para fazer propaganda

"Jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado. Todo o resto é publicidade" (George Orwell)

Redação 24 Horas News


Mesmo que tenha sido expressamente proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral, ao menos em Cuiabá a propaganda nos chamados ‘locais de uso comum’, tais como igrejas, sindicatos, supermercados, padarias, restaurantes etc., vem sendo feita ostensivamente. Um levantamento fotográfico feito pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) aponta que farmácias, padarias, borracharias etc. burlam a lei e expõem as placas de candidatos, de modo a pedir o voto de seus clientes, desequilibrando o pleito eleitoral.

“Nem todos os candidatos têm dinheiro para bancar esse negócio, então só os barões da política usam do expediente. O grave é que ao pagar em dinheiro vivo para expor as placas de campanha, mais de um crime é cometido, e a Justiça não pode permitir que tudo passe ‘em brancas nuvens’” – diz Antonio Cavalcante Filho, o Ceará, coordenador do MCCE, para quem “essa tática tem jeito, cheiro e forma de caixa 2”.

Se restar provado que o candidato tenha (ou teve) conhecimento do delito, poderá resultar em cassação do registro ou do diploma (se eleito), de acordo com o art. 30A da Lei 9.504/97.

A pesquisa feita pelo MCCE se transformou em representação, e será apresentada à Procuradoria Regional Eleitoral, cujo protocolo está previsto para logo mais às 14 horas. Com a representação o MCCE anexa as fotografias (das placas e das casas comerciais), bem como a indicação dos candidatos que se beneficiam do ilícito.

Além disso, no bojo da representação, foi pedido a intervenção da Polícia Federal, com o objetivo de constatação para identificar quem está pagando (pelas placas) e quais são os valores financeiros envolvidos. Acredita-se que as quantias são boas, uma vez que ‘convenceram’ pacatos comerciantes a se transformar em delinqüentes eleitorais.

Por isso os mesmos deverão ser interrogados pela PF, até que revelem os indícios necessários à descoberta da tramóia, os nomes dos beneficiários, quem pagou a conta, e a origem dos recursos financeiros.

Fonte: Olhar Direto

Leia a representação na íntegra:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR PROCURADOR REGIONAL ELEITORAL – PROCURADORIA DA REPÚBLICA EM MATO GROSSO.



O MCCE – MOVIMENTO DE COMBATE À CORRUPÇAO ELEITORAL vem oferecer INFORMAÇOES E PEDIR PROVIDÊNCIAS em face de condutas irregulares na propaganda eleitoral – modalidade abuso de poder econômico -, em face dos candidatos JOSÉ RIVA, SERGIO RICARDO, EMANOEL PINHEIRO, ROBERTO DORNER, ARAY FONSECA E ALEXANDRE CESAR, em vista do que segue:


Senhor Procurador: no que pertine à propaganda eleitoral, a lei de regência proíbe a exposição destas (cartazes, faixas, banners, impressos, cavaletes etc.), bem como a veiculação e distribuição dos “santinhos” nos assim chamados ‘lugar de uso comum do povo’ (art. 37 da lei 9.504/97 c/c art. 99 do Código Civil). No mesmo sentido a Resolução n. 22.718 do C. TSE definiu que “cinemas, clubes, lojas, centros comerciais, templos, ginásios, estádios, ainda que de propriedade privada” não podem veicular propaganda eleitoral, pena de cometimento de ilícito sujeito às sanções da norma.



Pois bem. Em Cuiabá, tudo pode, segundo alguns políticos. Vejamos os exemplos de flagrante de propaganda veiculada em casas comerciais, devidamente fotografados pelo MCCE.
Vidraçaria Vidrobox, contorno de início da avenida Estrada do Moinho, ao lado de uma borracharia. Telefones estão visíveis.

Solo materiais para construção (ao lado da Igreja Filadélfia), Estrada do Aricá, Bairro Pedra 90.



Estrada do Aricá, Pedra 90

 
Estrada do Aricá, Pedra 90.




Mini outdoors, avenida da FEB, VG.


Ave. Rabelo de Castro, Pedra 90



Mercearia Proeza, Pedra 90

Casa do Chacareiro, Pedra 90




  Dist. Cheff, Pedra 90

 
 
Loja Dominick, Av. Rabelo de Castro, Pedra 90
 
Mercearia, av. Principal Pedra 90.
Assim, à vista dos boatos de que as empresas estariam cedendo o espaço para propaganda mediante remuneração, o que configuraria o abuso do poder econômico e fraude em arrecadação e gasto de recursos de campanha eleitoral (art. 30A da Lei 9.504/97), requer-se:


1) Seja instaurado inquérito policial a ser conduzido pela Polícia Federal (competência para investigar crime eleitoral), e de imediato ouvidos todos os representantes das pessoas jurídicas (empresas) que veiculam propaganda ilegal;


2) Que sejam interrogados os comerciantes acerca da autoria dos pagamentos “por fora” para exibição das placas, de modo a identificar o uso do chamado “Caixa Dois”.


3) Por fim, que sejam interrogados os candidatos, visto que a proibição de efetuar propaganda em locais proibidos não pode ser desconhecida pelos postulantes a cargos públicos.


P. Deferimento.


Cuiabá, 10.09.2010

ANTONIO CAVALCANTE FILHO


VILSON NERY

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CONCLUSÕES, DECEPÇÕES, SIGILO E A FALTA DE VERGONHA NA CARA.

Sabe aquele texto que você não quer escrever? E aquela carta que você fica protelando e, mesmo depois que a escreve, fica dias e dias na gaveta fazendo você pensar se coloca ou não nos correios?


Pois é; esse é um daqueles textos. Quer seja por representar o fundo do poço para a conclusão da história de um partido ao qual apoiei durante muitos anos, quer por se tratar de um texto repleto de conclusões que levam apenas a uma constatação maior: Somos uma nação sem senso ético.

Enquanto assistimos ao festival dantesco de mentiras descaradas, desculpas esfarrapadas e defesas mal enjambradas e montadas em cima da hora – de forma porca e mal planejada – a violação do sigilo fiscal de figuras ligadas ao PSDB atinge o ápice do absurdo ao ser publicamente “defendida” pelo próprio presidente da república.

Ao dizer em seu pronunciamento para a campanha de Dilma: “Não é fácil construir uma nação forte, justa e independente. Isso só pode ser feito por homens e mulheres livres, que pensam e agem de forma solidária e construtiva. E jamais por aqueles que só pensam em destruir, que colocam seus interesses pessoais acima dos interesses do país (…)”. Lula fala uma verdade e, ao mesmo tempo, descreve a si mesmo e ao PT.

Muito longe de apoiar José Serra, até porque não votarei nele, esse texto é escrito com a indignação de um cidadão que compreende o valor ético de não se transigir com o crime. Não se pode minimizar a gravidade do que aconteceu – por mais de uma vez – e muito menos se desprezar as ligações diretas que envolvem integrantes do PT no escândalo.
Lula, por sua vez, mostra seu desprezo pelas leis, pela nação e pelo bem do Brasil ao – mais uma vez – comparecer em cadeia nacional para mitigar um escândalo e reduzi-lo a um fato corriqueiro e sem importância. Foi assim no Mensalão, nas várias violações de sigilo que aconteceram nas eleições disputadas por ele e por outros partidários, nos desvios e superfaturamentos do PAC, nas farsas e armações ligadas ao programas assistencialistas do governo, no episódio Daniel Dantas (onde bastou o banqueiro ameaçar com a delação premiada para choverem “Hábeas Corpus” expressos, “enganos” da Polícia Federal, afastamentos, jurisprudências “sob medida” e o investigador que acabou virando criminoso).


Mesmo que consideremos o péssimo comportamento de José Serra, ao tentar tirar proveito eleitoral do fato, não podemos deixar de considerar também a desfaçatez do presidente e a sua enorme cara-de-pau ao vir a público minimizar o fato e tentar abafar possíveis danos eleitorais a campanha de sua candidata. O mínimo que se poderia esperar de um homem sério seria a condução de uma investigação detalhada, célere e o mais isenta possível, com farto acesso aos dados e conclusões para a imprensa e para ambos os partidos afetados pelo assunto.

Infelizmente, assistimos a um carnaval de desmentidos sem criatividade e sem veracidade palpável. Assistimos a mais uma traição, ao juramento feito, do próprio presidente e a uma corja que toma de assalto às instituições democráticas de nossa nação de uma forma acintosa e despudoradamente arrogante. Uma a uma; curvam-se diante da verdadeira máquina de poder que assola a república cada fio de ética que ainda sustentava a moralidade institucional desse país.

A isso tudo, uma nação indiferente, assiste do aconchego do seu lar ao derramamento de desculpas e lágrimas de crocodilo. A “vítima” tenta parecer frágil e violado em sua intimidade, o criminoso, por sua vez, tenta esconder o seu crime usando de todos os meios possíveis de desinformação, desculpas esfarrapadas e apelos emocionais baratos.
Enquanto os traidores sujos tomam o poder nas mãos, uma parte da nação assiste a queda da democracia como se fosse a um jogo de futebol. Com bandeiras as mãos e slogans nas bocas desdentadas; gritam e torcem por um ou para outro lado. Alheios a dura realidade de que, nesse jogo, só quem perde somos nós.


Entender que um crime não pode ficar impune e nem ser mitigado – seja ele cometido por alguém que amamos ou até idolatramos e por um desconhecido – o crime tem de ser punido sempre. A ética deve prevalecer à popularidade e até a possíveis conquistas sociais e econômicas. Essa é a única forma de um dia sermos realmente grandes. Afinal de contas, é o respeito às leis e a punição de qualquer um que as viole – principalmente o Estado – que garante a verdadeira democracia e a verdadeira liberdade.

O que assistimos o nosso presidente fazer – não duas, mas várias vezes – é motivo de vergonha e de escárnio; jamais de orgulho ou entendimento. O Estado não pode ser poderoso a ponto de justificar suas transgressões de forma tão banal e despudorada. Um presidente não pode defender criminosos e nem viver cercado e assessorado por eles. Alguém que é literalmente chamado de “chefe de quadrilha” por um dos magistrados da corte máxima de uma nação não pode simplesmente fazer parte de um governo e ser aceito no seio do Estado e ser defendido por ele.
O Brasil só será uma nação de ponta quando entender que é apenas com ética, com respeito às leis, com punição exemplar e com a garantia do respeito aos direitos dos cidadãos que se constrói uma grande nação. Muito mais do que com a possibilidade de comprar qualquer coisa em suaves prestações.


A mudança de paradigma tem que ocorrer, em primeiro lugar, na mente do brasileiro. Com a compreensão de que política não é um jogo de futebol, onde torcidas devem defender cegamente um ou outro lado “por amor” e ignorar qualquer falha ou deslize da agremiação preferida. Com a exigência de um comportamento ético e de um caráter ilibado para o exercício de qualquer cargo público. Com o entendimento de que só merecem votos os políticos que realmente cumprem o que prometem ou, pelo menos, lutam incessantemente para o benefício do país. Com a iluminação necessária e a maturidade que é fundamental para por fim a nossa mania de aceitar pequenas e grandes violações da lei como comportamentos normais e elogiosos.

A mudança da nação só começará, realmente, quando o brasileiro tiver vergonha na cara.

E você leitor; o que pensa disso?

Fonte: Visão Panorâmica

TRE nega recurso e mantém inelegibilidade de deputado federal

"Alguns barrados pela Ficha Limpa insistem na campanha por medo de viver sem o foro privilegiado". (Marlon Reis)
Pedro Henry teve a candidatura barrada por estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa.


JEAN CAMPOS


Da Reportagem

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE) manteve ontem a decisão que tornou o deputado federal Pedro Henry (PP) inelegível por três anos.

De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, o Pleno acolheu parcialmente os embargos apenas para alterar erros formais no acórdão, “mantendo intacta a decisão anterior”. Também foram rejeitados os embargos movidos pelo ex-prefeito de Cáceres, Ricardo Henry, e pelo seu ex-vice-prefeito Manoel Ferreira de Matos. As decisões foram unânimes, seguindo o entendimento do juiz-relator, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues.

Mesmo com as alterações pontuais no acórdão, o TRE manteve a essência da decisão proferida em 20 de julho também em relação ao ex-prefeito e ao vice, quando foi julgado o recurso movido pela coligação Cáceres com a Força do Povo, que cassou os mandatos de Ricardo Henry e Manoel Ferreira de Matos.

A condenação foi aplicada em virtude de duas entrevistas concedidas para a TV Descalvados um mês antes do início das eleições municipais em Cáceres, quando o irmão do deputado concorria à prefeitura.

A entrevista ocorrida em horário considerado nobre foi realizada na emissora de propriedade da família Henry. O relator do processo destaca que, durante a entrevista de Pedro Henry, “suas palavras são todas no sentido da necessidade de reconduzir Ricardo Henry ao Palácio Municipal e contrárias a eventual mudança de sua titularidade”.

Alegando morosidade no julgamento dos embargos no TRE, o deputado federal impetrou uma ação cautelar com pedido de liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele tentava reverter a decisão da Justiça Eleitoral mato-grossense, mas teve o pedido negado.

Ao indeferir o recurso, o ministro Aldir Passarinho Junior entendeu que a defesa de Henry deveria esgotar todas as possibilidades no TRE antes de recorrer ao TSE.

Agora, com os embargos rejeitados, o progressista poderá recorrer à instância superior. Ele alega que não fez campanha para o seu irmão durante a entrevista na emissora de sua família. A assessoria de imprensa do candidato à reeleição informou que a campanha do progressista continua.

Pedro Henry teve a candidatura barrada por estar enquadrado na Lei da Ficha Limpa. A decisão, contudo, teve como fundamento sua inelegibilidade por três anos decorrente de uma decisão de 2007, quando ele foi condenado por compra de votos.

Henry se manteve no cargo por força de uma liminar concedida pelo TSE. A assessoria jurídica do candidato esclarece que o julgamento do mérito do pedido de registro de candidatura permanece intacto quanto aos seus fundamentos. Sendo assim, o deputado federal pode manter sua campanha sub judice. Se o TSE não derrubar a decisão do TRE, Pedro Henry não poderá ser diplomado caso consiga se reeleger.

Fonte: Diário de Cuiabá

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Riva tenta impedir Bertolucci de julgar ações; TJMT nega

"Noventa por cento dos políticos dão aos 10% restantes uma péssima reputação". (Henry Kissinger)



Da Redação – Pollyana Araújo


O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou pedido de suspeição impetrado pela defesa do ex-deputado José Geraldo Riva (PP) na tentativa de impedir que os processos do progressista fossem julgados pelo juiz da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular, Luiz Aparecido Bertolucci.

Por unanimidade, o Pleno acompanhou o voto da relatora, desembargadora Clarice Claudino, e julgou improcedente a alegação de que houveram indícios de parcialidade na sentença proferida pelo magistrado que condenou Riva por improbidade administrativa resultando no bloqueio de bens e afastamento do parlamentar das funções administrativas da Assembleia Legislativa.

Segundo o advogado de Riva, Mário Ribeiro de Sá, o juiz Bertolucci demonstrou estar favorável ao Ministério Público Estadual (MPE), autor das ações contra o ex-deputado, e de ser inimigo “capital” do réu. O TJMT, no entanto, entendeu que não existem evidências de que o magistrado praticou ato omissivo ou comissivo que o coloquem numa situação de inimigo do parlamentar e, por isso, julgou improcedente a exceção.

No exercício do quinto mandato, Riva deixou o comando da AL depois de ter o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) por compra de votos e formação de caixa dois na campanha de 2006, em Santo Antônio de Leverger.

Enquanto não consegue reverter a cassação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o parlamentar perdeu o foro privilegiado e as ações contrárias a ele (Riva) voltaram a tramitar na esfera comum, nesse caso, na Vara Especializada de Ação Civil Pública, e não serão julgadas por colegiado.

FONTE OLHAR DIRETO

domingo, 5 de setembro de 2010

Cidadômetro

Jornalista Merval Pereira: comentarista da Globo News e da rádio CBN


Cidadômetro

DEU EM O GLOBO

Por Merval Pereira*

Nesses dias em que predomina a percepção de que estamos fragilizados como cidadãos, impotentes diante das seguidas demonstrações de que um órgão do Estado brasileiro como a Receita Federal, que deveria ser o guardião de dados pessoais de cada um dos contribuintes, está exposto à ação de quadrilhas que compram e vendem sigilo fiscal e, sobretudo, à manipulação política, vale a pena discutir o que é possível fazer para reforçar a cidadania contra a leniência (ou cumplicidade) do Estado.

O publicitário Jorge Maranhão, dedicado à causa da cidadania e que tem o site A voz do cidadão, onde põe em debate os direitos e os deveres de um cidadão, está planejando colocar em circulação pelas cidades do país o Cidadômetro, concebido como uma complementação do Impostômetro, que mede, em São Paulo, o quanto de impostos o cidadão paga, soma que vai bater R$ 1 trilhão antes do fim do ano.

Assim como o relógio que mede os impostos, localizado na Avenida Paulista, procura chamar a atenção do consumidor para o tamanho de nossa carga tributária, Maranhão quer fazer o que chama uma medida de cidadania, tanto no sentido de iniciativa quanto de mensuração propriamente dita.

O projeto procura levar o debate público para a rua, para o cidadão comum, estimulando a pluralidade de opinião. Uma espécie de Ágora ambulante, sonha Jorge Maranhão, referindose ao espaço público na Grécia Antiga, onde ocorriam discussões políticas e os tribunais populares.

A ideia é testar nas ruas se você é um cidadão tão exemplar quanto imagina.

Maranhão acha que o problema da Receita Federal é exemplo do que acontece hoje na política brasileira, onde há um claro interesse corporativo que confunde instituições do Estado que devem servir mais aos cidadãos que pagam impostos, do que aos governantes.

É preciso, segundo ele, entender que as instituições do Estado são perenes e que ou se constrói a democracia com instituições fortes, ou vamos deixar espaço para que venha um tirano ocupá-lo, tanto faz se é de direita ou de esquerda.

A própria reação dos governistas, que consideram que as quebras de sigilo fiscal ocorridas nas agências da Receita no ABC paulista não terão repercussão no eleitorado, já que a grande maioria dos eleitores nem mesmo declara o Imposto de Renda, é uma demonstração de como não se leva em conta os direitos dos cidadãos.

O que estamos fazendo para aperfeiçoar as instituições, como a Receita Federal, para nos apropriarmos publicamente das instituições?, pergunta Maranhão.

Ele lembra que até bem pouco tempo tínhamos aquele sensato temor em relação à Receita Federal, à Polícia Federal, que eram vistas como instituições sérias, as famosas carreiras do Estado.

Hoje, o temor saudável transformou-se em receio de que essas mesmas instituições abusem de seus poderes contra qualquer cidadão que seja considerado um adversário.

Ou que elas estejam a serviço de interesses privados criminosos, quebrando sigilos fiscais com fins comerciais ou grampeando conversas telefônicas.

Maranhão está convencido, no entanto, de que a opinião pública brasileira hoje quer mais questionar e perguntar do que ouvir a empulhação das autoridades.

As afirmações das autoridades nesse caso da Receita não são de políticas públicas, mas de governo. Jorge Maranhão dá o processo de construção da Lei da Ficha Limpa como um exemplo de atuação da cidadania, que interferiu objetivamente na vida política nacional.

Ele se engajou na campanha da Ficha Limpa, colocando sua ONG A Voz do Cidadão ao lado de outras 50 ONGs, entidades e movimentos que atuaram formando o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE).

Conseguimos superar barreiras corporativas dentro do Congresso Nacional, fomos inicialmente recebidos a pedradas, lembra Maranhão.

Para ele, não é apenas a cidadania que é um valor corrompido no Brasil. São todos os valores. A questão brasileira não é a corrupção política, mas a corrupção dos valores. Isso gera a confusão do público com o privado, do Estado com os programas de governo. O Cidadômetro pretende sair pelas ruas das cidades inicialmente no Rio de Janeiro para perguntar ao cidadão comum: Você transforma sua indignação em uma arma de engajamento?; Você ocupa a calçada com seu carro, mas não gosta que o camelô ocupe a calçada? A Voz do Cidadão definiu três tipos de cidadão: o solidário, que deseja participar, mas o faz mais por caridade, convicção moral ou espírito humanitário do que imbuído de uma plena consciência de seu papel na sociedade. O consciente, que sabe o seu papel na sociedade e tem posição crítica em relação a governantes, gestores públicos e políticos, mas não passa disso e acha que tudo se resolve com o Estado. E o atuante, que, com base na percepção crítica que o cerca, não só pensa como age em direção à cobrança de resultados e à fiscalização de diferentes esferas de poder público, sempre estimulando os outros a fazerem o mesmo. Este seria o Cidadão Exemplar.

Jorge Maranhão sonha levar o caminhão do Cidadômetro para todos os lugares do país, inclusive Brasília. A questão da ocupação dos espaços públicos é replicável no Brasil inteiro; a demagogia no Morro do Bumba, em Niterói, construída sobre um aterro sanitário, que foi destruída nas chuvas, se reproduz em vários estados do país.

A versão completa do Cidadômetro teria ferramentas eletrônicas de interação, que divulgariam as respostas em tempo real.

Haveria também totens montados em estacionamentos de shopping centers, supermercados, campi universitários. Com base nas respostas, será montado um Índice de Consciência de Cidadania.

Tudo com o objetivo final de estimular o cidadão a agir como responsável pela fiscalização do espaço público onde vive.

*Merval Pereira: comentarista da Globo News e da rádio CBN, foi premiado pela Universidade de Columbia, de Nova York. A condecoração vencida por Pereira, denominada Maria Moors Cabot, tem por objetivo exaltar profissionais de imprensa que tenham influenciado no entendimento entre as Américas

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Dez mandamentos do Voto Consciente


Pessoal, estamos em plena campanha eleitoral. Eis os "Dez mandamentos do Voto Consciente". Conheça-os e divulgue-os!


1º)Procure conhecer o passado, as ideias e valores do candidato ou candidata. Se ele já se envolveu em escândalos de corrupção, comprou votos, foi cassado pela Justiça, renunciou a mandatos para escapar de punições ou se aliou a grupos envolvidos com essas práticas: simplesmente não vote nele!

2º) Não basta que os candidatos tenham a “ficha limpa”. É preciso conhecer as intenções e propósitos de cada candidato: quem financia a sua campanha? Quem ele realmente vai representar? Procure se informar. Exija dele uma vida honrada, do mesmo jeito com que você procura conduzir a sua vida;

3º) Conheça mais a lei eleitoral: participe de palestras, reuniões e debates. Sua vida em comunidade exige que você esteja mais informado sobre assuntos tão importantes.

4º) Ajude a criar ou fortalecer um Comitê da Lei 9840 para o Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e aplicação da Ficha Limpa. Se você faz parte de algum grupo ou organização social (Associação, Sindicato, Igreja, Clube de Mães, Centro de Direitos Humanos), saiba como fazer no site: http://www.mcce-mt.org/ .

5º) Denuncie a compra de votos: quando uma pessoa aceita um benefício em troca do seu voto se condena a viver sem emprego, educação, segurança pública. Assim, o remédio hoje recebido em troca do voto poderá mais tarde custar a falta do hospital que salvaria a sua vida ou a de seu filho.

6º) Denuncie o desvio de recursos públicos para fins eleitorais. É muito grave que um candidato se utilize de bens e serviços públicos para ganhar as eleições.

7º) Tire fotos, grave ou filme se notar qualquer sinal de compra de voto ou de apoio eleitoral, utilizando o mal uso do dinheiro público, pois ajuda a comprovar a irregularidade na denúncia ao Juiz Eleitoral, ao Ministério Público ou até mesmo à Polícia.

8º) Não vote em pessoas que mudam de partido, como “quem muda de roupa”. Ao votar no candidato, não estamos votando só na pessoa, mas no partido, ajudando a eleger outros candidatos do mesmo partido ou coligação: por isso saiba quem são os outros candidatos da legenda.

9º) Procure saber se o candidato tem compromisso com a defesa da vida em todas as suas fases, bem como com a realização da Reforma Política, Reforma Agrária e com Direitos Sociais fundamentais: como criação de emprego e geração de renda, melhoria da saúde e da educação, defesa do meio ambiente e da Cultura da Paz. Cobre esse compromisso.

10º) Pense bem antes de votar, escolhendo pessoas que se prepararam para administrar (Presidente e Governador) ou fazer leis (deputado federal e estadual e para o senado) em benefício de toda a sociedade, nunca em proveito pessoal. Não deixe para a última hora a escolha dos candidatos a deputado e senador. Depois da eleição, acompanhe o trabalho dos eleitos.

Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil e Comissão Brasileira Justiça e Paz

Fonte: http://comunicandoestef.blogspot.com/



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